quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Vera Cruz – Cidade Espiritual localizada sobre São Paulo – Parte I

Na madrugada de 25 de novembro de 2010, fui levado pelo Bartolomeu para uma estrada de terra que, logo adiante, subia um morro alto. Sua extensão era em linha reta e cortava a pastagem de uma topografia em aclive.
Bartolomeu explicou o propósito de estarmos naquele lugar:
-Hoje vou lhe levar conhecer outra cidade do plano espiritual. Ela é muito semelhante à cidade Nosso Lar. Sua origem está relacionada à conjugação de esforços dos espíritos que animaram os nativos Tupinambás e dos espíritos que animaram uma confraria de padres no Brasil. Sua localização é acima de São Paulo e se chama Vera Cruz. Veja que o nome é sugestivo, pois tem relação com a história do Brasil. Sua origem conta com alguns redimidos exploradores do trabalho dos nativos, que após alguns anos vagando pelo Umbral, foram resgatados pelos espíritos dos ameríndios e levados para essa missão que veio a se tornar a cidade Vera Cruz. Nela os trabalhos eram coordenados sobre o amparo e orientação dos que na Terra foram padres catequizadores de nativos. Por essa estrada se conseguem chegar à Vera Cruz com muita facilidade. A topografia nessa área do plano espiritual facilita isso. Mas se você olhar para trás, verá que a estrada se perde na escuridão.
Quando olhei para trás, vislumbrei uma região de topografia toda acidentada. Era um conjunto de abismos, onde sua profundidade se perdia na escuridão. Em cima daquela região, pesadas nuvens, num escuro tom de cinza, pareciam se desprender da escuridão.
Bartolomeu continuou explicando.
-Recebemos a permissão para hoje visitar a cidade Vera Cruz, mas antes optei em lhe mostrar o platô que separa o vale de sofrimento, do caminho que leva até a cidade. Seguidamente sentinelas da cidade vasculham essa região a procura de grupos de irmãos ainda afeitos aos princípios de vingança, desejosos de avançar em outros irmãos pelo simples gosto de vê-los sofrer. Alguns desses irmãos sofredores se escondem entre aquelas rochas próximas na estrada que desce ao Umbral. Seguidamente eles aparecem para atormentar e afugentar qualquer irmão que encontre a estrada e queira sair do Umbral. Agora veja lá no alto daquele monte. Ali é um ponto de observação da cidade e que monitora toda essa região. Ao menor sinal de perturbação, as equipes socorristas imediatamente se fazem presente para auxiliar o resgate dos irmãos. As sentinelas estão nos dando as boas vindas nesse momento. Um fato curioso com essa região ocorreu quando dois irmãos, arraigados em comercializar ameríndios e africanos como escravos, ficaram quase oitenta anos se escondendo naquelas rochas e tentando afugentar as equipes socorristas que subiam com seus resgatados ou mesmo outros irmãos que subiam pela estrada. Toda vez que os irmãos socorristas buscavam aproximação, eles corriam zombando da equipe. Certa feita, um deles subiu na rocha e pediu por um padre. Segundo ele, precisava pagar para rezar uma missa destinada aos seus pais, já falecidos. Imediatamente uma das sentinelas se aproximou apresentando-se como intermediário de tal situação. Naquele instante a equipe socorrista já se posicionara para atender os dois irmãos que já se encontravam em situação lastimável. Quando o nosso irmão Manoel, responsável no momento pela coordenação dos trabalhos, se aproximou da sentinela e do irmão sofredor, este se jogou ao chão e pediu para que o perdoasse de todo o mal que havia feito aos escravos. O outro também saiu de trás das rochas e, rastejando, buscou se aproximar do irmão Manoel. Os dois estavam completamente desfigurados e esgotados, sem forças para continuar com suas estripulias. Ambos caíram em sono profundo tão logo foram socorridos.
Perguntei sobre o tempo que os dois ficaram naquela situação.
-Por que esses dois espíritos ficaram quase oitenta anos nessa condição? Eles sabiam dessa cidade e da oportunidade em sair do Umbral?
-Ambos estavam adormecidos para a visão espiritual. Acreditavam que estavam ainda encarnados e que haviam sido vítimas de algum complô de seus inimigos para lhes tirar os negócios e lhes lançar numa região desconhecida. Para eles, as equipes socorristas eram funcionários desses inimigos imaginários que eles tanto desejavam combater e prejudicar. O impulso que os animava era o da vingança. Acreditavam que aqueles irmãos resgatados, trazidos pelas equipes, seriam comercializados em alguma cidade qualquer. Eles não tinham conhecimento da cidade Vera Cruz e da sua finalidade. Esses dois irmãos estavam completamente interessados em recuperar os negócios relacionados à comercialização de pessoas. Não conseguiram perceber que já haviam desencarnado.
Bartolomeu disse, ainda, que as sentinelas ficaram diuturnamente orando pelo despertar desses dois irmãos. Mesmo durante a troca das sentinelas, sempre tinha alguém orando por eles.
A localização desse ponto de observação, onde as sentinelas ficavam, estava numa elevação que fazia divisa com o abismo, na parte mais alta de todo o terreno daquela região. Quando de frente para o abismo, esse ponto de observação, muito semelhante a uma pequena casa circular toda envidraçada, ficava na nossa esquerda.
Bartolomeu pediu se tinha mais alguma pergunta. Diante da minha negativa, começamos a andar pela estrada de terra, em direção de Vera Cruz.
A estrada cortava uma região muito semelhante aos campos de pastagem onde são criados os gados.

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