Já dentro da nave, Bartolomeu solicitou para eu fechar os olhos e mentalizar uma luz branca a me envolver. Enquanto isso, ele aplicava um passe magnético. Disse que tal procedimento era necessário para eu poder ingressar no Plano Espiritual ao qual nos dirigíamos. Sem esse procedimento eu poderia me desprender do grupo e retornar à Terra.
O passe e a mentalização duraram uns 20 segundos. Bartolomeu logo pediu para eu abrir os olhos, pois havíamos chegado.
-Vamos, Charles. Já chegamos à Cidade Espiritual de Conframare. Estamos no Centro de Hermenêutica e Ciência, correspondente ao que visitamos no Plano Físico.
A área era exatamente uma cópia do local visitado no Plano Físico. O espaço para estacionar as naves, os prédios e a vegetação eram quase idênticos. Porém, ali tudo era mais luminoso e translúcido. Tudo ali parecia ser feito de vidro.
Reparei que Eustáquio e Felipe estavam agora com forma diferente daquela que eu vi no Plano Físico. Mas não só eles dois, pois todos os outros Espíritos que transitavam por toda aquela imensa área eram de formação diferente.
Ao desembarcar da nave, e vendo aquelas formações como se fossem chamas de luz branca, perguntei ao Bartolomeu sobre as mesmas:
-Bartolomeu! Parece que estou diante de seres Espirituais diferentes dos que eu já vi. Por que isso?
-Charles! Você não está diante de seres diferentes, tal como se imagina diante de espécies diversas. Não. Todos são Espíritos. Ocorre que nesse Plano Espiritual, que também está localizado bem próximo da crosta marciana, os Espíritos possuem o Perispírito mais sutil, decorrente do estágio de esclarecimento e de dedicação ao bem a que se disponibilizaram trabalhar. Na Terra também há Planos Espirituais com essas mesmas características, porém eles estão muito mais distantes da crosta da Terra. Com o tempo, conforme a evolução e o esclarecimento forem dissipando as tendências materiais, também na Terra ocorrerá a proximidade de Planos Superiores para junto da crosta. É pelo pensamento que todas essas coisas que agora tens dificuldades para compreender, ocorrem. Pelo pensamento os Espíritos, encarnados ou desencarnados, elaboram os fluidos presentes em todos os lugares, densificando-os ou tornando-os mais sutil.
Enquanto Bartolomeu me respondia a pergunta, o grupo todo ficou ali parado, ouvindo a explicação. Felipe aproveitou e comentou que quando eles descem até a crosta marciana, seus perispíritos assumem um pouco mais de densidade e que o mesmo era decorrente do contato com a superfície e com o trabalho a que se dedicavam.
Em seguida ele nos convidou para entrar no Centro de Hermenêutica e Ciência. Enquanto eu parecia caminhar no ar, os demais flutuavam. Já Eustáquio e Felipe pareciam não possuir pés, pois eram como centelhas de luz a flutuar a um metro do chão.
Toda a arquitetura do prédio era igual a que visitamos no Plano Físico. Mas como disse, tudo ali parecia feito de vidro, tudo era de uma textura translúcida. O brilho de tudo, o ar perfumado e a luminosidade do Sol, faziam me sentir leve.
Ali naquele prédio, fizemos o mesmo caminho que o visitado na crosta. Já na sala correspondente àquela visitada na crosta, ou seja, a sala da Ciência Experimental do Tempo-Espaço, havia uma centena de entidades. Porém, no lugar de mesas e telas, havia diversas imagens holográficas, tridimensionais, de planetas; inclusive a Terra. Todas essas imagens, umas trinta, estavam suspensas a um metro do chão e “dentro de tubos” de luz.
Eustáquio explicou que todas as informações coletadas ali, no Centro de Hermenêutica e Ciência do Plano Espiritual, eram enviadas para os Irmãos localizados na sala do mesmo prédio no Plano Físico. Disse que ali era um dos locais onde muita mentalização de apoio eram endereçadas a diversos Irmãos. Sendo que recebiam uma maior atenção todas as entidades encarnadas que despertam para a Espiritualidade científica.
Felipe destacou a importância do trabalho em conjunto, dizendo que todos evoluíam; tanto os encarnados trabalhando na crosta marciana, como também todas aquelas entidades que se dedicavam aos trabalhos Espirituais.
O grupo todo passou a conversar sobre diversos procedimentos, tanto relativo as questões de ciência, como também sobre as responsabilidades na atividade de mentores e acompanhantes das entidades encarnadas e que deverão intuir sobre as novas descobertas no campo da ciência. Minha curiosidade, diferente dos demais, estava focada sobre a condição da Terra. Creio que ficamos uma hora aproximadamente conversando.
Eustáquio e Felipe disseram que muito em breve informariam ao grupo sobre uma visita de trabalho que fariam na Terra, quando levariam alguns conhecimentos mais direcionados à Hermenêutica e Ciência para aquelas entidades que estavam assumindo a atividade de mentores.
Depois disso, nos despedimos e regressamos até a nave para retornarmos à Terra.