sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Orientação e Resgate

Ainda na madrugada de domingo, dia seis de fevereiro de 2011, o mentor Bartolomeu levou-me para um condomínio residencial em Porto Alegre, localizado na região leste.
Entramos em um pequeno apartamento. Na sala estavam dois rapazes e uma garota conversando e rindo.
Bartolomeu explicou qual a nossa atividade naquele local:
-Charles! Hoje vamos trabalhar no resgate de um irmão desencarnado. Você não enxerga, mas aqui estamos na companhia de irmãos de luz que já estão trabalhando para o resgate e orientação deste irmão que desencarnou há algum tempo. Da mesma forma, os três irmãos não estão nos enxergando, mas você se tornará visível para eles e te pedimos que converse com eles. Vou te orientar no que deves conversar com nosso irmão.
-Certo! Espero auxiliar sem atrapalhar o resgate.
-Fique tranquilo. Apenas procure demonstrar afinidade com eles. Dois deles ainda estão encarnados e seus familiares pedem auxilio do Alto para que larguem o vício. O outro que desencarnou, vem recebendo orações de sua mãe encarnada. Cabe a nós socorrê-lo. Vamos lá.
Nesse momento os três integrantes da sala me viram. O irmão desencarnado puxou imediatamente conversa comigo.
-Opa! Chegou mais um pra nossa festa. O amigo trouxe alguma contribuição ou só veio pra fica fissurado.
Entre risadas e comportamento de aconchego, a moça, que estava sentada no sofá, censurou a maneira de recepcionar-me.
-Júlio! Aqui não é tua casa. Na minha casa mando eu. Deixa o rapaz. Ele pode ficar.
E olhando para mim, continuou.
-Olha só, não dá bola pra ele. Pode sentar aqui e conversar com nós. O Júlio não tem modos, mas é uma boa pessoa. Viu, senta aqui.
O outro espírito encarnado se levantou do sofá e ficou de pé, junto de um abajur no canto da sala. Parecia receoso, demonstrando desconfiança. Ficou ali em silêncio, escutando nossa conversa.
Já o Júlio, o espírito desencarnado e que estava sendo preparado para o resgate, se levantou do sofá e disse que iria até o banheiro. Nesse instante, sob orientação do Bartolomeu, puxei conversa com ele.
-Júlio, não precisa se preocupar comigo. Estou aqui apenas de visita. Eu moro aqui perto.
Bastou dizer isso e o Júlio já interrompeu sua ida ao banheiro e voltou a questionar.
-Mas então tu conhece o pessoal chegado no pó e na pedra?!
-É... Talvez alguns. Mas não todos. Tu também é morador daqui do bairro?
A moça deu uma risada e complementou:
-Pelo jeito a conversa vai longe. O Júlio gosta de falar sobre isso. Já não é a primeira vez.
Apesar do comentário da moça, Júlio passou a falar sobre seu bairro.
-Eu morava no bairro Agronomia. Nunca fiz mal pra ninguém. Mas sempre gostei de dar uma cherada. Ficar fissurado. Depois pequei a pedra. Essa foi melhor ainda. Essa detona mesmo. O cara fica fissuradão. Lembro que foi numa dessas épocas que as coisas mudaram. Fiquei sem sono e sempre ligado. Outro dia teve um cara que me perguntou se eu lembrava de como tinha morrido. Mas nossa! Cara! Eu nem sei como vim pará aqui. A Lú e o Kevi continuam meus amigos. A gente se encontra seguido aqui no apartamento da Lú. Como eu não consigo mais comprar as pedrinhas, eles compram e a gente fuma junto.
Sob orientação do Bartolomeu, dei continuidade ao diálogo.
-Quer dizer então que tu sabes que está morto, mas continua visitando teus amigos?
-É! Isso parece uma viajem meia doida. Num dia eu cheguei na boca pra compra pedra e os caras de lá não me deram bola. Sabe como é. Eles nem falaram comigo. Eu gritei, mas eles nada pra mim. Daí eu procurei o Kevi. Falei com ele que tava querendo fica fissurado e que não tinha dinheiro e os mano da boca não queriam mais vender pra mim. No início o Kevi parecia estar viajando. Não me dava atenção. Mas depois de um tempo o cara se ligo na minha e foi comprar umas pedrinhas. Depois eu vim falar com a Lú. Ela também não falava comigo. Parecia doida. Eu falava com ela e ela ficava dizendo “sai pensamento ruim”. Daí eu me dei conta que tava morto. Me liguei, então, de conversar com a Lú e o Kevi durante a noite. E aí a gente troca uma ideia.
-Então tu moravas no bairro Agronomia?!
-É! Fica aqui pertinho.
-E tu não lembras como morreu?
-Não! Só lembro que antes eu trabalhava numa obra e fiquei desempregado.
-Quando você ficou desempregado?
-Foi em 2007.
-Então quer dizer que em 2007 você foi despedido e que talvez tenha morrido, é isso?
-Olha só. Não sei bem direito. Sei que fui despedido em 2007 porque onde eu trabalhava acabou o serviço. Depois disso eu fiquei um tempo procurando serviço. Mas daí passei a fumar mais pedras. Num certo dia eu não consegui mais compra pedra. Fiquei um tempão. Só depois fui falar com o Kevi.
-Júlio, você sabe em que anos nós estamos.
-Em 2008?
-Não! Ali na parede tem um calendário. Olha de que ano é o calendário.
Júlio olhou para o calendário, viu o ano de 2011 e deu de ombros.
-E daí que é 2011. Não faz diferença.
Nesse momento do diálogo o Kevi já havia se retirado. Enquanto isso, a moça continuava sentada no sofá, escutando a conversa entre eu e Júlio Fui orientado a conversar sobre a questão dos anos que se passaram sem que ele tivesse percebido. Comentei que havia outras cidades para ele conhecer.
-Júlio... Existem outras cidades que você deve conhecer. Não precisa ficar aqui. Isso para você é um sofrimento e vem fazendo a Lú e o Kevi sofrerem por você. Olha como a Lú está. Ela nem tem mais amigos por sua causa. Só o Kevi vem aqui. A Lú está procurando tratamento médico para sua dependência química. Logo ela estará recuperada. Já você poderá ficar sozinho. Mas antes disso. Repare que você não fica mais fissurado. A única coisa que você sente é o cheiro da fumaça. Depois, o que vem na sua mente, é apenas um esforço de lembrar as sensações do que sentia quando ainda estava encarnado. Vamos deixar a Lú seguir o caminho dela.
Nisso a moça passou a se mexer no sofá, como que se sentindo desconfortável, e começou a chorar. De uma das portas entrou na sala uma mulher que se aproximou da moça, falando com ela:
-Filha! Você continua se encontrando com o Júlio Vem comigo, vou te ajudar. Vamos conversar no seu quarto.
As duas saíram e ficou apenas o Júlio. Eu continuei a conversa:
-Veja Júlio Você está ficando sozinho. O conselho que te dou é de que aproveite hoje para ir conhecer outra cidade. Lá você receberá o tratamento adequado e terá muitos amigos.
-Mas quem me garante isso? Quem garante que existe outras cidades e que vou ter amigos?
-Júlio, eu te afirmo que existem amigos que querem te ajudar e que tu podes conhecer uma cidade muito linda em poucos instantes.
Se sentindo fragilizado, Júlio senta no chão, junto da parede, e com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos na cabeça, comentou que estava confuso.
-Estou confuso. Sinto que estou sozinho aqui, mas tenho medo de sair.
-Não precisa ter medo de nada. Já está chegando dois amigos para te mostrar essa cidade. Lá você terá o tratamento adequado e irá se recuperar. O que acha disso?
-É, acredito que posso conhecer essa cidade.
Duas entidades se materializaram junto de Júlio, que continuava sentado no chão. Uma delas comentou:
-Bom dia! Então esse é o nosso amigo Júlio que está se decidindo em nos acompanhar?!
Júlio levantou a cabeça, e com um olhar de tristeza conversou com a entidade.
-É, faz tempo que eu deveria ter procurado ajuda. Fiquei atormentando a cabeça de algumas pessoas que nem ligavam pra mim e nem vi o tempo passar.
A entidade, complacente, se ajoelhou na frente de Júlio e lhe respondeu.
-Isso não importa mais. Agora é a oportunidade de tu recuperares o tempo. Primeiro vamos conhecer seus novos amigos. Depois tu poderás desenvolver melhor conhecimento sobre o que passou e vir a auxiliar os teus amigos. Me de sua mão e vamos juntos.
Júlio, ainda sentado, pegou na mão da entidade. Ao se levantarem do chão, os três saíram da sala como num raio de luz.
Bartolomeu disse, então, que estavam encerradas nossas atividades naquele dia. Que a Lú e sua mãe teriam uma longa conversa ainda no domingo sobre o tratamento da filha e que eu já poderia retornar ao corpo, pois já era manhã de domingo.

4 comentários:

  1. Olá
    Eu já sonho com certa frequência com meu avô materno, sonhos agradáveis onde vem me dar "dicas" palavras de conforto e até um puxão de orelha. Mais o que me intriga é sonhar com minha avó materna que eu não conheci. Lembro me de na pré adolescência sonhar com ela morrendo nos meus braços não me recordo de sentir tamanha emoção.
    Ocorre que minha família (entenda pai e irmãos) são muito complicados. Viciados em álcool, machistas, sem rumo na vida, sem ambição é que já trouxe muito sofrimento para minha mãe e eu. Sei lá sinto a cada dia que eu tenho uma dúvida passada com eles e que preciso colocá-los no caminho.
    Que fardo esse! Meus avós maternos (amavam minha mãe de uma forma diferente) era uma amor que dar a entender que transcende a morte.
    Estou começando a estudar/frequentar o espiritismo, tenho uma intuição muito forte, tive uma existência desagradável em 2010 quando lamentava das dificuldades que passava, sentir a presença de alguém, parece que algo me tocou, fiquei paralisado e imóvel (sentir muito medo e frio), fiquei 2-3dias vomitando.
    Antes eu achava que era um demônio, hoje eu penso que foi meu avô que veio me ajudar ... de fato tudo foi solucionado pouco tempo depois.
    Será que meu avô me sondas?
    O nome dele é José Martins da Gama
    Meu nome é José como o dele.
    Ficaria muito grato, tenho pensando em fazer uma regressão, mas tenho medo de transgredir as leis de Deus, se "ele" fez eu esquecer, talvez isso seja um ato de desobediência, ademais tenho receio do que irei encontrar lá.
    Dou relativamente feliz, culto, bem sucedido, bem casado, mas minha família e minha maior preocupação, atualmente meu irmão mais novo moro comigo, desde que chegou eu só ando para trás (parece que só atrai o que não presta), ele de fato bebe muito, pelo menos 1 vez por semana fica bêbado.
    Deus abençoe se alguém puder me responder algum ou todos os questionamentos.

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    1. Irmão! Os reencontros encarnatórios entre vocês (pais, irmãos e avós) já aconteceram em duas oportunidades e em países diferentes. Na última encarnação ocorreu uma situação com um tio no qual sua vó sofreu muito e você, na condição de filho na oportunidade, a ajudou. Em 2010 o espírito que lhe causou os males no corpo foi um espírito estranho (mas necessitado e que se aproximou de você para conseguir ajuda) e teve todo o amparo e apoio de seu avô. A regressão não é necessária. Mas se desejar, pode solicitar ao seu Mentor e Protetor, seu avô, que ele pode lhe mostrar o que for permitido. Faça uma oração antes de dormir e solicite tal permissão. Em sonho terá algumas recordações e acordará com a sensação de ter vivenciado. Para seu lar, seu avô está sempre junto. Também tem a Mentora Estefany que acompanha e ampara seu lar. Fique com Deus! Att. Charles

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    2. Boa tarde!

      Deus lhe pague pela sua generosidade.
      Tenho tentado mas a cada dia me sinto mais bloqueado intelectualmente e cansado. Sei da minha responsabilidade é excesso de tarefas a cumprir. Sou farmacêutico, professor universitário, doutorando e autor e editor de algumas obras em saúde que estão em fase final de diagramação.
      Irmão sinto que a partir do momento que comecei frequentar o centro espírita a coisa "piorou". Me sinto bem na hora do passe, porém horas depois estou pior que antes.
      Comecei a frequentar a centro André Luiz estou pensando em abandonar. Sei lá parece que alguma força contrária me encontrou lá e quer me atrapalhar ....
      Fora o stress sou feliz!
      Mas gostaria que soubesse que por 3 situações eu acordei assustado pois sentir a presença de algo no meu quarto, sendo que em uma delas eu vi uma bola de energia escura (vi com a mente), pois foi só abrir os olhos e acender a luz que nada vi.
      Tenho tido sonhos lúcidos onde revivo lembranças da infância e que aparentemente não possue nenhum significado.

      O seu guia, mentor ou amigos poderia dizer se eu realmente estou desenvolvendo a mediunidade e se realmente algo querendo me fazer mal? Eu peguei pesado com meu irmão e ele parou de beber, às vezes acho que o que estimulava ele beber se voltou para mim ... são tantas dúvidas que entendo plenamente não puder ou querer responder.


      O que gostaria do fundo do coração era que me indicasse um médium que pudesse me atender para que eu pudesse compreender melhor tudo o que está acontecendo e como eu posso ajudar outras pessoas.

      Como sou da saúde as pessoas gostam de me pedir auxílio e geralmente faço com gosto, muitos desabafa comigo e sei que sou uma esponja! talvez essa seja a resposta, não sei me desligar e absorvo demais.

      Eu sempre suspeitei ser sensitivo pois não me sinto bem em multidão, me incomoda que a maioria das pessoas me toquem sem o meu consentimento. Hoje é claro que eu absorvo tudo.

      Abraço
      Desculpa mais estou muito angustiado.

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    3. Isso se trata de mediunidade, e sua situação não é de desenvolvimento da mesma, mas a de compreender que diversos necessitados ficam na sua volta, pois se sentem melhor. Porém, esses irmãos ainda não compreendem que estão desencarnados. Vamos trabalhar da seguinte forma: durante nove dias vamos trabalhar a orientação e resgate desses irmãos que te acompanham, pense em mim e no mentor Bartolomeu; peça ao Pai Celestial que esses necessitados possam ser amparados e encaminhados. Pode iniciar hoje e repetir esse pensamento em qualquer horário do dia. Irmão, pode escrever sempre que quiser: utilize email: espiritualidade2010@gmail.com
      Fique com Deus!
      Att. Charles

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