segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A Vida na Espiritualidade

Após desencarnar, o espírito assume com intensidade a sua condição pretérita na espiritualidade. Ali ele passa a ser exatamente o que é, nem mais e nem menos; apenas sentindo e expressando em grau maior os seus sentimentos.
Porém, ao se deparar com ambiente que apresenta atmosfera diversa da qual ele estava acostumado, perturbações originárias de seu comportamento terreno se assomarão em sua consciência, lhe deixando aturdido e causando confusão quanto à realidade em passa a viver.
O retorno à Espiritualidade tem suas peculiaridades. Para alguns, esses primeiros momentos são revestidos de dor e sofrimento. Para o espírito, deixar a carne interrompe tão somente a sua prisão na Terra, mas não o liberta de seus pensamentos, causa e consequência da sua vivência e dos seus desejos humanizados.
Não há desprendimento da carne sem ocorrer um breve momento de nostalgia da vida que outrora executou na escola terrena. Essa nostalgia pode ser rapidamente assimilada pelo espírito ou pode demorar. Nesses casos prolongados do desprendimento terreno, o sofrimento é causa imediata e o espírito fica imantado às regiões de sofrimento, onde, como numa escola de ensino intensivo, o espírito será diariamente chamado a recobrar os sentidos e se desfazer das vibrações da carne, restabelecendo sua ligação de amor ao próximo.
Nessas regiões de sofrimento, onde o espírito peregrina como se não tivesse rumo, ocorrem situações diversas para que ele recobre a consciência espiritual. Porém, não lhe é fácil o desprendimento se estiver com o pensamento fixado nos desejos da carne e nos sentimentos de raiva, ódio, vingança e desprezo. Nosso Mestre Jesus nos ensinou que nas trevas devemos procurar a luz. A luz se reporta ao propósito de orar ao Pai Celestial, perdoando as fraquezas da carne, os nossos desafetos e se desfazendo dos desejos e riquezas materiais. Ninguém sai dos “hospitais” umbralinos, ou seja, das regiões do umbral, sem deixar os sentimentos de ódio, luxuria e desavenças fora de seu coração.
Para entrar nas regiões superiores da espiritualidade, é necessário desprendimento e fé na imortalidade do espírito e o amparo dos irmãos superiores.
Quando o espírito chega às regiões acima do umbral, a atmosfera da espiritualidade lhe soa no coração como vibração do paraíso, semelhante aos verdejantes campos que são contados na Terra. Mas, ainda assim, a beleza do ambiente não lhe tolhe o caminho que deve ser de árduo trabalho para a evolução do espírito. Nessas regiões os espíritos começam a recordar sobre sua vida pregressa e suas outras encarnações, tirando valiosos ensinamentos. Também relembra as atividades que tivera antes de encarnar e retoma o caminho da atividade espiritual com mais afinco e conhecimento no amor divino.
Aos espíritos mais esclarecidos, que assumem tarefas difíceis na Terra, e que ao retornar para a espiritualidade chegam conscientes, podemos afirmar que nesses casos o desencarne se dá como quando se tira uma roupa de mergulho. O desencarnante vivencia a presença de espíritos amigos que o acompanharam durante a vida na Terra, recebendo-lhe em grande jubilo e o conduzem para as moradas superiores da espiritualidade.
A chegada desses irmãos esclarecidos na espiritualidade é coroada de sentimentos de amor e muita fraternidade.
O espírito retoma aos poucos suas atividades na espiritualidade e, também aos poucos, busca visitar os irmãos de afinidade que deixou na espiritualidade antes de encarnar. Não lhe é surpresa quando se depara com irmão que outrora deixou na espiritualidade e que, ao retornar, o encontra encarnado na Terra ou em outro planeta, dando continuidade às atividades espirituais de desenvolvimento do amor e da fraternidade para a evolução dos irmãos menos esclarecidos.
O desprendimento pessoal e de amor e caridade ao próximo caracteriza evolução espiritual.
O sentimento mais aflorado nas esferas superiores, acima das regiões do umbral, é o de amor maternal e paternal. É o sentimento de amor, de mãe e de pai, de se entregar em cuidados e atenção aos filhos. Esse amor é o do perdão permanente e de muita dedicação em auxiliar e também de resgatar os filhos que se transviaram do caminho do bem.
Os espíritos dessa esfera transbordam um forte sentimento de zelo ao próximo, onde há muita oração e trabalho para os que estão encarnados e para os desencarnados que vivenciam situações adversas no umbral. Esse amor maternal, que faz muitos espíritos se ressentirem e chorarem pelos filhos e filhas que se exercitam nas experiências da matéria, compreende a maior ligação da espiritualidade. Esse sentimento ultrapassa todas as adversidades e se consolida no abraço afetuoso que se dá na espiritualidade no momento do reencontro. É um amor que resiste a tudo.
O verdadeiro amor de mãe, ou o verdadeiro amor de pai, transfigura o sofrimento pelo qual a alma querida passou, em sentimentos de conquista, esperança, amor e fé.
Não raramente, espíritos abnegados no profundo sentimento maternal e paternal, se unem em esforços para auxiliar os filhos amados. Mesmo que os laços de família sejam rompidos com o desencarne, o sentimento de amor e abnegação continua embalando os corações em complexas redes de trabalho fraternal.
É nas adversidades vividas pelas almas terrenas que os espíritos multiplicam seus sentimentos de amor aos filhos e filhas. Em contínuas romarias, orações e pedidos ao Alto, empolgam os mais nobres sentimentos de acolhimento e fraternidade, na busca permanente de alternativas consoladoras e de auxílio para as almas de seus diletos suportarem a carga que escolheram em sua romagem pela Terra.
A vida na Espiritualidade, em se tratando de atividades, não é tão diferente do que ocorre na Terra. Temos Irmãos e Irmãs se dedicando aos mais diversos serviços. O que diferencia a Espiritualidade da Terra está no objetivo das atividades. Na Espiritualidade, todas as atividades têm como objetivo maior a evolução do espírito em direção a Deus. O trabalho diário se faz fundamentado na comunhão coletiva de auxiliar a todos a caminhar no sentido da evolução.
As cidades da Espiritualidade são repletas de atividades. Muitas das atividades estão direcionadas aos encarnados e buscam estabelecer: o conforto espiritual; a cura para doenças; o tratamento evangélico para os espíritos; o conhecimento tecnológico e científico, muitas vezes sob efeito de inspiração; as orientações dignificantes; o trabalho de caridade e muitos outros.
Assim como na Terra, também há na Espiritualidade diversas atividades dirigidas para o bom desempenho do espírito. Muitos progressos que auxiliam os encarnados na Terra, já foram, há muito, utilizados na Espiritualidade para acelerar a evolução do espírito.
Mas o fato primeiro da vida na espiritualidade é de que, nas esferas acima do umbral, os espíritos estão em permanente atividade e desejosos de ganhar tempo em dedicação de amor, perdão e fraternidade ao próximo.
Estejamos desencarnados ou encarnados, a verdade é que todos nós podemos ser para o próximo:
Com nossos pensamentos, a luz que desfaz a desesperança.
Com nossas palavras, a água fluidificada que amolece o coração enrijecido.
Com nosso olhar, a confiança em Deus.
Com nosso sorriso, a certeza na vida eterna.
Com nossas mãos, o amparo e o suporte para aquele que sofre.
Com nosso ombro, o aconchego para aquele que quer acertar o caminho do bem.
Com nosso ouvido, a atenção para aqueles que procuram falar de suas dores.
E com nosso coração, espalhar a fraternidade, o perdão e o amor maternal e paternal para todos.
Irmão Bartolomeu
Mensagem recebida em 13 de fevereiro de 2011.

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