terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Vera Cruz – Cidade Espiritual localizada sobre São Paulo – Parte V

Fomos para a porta do saguão, onde Bartolomeu nos aguardava.
Após rápida conversa entre ele e Manoel, definiram que iríamos para o Ministério das Artes pelo deslocamento mentalizado. Manoel pediu para eu fechar os olhos, pois colocaria suas mãos sobre minha cabeça. Disse que uma imagem surgiria.
Imediatamente a imagem de um prédio, semelhante a um enorme estádio de futebol, apareceu em minha consciência. Quando essa imagem ficou nítida, Manoel pediu para eu abrir os olhos. Estávamos em frente a um prédio igual ao que surgira em minha consciência. A construção era arrojada, com estrutura arquitetônica toda diferenciada. O prédio parecia ter brotado do chão, que era recoberto por um gramado. A construção tinha colunas verticais que suportavam o prédio acima de um espelho d'água. O gramado que circundava todo o prédio terminavam num calçamento onde as pedras formavam esteiras de diversas cores, como círculos concêntricos, em toda a extensão da calçada, formando uma praça no entorno do prédio. Esse calçamento tinha uns cinquenta metros. Após isso existiam corredores formados por canteiros com flores e árvores, onde também existiam bancos esculpidos em pedra.
No ambiente havia uma musica que parecia sair de alguns obeliscos que formavam corredores em direção as diversas entradas do prédio, que era todo de vidro transparente, permitindo ver tudo e todos no seu interior.
Manoel disse que estávamos diante do Ministério das Artes, de onde os curadores foram lhe procurar para que ele me recepcionasse em Vera Cruz.
-Meu aluno, aqui é o Ministério das Artes. Daqui saíram os curadores que me procuraram com o objetivo de receber você e trazê-lo aqui para conhecer e comunicar para a Terra o trabalho desenvolvido por este ministério. Vamos caminhando, pois eles nos aguardam.
Após atravessar o calçamento, nós passamos por uma rampa de acesso ao prédio. Abaixo dessa rampa, no espelho d'água bem cristalina e com o fundo azul, igual aos das piscinas, vi cardumes de peixes dourados. Diante da minha surpresa em ver animais ali, perguntei ao Bartolomeu se aquilo era real.
-Charles, os peixes são reais. Não se surpreenda. No plano espiritual também existem animais. São espíritos em evolução que estão ainda em processo de despertar para a racionalidade.
Manoel indicou para nós os curadores que estavam na entrada. Eram duas entidades, que vieram em nossa direção.
-Sejam bem vindos ao Ministério das Artes. Que as bênçãos de Deus iluminem este momento. Irmão Manoel e Irmão Bartolomeu, que a paz de Deus irradie em vossos corações. Permitam-me apresentar-me ao nosso irmão Charles. Eu sou o irmão Isaías, curador do Ministério das Artes, juntamente com o nosso irmão Jeremias. Nossa tarefa é proporcionar ao querido irmão, informações sobre nossas atividades.
Nisso Isaías me abraço.
Jeremias também nos cumprimentou e me abraço, agradecendo a Deus pela minha presença na cidade e no ministério.
Isaías posicionou sua mão direita em minhas costas e disse para entrarmos.
Eu fiquei ladeado por Isaías e Jeremias, que me conduziram para o interior do prédio.
Logo na entrada vi um amplo corredor, com diversos painéis enfileirados. Nesses painéis havia pôsteres iguais aos que vemos nas entradas dos cinemas.
Jeremias passou a explicar sobre os pôsteres.
-Irmão Charles. Aqui nós temos uma galeria que retrata todas as atividades artísticas onde atuamos para a sua realização na Terra. Todos os trabalhos do cinema, novela e teatro, onde irmãos encarnados encenaram situações relacionadas à espiritualidade, tiveram o nosso auxílio e intuição. Aqui expomos a reprodução dos painéis que noticiaram cada um desses trabalhos. Eles são iguais aos que foram veiculados na Terra. São o nosso maior exemplo da comunhão artística entre o plano espiritual e o plano material.
Os painéis eram formados por dois vidros em camada, tendo entre eles o pôster. Ali tinham os pôsteres dos filmes do Chico Xavier, do Bezerra de Menezes, do Nosso Lar, de peças teatrais, de novelas. Também tinham pôsteres de outros filmes em inglês, italiano e francês.
Isaías explicou que aquela galeria reportava as atividades de mais de trinta anos, quando irmãos que passaram por Vera Cruz iniciaram os reencarnes na Terra para desenvolver atividades relacionadas à representação e dramaturgia. Ele me levou até o pôster do Nosso Lar. Mostrou três colunas de nomes colocadas ao lado do mesmo. Na primeira coluna tinha o título “Vivência Experimental”. Abaixo havia uma relação de nomes e sobrenomes. Isaías disse que aqueles nomes correspondiam aos irmãos encarnados que vivenciaram as experiências reais na matéria e que foram reproduzidas pela atividade cinematográfica.
Ao lado dessa primeira lista, havia outra com o título “Obreiros Encarnados”. Isaías explicou que a relação de nomes, abaixo desse título, correspondia a todos os irmãos encarnados que foram retratados, que encenaram e trabalharam para a realização do mesmo. Aparecia o nome completo de muita gente; maquiadores, câmeras, cinegrafistas, atores, atrizes, pesquisadores.
Na terceira coluna, com o título “Obreiros da Espiritualidade”, e com uma relação de nomes quase que o dobro da lista dos “Obreiros Encarnados”, Isaías explicou que aqueles foram os irmãos e irmãs da espiritualidade que trabalharam com cada um dos encarnados envolvidos na realização da filmagem.
Em todos os pôsteres existiam três colunas com nomes e as respectivas atividades.
Ao lado esquerdo do pôster havia uma pequena tela, igual a um espelho retangular de uns quarenta de altura e sessenta de largura.
Jeremias apontou para a tela e explicou que ali era possível ver imagens, comentários e diversos momentos para o registro histórico do trabalho. Ele tocou na tela e diversos ícones apareceram. Durante a sua explicação, ele ia tocando em determinados ícones e as imagens iam se sucedendo. Vi cenas do filme e dos ambientes das gravações. Também um ícone descreveu o surgimento da proposta para a realização daquela atividade cinematográfica. Nessas imagens, que eram comentadas por um locutor, apareceram grupos de espíritos reunidos e definindo tarefas. Na sequência das cenas essas mesmas entidades apareciam ao lado de diretores, atores e atrizes que estão encarnados. Depois as imagens destacavam as pessoas encarnadas se reunindo para tratar do projeto do filme. Nessas cenas apareciam as entidades participando da reunião. Nas montagens dos cenários e durante as cenas gravadas pelos atores e atrizes encarnados, junto deles estavam entidades que vestiam os mesmos trajes. O locutor explicou a cena como sendo os “Obreiros da Espiritualidade”, que auxiliaram na arte da interpretação. Em todas as imagens eram vistos os encarnados e as entidades trabalhando conjuntamente.
Isaías pediu para mostra as imagens das atividades desenvolvidas no Ministério das Artes com os atores e atrizes. Jeremias tocou em um ícone abaixo das imagens e surgiram outras mostrando alguns atores e atrizes, ainda encarnados, entrando no ministério acompanhado pelas entidades espirituais. Apareceram cenários iguais aos feitos na Terra, onde os mesmos recebiam explicações das entidades que lhes acompanhavam e depois as cenas mostravam esses atores e atrizes interpretando sob a orientação dessas entidades. Na cena, o locutor destacou a expressão corporal, a entonação da voz e a expressão do olhar que foram exercitadas conjuntamente.
Isaías explicou que os encarnados são trazidos para a Escola de Intérpretes, uma das unidades do ministério, onde recebem atenção e orientação para as atividades na Terra. Disse também que muitos desses atores e atrizes encarnadas já participaram de peças teatrais que foram apresentadas no Anfiteatro do ministério. Isaías disse ainda que nesse mesmo Anfiteatro foram reproduzidos os filmes realizados na Terra, para os moradores de Vera Cruz.
Jeremias solicitou para lhe acompanhar na ala lateral, que ficava à esquerda de nossa entrada. Fomos até uma abertura junto a uma parede de vidro. Ali havia uma gigantesca galeria de obras, com um conjunto de estátuas, pinturas e trabalhos em pedra, madeira e metais. Em todas havia a mesma tela.
Ao andar por entre as obras, Jeremias explicou que em todas elas há o mesmo sistema de explicações históricas como foi mostrado nos painéis dos filmes. Destacou que as peças estavam dispostas conforme as escolas de artes.
Algumas daquelas pinturas eu já vi na Terra. Mas a grande maioria eu não conhecia.
Depois de caminhar por entre diversas obras, conversando sobre seus significados, Isaías solicitou para irmos ao centro do ministério.
-Irmão Charles, antes de você retornar para a Terra, vamos lhe levar até a praça das águas, no centro do ministério. Queremos que você guarde na memória uma ótima lembrança de nós.
Saímos da galeria e entramos no mesmo corredor onde estavam os painéis dos filmes. Mas fomos andando, seguindo o corredor onde outros painéis estavam expostos. Na medida em que avançávamos, senti que o ar ficou com um aroma agradável, juntamente com um som de música suave. Logo vi, bem à frente, uma praça. Ali existia um gramado com jardins e árvores. Bem no centro havia um chafariz, cujo esguicho d'água subia alto e caia sobre si mesmo. Ali o ambiente era a céu aberto e a luz do Sol já iluminava todo o ambiente.
Todo aquele ambiente era circular. O gramado, que se estendia nuns quinze metros com um leve declive, terminava e uma superfície de vidro plano, de uns três metros, que possibilitava visualizar o espelho d'água que ficava a um metro abaixo do piso. Existiam bancos dispostos pela grama e sobre o piso de vidro central.
Jeremias destacou que ali era um ambiente de descanso e de reflexão.
-Irmão Charles, aqui na área central do ministério, está o nosso local de descanso e reflexão, onde revigoramos nossas forças depois das atividades diárias. Peço que Deus ilumine seu coração e sua consciência para recordar desses momentos.
Após Jeremias, Isaías também falou comigo, já se despedindo. Ao abraçar-me disse que o ministério aguardava-me para outras oportunidades de visita.
Manoel também se despediu de mim. Agradeci pela oportunidade e conversei sobre situações que estavam relacionadas a mim e ao Manoel quando encarnado.
Depois disso, Bartolomeu agradeceu aos curadores e ao Manoel e destacou que já estava na hora de eu retornar. Nisso ele colocou sua mão direita sobre minha testa, fazendo-me fechar os olhos. Imediatamente acordei em minha residência. Eram 5h50min.

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