sexta-feira, 6 de abril de 2018

Perdão e Misericórdia


Fui um desgraçado na Terra. Tinha muita raiva da vida e de muitas pessoas que comigo conviveram. Não tinha nenhuma pena das pessoas, e sim, muita raiva. Quando tinha alguma oportunidade de fazer o mal, assim o fazia e com um gosto que me deixava com um sentimento de glória.
Convivia com a maldade e com ela me sentia realizado. Meus familiares jamais gostaram disso em mim; mas pouco me importava com tal situação. E também contra eles eu me coloquei e causei o mal. Me deleitava em prejudicar e fazer com que as diferentes situações vividas pelos familiares não fossem as melhores.
Mas todo o Mal tem seu fim. E em chegar a termo. Em dado dia e momento, com a raiva corroendo-me por dentro, me coloquei diante da arma e disparei sem dó. A dor da bala pouco causou sofrimento. Mas os momentos que daí decorreram foram os mais doloridos e constrangedores. Sentia com muita intensidade cada dor, cada fincada na alma, e cada espetada no coração. Como um rio de lava passou a me queimar as entranhas. Gritava em total desespero e nada acontecia, ninguém por me salvar. E logo tudo ficou como uma noite que nada podia ver, nada conseguia perceber.
Tudo era escuridão e dor como jogo na alma. E o pior foi o frio que se abateu sobre mim. O gelo me fez reclamar ainda mais. Tremia de frio e tudo que busquei para acalmar a tremedeira do gelo, nada ajudou, nem o barro, folhas ou mesmo o lodo com musgos que fedia como carne podre. Quanta dor passei; quanto frio senti; quanto medo; passei a ter de mim mesmo. E ninguém por mim, e nem para me apontar um caminho para sair daquele maldito lugar; que lugar! Era meu pensamento.
Gritos por toda parte e gemidos em tom estridente me movimentaram para frente, me fazendo afundar na lama com musgos. Em minha boca, por onde passou a bala, o lodo entrava e o musgo me engasgava, me dando a sensação de que morreria afogado. Mas morto eu já estava. E tudo aquilo que passava era um pesadelo tétrico. Em vertiginoso contexto de inferno vivo.
Mas chegou um dia, que não consigo precisar. Eu não mais conseguia gritar, sequer conseguia lamuriar; estava eu flutuando sobre a lama e o lodaçal de musgos, que nem mais cheiro tinha, quando percebi ao longe uma claridade. Nossa, fazia muito tempo que eu nem conseguia entender a luz. Mas da claridade pessoas vieram em minha direção. Eu não conseguia falar. Não conseguia, sequer, perguntar. E elas me colocaram em uma maca e disseram:
- Filho! Viemos te buscar. Agora está seguro. Fica calmo e aproveita para dormir.
Não sei quanto tempo foi que fiquei naquele inferno e nem quanto tempo já estava sem dormir. Mas a chegada daquelas pessoas me oportunizar o sonho reconfortador.
Acordei não sei quanto tempo depois; estava num quarto de hospital. Quando acordei, senti uma paz como nunca antes. E isso me fez chorar compulsivamente. Chorei como nunca. E adentrou pela porta, naquele instante, uma enfermeira que me acolheu imediatamente. Não conseguia parar de pedir perdão. E diante da situação fui medicado. E de novo dormi.
Quando lembro dessa minha trajetória, fico a consolar ao Pai, que me concedeu o perdão, que me concedeu a misericórdia.
Hoje deixo minha história para estudo. E como ainda estudante, sigo no caminho dado pelos Irmãos Superiores.
Espero que me Perdoem.
Fiquem em Paz.
Valdomiro
Psicografado em 25 de novembro de 2017.

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