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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

UM DIA ESPECIAL

Hoje é um dia especial. Daqueles que ficam marcados na lembrança, na alma. Pois estou aqui para contar um pouco de mim.
Com a permissão dos mais queridos irmãos, pude hoje vir até aqui.
Trazido em caravana, e acompanhado de muitos outros.
Mas então foi assim...
Quando morei em algum lugar dessa grande Porto Alegre, fazia da minha profissão o ganha pão necessário para a vida diária.
Os anos passaram rápido e sempre mantive tudo o que pude para o sustento da família.
Quando meus filhos vinham falar de Espiritismo, não dava a devida atenção. Retrucava as histórias e fazia comentários de descrença.
Mas foi quando morri que tive uma oportunidade muito boa para compreender sobre o Espiritismo.
Diante da realidade passada a vivenciar, pude então entender as coisas ditas pelos filhos.
E o que mais gratificou-me foi o fato de vê-los no Centro Espírita orando por mim.
Sim! Lá vi eles. E foram diversas as vezes. Eles chegaram no Centro, e no início era com aquela saudade que até me constrangia, pois não conseguia lhes falar, mas apesar disso, eles tinham a certeza de que eu estava bem, mas quando eles adentraram no Centro Espírita, logo pensavam em mim e uma luminosidade me tocava, e uma chuva luminosa me rodeava.
Como isso me aliviava a saudade, assim como aliviava a dos meus filhos.
E via que diferentes equipes de espíritos, de trabalhadores anônimos, se desdobravam em trabalhos diferenciados para atender as orações, as preces dos familiares e amigos amados.
Em meu entorno os familiares que comigo estavam, me explicavam sobre a caridade do pensamento. O quanto as orações repercutem na alma. E de fato, sentia isso com total vibração. E na medida que isso me tocava profundamente na minha alma, passava a orar pelos meus filhos, estabelecendo uma sintonia de luz, que se multiplicava em cores e matizes, envolvendo meus filhos no Centro Espírita. E essa se propagava por mais tempo. E bastava que eles pensassem em mim que elas voltavam a dar piscadelas em seus entornos como se fossem vagalumes multicoloridos.
Pois é! O Espiritismo apresenta conhecimentos que vão além do entendimento humano. E os corações se multiplicam quando a compreensão da grandiosidade divina se faz entendida e vivenciada.
E é nessa vivência que faço a cada instante novo, agora aqui desse lado.
E poder contar um pouco sobre essa experiência, me faz sentir o quanto o amor é real e verdadeiro.
Quando cheguei na espiritualidade, é claro que me senti confuso. Apesar da ajuda e amparo de minha mãe, de meu pai, de minha avó, e de amigos que antes aqui chegaram, confesso que tive um pouco de dificuldades.
Mas quando meus filhos oraram por mim, pude mergulhar meus pensamentos, minhas lembranças, no que eles comentaram sobre o Espiritismo lá em casa.
E foi lembrando e vivenciando que pude me melhorar e aprender.
Da tristeza e da saudade, o consolo se transformou em eterno amor e gratidão.
Não esmoreçam! A vida eterna se faz a cada pensamento. E o amor ganha contornos universais. Suas amarras nunca se desatam. E a cada oportunidade dada, é em sonho que me encontro com meus filhos.
E agora posso louvar a grandeza do amor, como nunca. Pois aqui é isso que vivenciamos todo o momento.
E desejando Paz e Amor,
Para Todos, me despeço!
Fiquem em paz.
Fernando


Psicografado em 12 de agosto de 2017.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Filhos!

A Alma evolui em decorrência das experiências pela qual passa, tanto no mundo encarnado, como no mundo espiritual. A diferença é que no plano dos encarnados as experiências são mais intensas e contribuem de sobremaneira para acelerar o progresso.
Quando nos revestimos de matéria, ou seja, quando encarnamos, temos a sagrada oportunidade de aprender condicionados aos esforços que fizermos para nos desprendermos e nos desapegarmos das questões materiais. E vejam que sublimidade; na medida que nos desapegamos das questões materiais, mais nos elevamos na espiritualidade, fazendo com que tenhamos melhores condições para discernir sobre as mazelas que prendem os espíritos aos planos materiais, e a louvável ascensão de nossas almas quando percebemos a intervenção do Pai em nos apontar o caminho do Bem.
Por hora, nos parece que os apegos aos anseios de crescimento interior estão na ordem de muitos devotados. Nunca antes na humanidade terrena se percebeu tantos corações que buscam o crescimento interior e se preocupam com a sociedade, com o ambiente, a natureza, os animais e na paz de espírito. Apesar de grassar na Terra focos de incompreensão por grupos de encarnados, fato é que a realidade tem apresentado uma condição diferente. Digamos que há um tom de luz um pouco mais matizado e translúcido a refletir para os planos espirituais.
Louvados sejam os que se esforçam no sentido do bem; que procuram a cada momento ou sempre que percebem a oportunidade, de praticarem o bem, dando atenção e orientando a quem necessita.
Doutro dia, quando excursionávamos em direção a uma casa espírita, fomos tocados por uma luz que irradiava de um veículo em trânsito numas das avenidas da capital de Porto Alegre. De imediato vimos o irmão encarnado acompanhado de seus mentores familiares; o encarnado não tinha nitidez do que ocorria, mas em seus pensamentos ele conversava com grande alegria com os entes espirituais, de forma que de seu coração irradiava fabulosa luz.
Ele seguia anônimo entre a multidão de carros, até se aproximas de um punhado de entulhos próximo a um viaduto. Ali estava um encarnado completamente desamparado pela sorte da vida material. Suas mãos estavam enrijecidas pela dureza da vida. O rosto todo enrugado como resultado ora do frio, ora do calor. O carro se aproximou; parou e buzinou. O irmão encarnado, sem saber o que acontecia, olhou para o motorista. Do olhar de dúvida do morador de rua, ao olhar de amparo do motorista, Deus fez brilhar o momento. O morador logo atendeu ao chamado do motorista, que estendeu a mão e entregou algo ao morador de rua. Depois seguiu sem mais parar.
O morador, que havia apanhado com as duas mãos o que o motorista lhe dera, viu algo que lhe encheu de emoção. Levando as mãos fechadas ao peito, não conteve a emoção e acorreu para debaixo de uma estrutura de papelão; e ali, escondido de todos os outros motoristas e transeuntes, chorou compulsivamente. Chorou tanto que o esgotamento lhe fez ficar como em posição fetal, aninhado em seus cobertores no chão. E, ali, naquela situação, o morador fez uma bela oração ao Pai. E como se fosse uma chama acessa em plena luz do Sul, a oração transformou a atmosfera daquela região e o local de trabalho onde logo chegou o motorista.
O que o motorista deu ao irmão morador de rua? Foi solicitado anonimato pelo próprio motorista em seus mais íntimos pensamentos. E louvamos isso.
Mas pense: o que você daria para alguém, que seja significativo para ela e que possa despertar os sentimentos mais nobres. Faça uma oração, e nosso Pai Celestial lhe enviará irmãos de amor para intuir sobre o que fazer. Faça o bem, pois que ama ao próximo, ama a Deus.
Fiquem em Paz.
Irmão Aníbal

Psicografado em 06 de agosto de 2015. 

terça-feira, 29 de março de 2011

A Cidade Espiritual Santa Maria – Parte I

Na madrugada de 21 de março de 2011, o mentor Bartolomeu levou-me para conhecer a Cidade Espiritual Santa Maria. No caminho perguntei se a referida cidade tinha alguma relação com a que se encontra no centro do Estado do Rio Grande do Sul. Bartolomeu explicou que a relação se dava pelo fato de cidadãos santa-marienses serem os fundadores da Cidade Espiritual.
-Foi no século XIX quando Irmãos santa-marienses fundaram a Cidade Espiritual Santa Maria. Na época, esses Irmãos optaram por construir a Cidade nas imediações da região metropolitana de Porto Alegre. A Cidade Espiritual ficou localizada quase sobre a cidade terrena de Guaíba. A situação dessa Cidade Espiritual, em relação à distância das regiões umbralinas, lhe dá certo conforto quanto à possibilidade de acesso de Irmãos oriundos do Umbral. Veremos que para chegar à cidade, a geografia Espiritual é extremamente íngreme e os Espíritos devem ter desenvolvido a condição de volitar para vencer esses obstáculos naturais.
De fato. Bartolomeu falava da região onde nos encontrávamos. A impressão que tinha era de estarmos indo em direção Oeste. Ao nosso redor, ainda que fosse com baixa luminosidade, num ambiente de penumbra, a Lua Cheia permitia que eu visualizasse nossa caminhada por uma espécie de canyon. Como se o local fora esculpido, em passado remoto, por um rio. Olhando para cima, via extensos paredões de rochas, com altura entorno de um quilômetro ou mais. A impressão era de estarmos num abismo, onde a vegetação aumentava a sensação de desolação. No alto, no céu, a Lua cheia iluminava o abismo. O chão era formado por pedras arredondadas, como se estivéssemos caminhando pelo leito de um local onde um dia correu um rio.
Bartolomeu percebeu minha curiosidade e explicou sobre o leito do rio.
-Não se impressione. Aqui é o leito de um rio. No momento ele está seco devido à época do ano. Mas a partir do inverno na Terra, aqui correrá muita água. As chuvas trarão para esse ambiente uma higienização necessária aos fluidos que sobem do Umbral. Assim como ocorre na Terra, aqui também há chuvas inesperadas. Essas chuvas provocam cheias e arrastam fluidos e entidades de volta para o Umbral.
Depois de caminharmos por alguns minutos, vi o aumento da luminosidade bem no alto do paredão. A luminosidade se assemelhava aquela que vemos à noite, a se irradiar dos estádios de futebol. De imediato, apontando para o alto, perguntei para Bartolomeu:
-Por acaso, aquela luminosidade lá em cima é originária da Cidade Espiritual Santa Maria?
-Sim! Lá está a Cidade Espiritual Santa Maria. Veja que não tem condições para subir. Essa geografia da região serve como defesa natural da Cidade. Escalar essas paredes é impossível. A altitude daqui até a Cidade fica em pouco mais de dois quilômetros.
Bartolomeu olhou para cima e disse para lhe acompanhar.
-Charles. Vamos subir. Acompanhe-me.
Começamos a volitar com certa velocidade. Pude observar alguns detalhes do paredão de rochas. A impressão era de estar dentro do canyon do Itaimbézinho.
Chegando ao topo do desfiladeiro, pude ver um grande descampado. A luminosidade da Lua se confundia com a da Cidade Espiritual Santa Maria. Logo adiante, uns duzentos metros, as casas delimitavam o início da Cidade, sem muros.
As casas eram semelhantes as que vemos nos condomínios residenciais. Todas elas tinham seus jardins e árvores.
Bartolomeu falou sobre a Cidade:
-Veja Charles. Aqui não há muros. Como disse, a Cidade está numa região que se beneficia da geografia Espiritual. Muitos dos fundadores buscaram esse local com o objetivo de propiciar o recebimento de Irmãos que desencarnam em estágio infantil ou adolescente. A chegada dessas crianças, sempre acompanhada dos Irmãos responsáveis pelos resgates, possibilita uma adaptação peculiar, pois elas logo observam a Cidade com suas casas, avenidas e moradores. A ausência dos muros estabelece uma maior receptividade das crianças que aqui chegam sem a companhia daqueles que foram seus pais na Terra. Mas vamos conhecer as suas importâncias relativas ao trabalho caritativo.
Depois de caminharmos a distância que separa o abismo do início da cidade, todo ele de um gramado baixo, entramos por uma enorme avenida.
Apesar de ser noite, a luz da Lua se assemelhava a um Sol no início de um amanhecer. Nas casas, diversas varandas tinham suas luzes acessas. A iluminação pública, formada por postes semelhantes a lâmpadas fluorescentes, produzia uma luminosidade muito aprazível. Também havia grande movimentação de pessoas. Muitas estavam em grupos, nas suas varandas, conversando.
Era impressionante o quanto elas nos observavam durante nossa passagem. Entre sorrisos e olhares seguidores, perguntei ao mentor Bartolomeu sobre a nossa condição e o fato de todos nos observarem.
-Bartolomeu. Vejo diversas entidades sentadas em suas varandas, formando pequenos grupos e conversando. Mas a impressão que tenho é de que estão falando de nós. Afinal, estamos entrando onde não devíamos?
-Veja como são as coisas. Para esses Irmãos você é como um assombro. O fato de estar encarnado e de estar visitando a Cidade deixa todos eles curiosos sobre sua condição. Não fosse o conhecimento de desapego ao plano terreno, muitos estariam te rodeando para saber notícias da Terra. Mas não se impressione. Aproveite a oportunidade concedida pelo nosso Pai Celestial e preste atenção ao ambiente que te cerca. Procure fixar sua atenção em toda a paisagem afim de que possas descrever sobre esse local. Logo estaremos no nosso destino.
A nossa caminhada pela avenida chamava a atenção de todos. Pude ver logo na nossa frente que a avenida nos encaminhava para uma praça. No centro da praça se erguia um enorme chafariz, com um esguicho d'água de uns dez metros. A água, que descia do esguicho sobre si mesmo, numa tonalidade branca, parecia estar sendo iluminada internamente.
Árvores altas e floridas, que se estendiam pelas laterais da avenida, formavam um circulo no entorno do chafariz. Um gramado formava extenso corredor verde onde estavam essas árvores frondosas.
Já na praça pude ver o calçamento feito de mosaicos de pedras. O chafariz era muito grande, algo em torno de uns cem metros de diâmetro. Também no seu entorno tinha um gramado baixo, formando um tapete verde de uns dois metros de largura. Dali desse gramado que circundava o chafariz, até as frondosas árvores, que também o circundavam, a distância era de uns cem metros. Tanto em baixo das árvores como junto ao chafariz, existiam bancos onde alguns estavam ocupados por entidades.
Bartolomeu fez algumas observações sobre o local.
-Aqui temos momentos de muito conforto Espiritual. Essa água, o espaço aberto, o céu iluminado, o aconchego dos bancos e o ar puro elevam nossos pensamentos. Quando visitamos as praças, seja na Espiritualidade ou na Terra, temos que absorver em nosso íntimo o que de melhor elas nos podem dar. Agora vamos andando, visto o tempo ser curto.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Escola da Espiritualidade: palestra sobre Religião, Filosofia e Ciência

Na madrugada de terça-feira, 15 de fevereiro de 2011, fui levado para um encontro de introdução aos estudos do Espiritismo. O encontro estava ocorrendo em uma das salas da Escola da Espiritualidade, na cidade de Porto Alegre. Na sala estavam cinco espíritos em estado de desdobramento e outros dois espíritos. Perguntei ao mentor Bartolomeu o motivo de ter me levado para um estudo introdutório da Doutrina Espírita.
-Charles, sempre tem algo novo para aprendermos. Mesmo aqueles que já leram todas as obras de Allan Kardec, que já possuem profundo conhecimento do pentateuco do codificador, o estudo não pode parar. Revisar as bases da Doutrina contribui para abrir novos horizontes e ampliar o entendimento. Aqui estão cinco irmãos encarnados que iniciaram os estudos introdutórios da Doutrina Espírita. Hoje o Irmão Arnaldo complementará os estudos que esses irmãos encarnados tiveram na Casa Espírita terrena. Está em pauta o tríplice aspecto do Espiritismo: Religião, Filosofia e Ciência. O Irmão Arnaldo é conhecido pelos belos exemplos comparativos que utiliza como metodologia para fixação do conhecimento.
Entramos na sala enquanto a palestra transcorria e nos sentamos ao fundo, sem perturbar o andamento da explanação do Irmão Arnaldo. Apenas a outra entidade que estava ao lado de Arnaldo nos assentiu com a cabeça. Explanava o painelista:

-O Espiritismo estabeleceu o processo evolutivo do Espírito na encarnação terrena ao congregar doutrinariamente a Religião, a Filosofia e a Ciência. Durante centenas de anos a Religião na Terra era condicionada apenas no acreditar sem raciocinar sobre Deus. Para se ter uma compreensão de tal realidade, basta recordar que a Filosofia surge na Grécia Antiga separada da Religião, quando os pensadores da época remota estabeleceram a Razão como guia explicativo da natureza e questionaram os atributos e as explicações dadas pela Religião. A Filosofia, ao estabelecer a proposta da dialética, ou seja, das contraposições de ideias, fez nascer, centenas de anos depois, a Ciência, que por sua vez distanciou-se da Religião ao propor a comprovação da experiência. Allan Kardec, em meados do século XIX, ao receber diversos cadernos contendo perguntas com respostas de origem espiritual, se dispôs ao trabalho de codificar as informações, não sem antes pesquisar sobre a veracidade das mesmas. Estava nascendo a unificação da Religião, Filosofia e Ciência. Kardec não se entregou cegamente ao trabalho de dar ordem às perguntas e respostas. Sua determinação foi de buscar os princípios norteadores que estavam presentes naqueles fenômenos envolvendo a comunicação com os Espíritos. Portanto, o mestre da codificação foi além da pura reflexão religiosa, ele somou ao seu trabalho o pensamento filosófico, argumentando, por meio da razão, os atributos presentes nas comunicações que, ao testá-la por diferentes maneiras, somou na sua metodologia de argumentação, reflexão e análise, os princípios científicos visando à comprovação dos fatos. Sendo assim, Kardec soube conduzir o maior avanço de todos os tempos da humanidade. Ele integrou Religião, Filosofia e Ciência, proporcionando ao Espírito encarnado seguir esse mesmo caminho para a evolução. Pode-se dizer que o Espiritismo encarnou o tríplice aspecto ao ponderar que: Pelo aspecto religioso, não basta apenas conhecer a palavra de Deus, devemos praticá-la. Pelo aspecto filosófico, não basta conhecer e praticar a palavra de Deus, tem que raciocinar em busca da evolução. E pelo aspecto científico, para evoluirmos até Deus, temos que conhecer, praticar, raciocinar, ver e sentir, por todas as nossas potências, a obra de Deus. Dou para vocês um exemplo desse processo envolvendo o tríplice aspecto. Vocês todos assistiram o filme Matrix.

Quando o Irmão Arnaldo falou sobre o filme, uma grande tela se fez visível, onde apareceram cenas do filme Matrix. Ele foi explanando e as cenas iam surgindo conforme seus apontamentos.

-Nesse filme, o personagem Neo aparece em meio da Informática. Digamos que tudo correspondente ao universo da Informática, nesse filme, esteja representando uma Religião. Mais. Digamos que a Informática no caso do filme em tela seja a Religião. Nesse caso Neo surge como um exímio conhecedor dessa Religião, mas ele não ia além disso. Neo desconhecia qualquer outro tipo de pensamento sobre essa Religião. Para mudar sua maneira de seguir cegamente aquela Religião, surgiu um chamado na tela de seu computador, dizendo para ele seguir o coelho branco. Neo estava sendo chamado para a racionalidade, para a Filosofia. Vejam nesse quadro que ele ao atender a porta, se desloca e pega um livro. Vejam o título: “Simulacros e Simulação”. Trata-se de um livro escrito por um filósofo. Esse livro questiona a sociedade ao afirmar sobre um mundo real desvinculado de origem e de realidade. Vejam que ele tira do interior desse livro o disket que é entregue aos que bateram à sua porta. Esse é o referencial para que Neo passe a filosofar sobre a Religião. (O Irmão Arnaldo para a cena e aponta para a tatuagem de um coelho branco em outra personagem do filme) Se antes ele conhecia e praticava a Religião da Informática, agora ele desejará raciocinar sobre ela. Nesse momento ele acompanha o grupo que lhe bateu a porta, no intuito de entender o que foi aquele chamado que utilizou o símbolo do coelho branco. Neo demonstra o desejo de conhecer sobre sua Religião, a Informática. A sucessão da trama cinematográfica leva Neo diante de Morfeu, que para a mitologia grega era o deus do sonho. Vejam agora, Morfeu oferece, nessa simbologia das pílulas azul e vermelha, a chance de Neo despertar para a realidade, num caminho sem volta. Agora vejam, Neo aceita conhecer a realidade. As cenas agora sugerem o nascimento de Neo. O movimento no meio aquoso, a busca pelo oxigênio e a libertação das amarras que lhe sustentavam, até sua expulsão, Neo passa a sentir e ver outra realidade. Ao longo da trama, Neo assumiu então a condição de raciocinar sobre a realidade. O personagem continua preso à Informática, porém, agora, além do aspecto religioso, ele assume o aspecto filosófico. No filme, Morfeu sempre falou e acreditou que Neo seria o escolhido para ir além; evoluir. Já nesse quadro Neo é alvejado e morre. Mas sua consciência se restabelece e ele renasce. Reparem que Neo passa a ver tudo ao seu redor de outra forma. Ele enxerga todos os códigos da Informática como condição primeira que dá cor, volume e forma a toda a obra Matrix. Nesse momento ele assume a condição de Ciência, pois suas ações passam a agir na própria obra, visto que agora ele atingiu um estágio de conhecimento mais avançado. Ou seja, Neo passou a conhecer, praticar, raciocinar, ver e sentir por todas as suas potências a obra Matrix. Sua busca, a partir de então, será em conhecer o Programador; uma analogia a Deus. Meus Irmãos, feito esse exemplo comparativo, lhes desejo uma jornada evolutiva sob o amparo do Pai Celestial e dos Irmãos Maiores. Procurem conhecer com profundidade a Doutrina Espírita e pratiquem seu tríplice aspecto a todo o momento. Desenvolvam vossas mediunidades e se dediquem em contribuir para a obra de nosso Pai. Vão em Paz.

Ao terminar de falar, as duas entidades desapareceram da sala. As outras foram conduzidas por seus mentores e mentoras.
Enquanto eu e Bartolomeu saíamos da sala, perguntei-lhe sobre o exemplo comparativo estabelecido pelo Irmão Arnaldo:
-Quer dizer então que os médiuns enxergam diferente dos outros?
-Nosso Irmão Arnaldo colocou sobre o tríplice aspecto que envolve a evolução do Espírito. Sua argumentação embala a necessidade de conhecer, agir, raciocinar e interagir com a obra de nosso Pai Celestial. A mediunidade, nesse aspecto, é apenas uma das partes da argumentação exposta pelo Irmão Arnaldo e necessariamente não se caracteriza em efeito condicionante. Para evoluir, o Espírito, em sua individualidade e integralidade, deve desenvolver os três aspectos: o Religioso, o Filosófico e o Científico. Pense como exemplo o nosso Irmão Chico Xavier. Ele desenvolveu a Religião, levando a palavra de Cristo aos necessitados. Desenvolveu a Filosofia, ao avançar os conhecimentos do Espiritismo. E desenvolveu a Ciência, na qual, com sua mediunidade e por incontestáveis metodologias, provou e comprovou a vida eterna, a comunicação entre encarnados e desencarnados e, principalmente, o amor incondicional de nosso Pai Celestial.
-Gostei dessa aula. Se possível, gostaria de participar de outras oportunidades onde o Irmão Arnaldo seja o palestrante.
-Em breve vamos ter nova oportunidade. Agora deves retornar.
Eram 5h55min. Quando retornei.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Visitando o Umbral

Na madrugada de quatro de fevereiro de 2011, fui levado pelo mentor Bartolomeu para as regiões do Umbral, localizada em Porto Alegre.
A chegada nessa região não é nada agradável. O ambiente é de uma escuridão degradante. Porém, apesar da ausência de luz, é possível observar, dentro de certa distância, a geografia do local e os vultos que por ali transitam.
Bartolomeu comentou sobre o local, dizendo que devemos olhar aquele espaço como o início para muitos espíritos entenderem sobre a Espiritualidade.
-Hoje nossas observações se destinam ao entendimento do processo de desencarne que envolve o pouco conhecimento sobre Deus. Em particular o caso dos irmãos que deixam a Terra sem terem praticado algum entendimento sobre a vida após o desencarne e que pouco ou nada se prepararam sobre o mundo que encontrariam após o desenlace do corpo. Vamos observar espíritos que fizeram pouco caso sobre os conhecimentos da vida eterna e estiveram mais preocupados com os bens materiais.
Nós estávamos caminhando por uma área onde eu via perfeitamente o chão de terra. Ela era fofa, pois o chão estava coberto por uma alta camada de pó, o que dava uma sensação estranha ao caminhar, pois os pés afundavam um pouco e parecia levantar poeira a cada passo.
Já em outras partes a situação era diferente, pois o chão se apresentava molhado e aquele pó dava uma sensação pegajosa de barro.
O cheiro em algumas áreas daquele ambiente não era nada agradável. O que se sentia constantemente era o cheiro de carne em estado de putrefação, característico dos espíritos que estavam próximos de nós. Eram quatro espíritos escorados em uma parede de rocha. Ambos estavam em silêncio. Três estavam de pé e um estava sentado no chão. As roupas estavam rasgadas. A fisionomia de todos eles era de sofrimento. Com olhares perdidos e completamente sujos, os quatro espíritos pareciam adormecidos. Um deles se virou de costas para nós, apoiando sua testa sobre a parede de rocha. Parecia querer atravessar ou entrar na rocha. Passamos bem em frente deles, sem sermos notados.
Vez por outra escutávamos gritos que não diziam nada, mas rasgavam o silêncio da escuridão. Esses gritos pareciam vir de todos os lados, pois não tinha como identificar a direção de sua origem.
Também se escutavam lamúrias a todo o instante. Essas eram balbuciadas por diversos espíritos.
A impressão que tive era de estarmos em um labirinto, onde subidas e descidas eram margeadas por paredes, não muito altas, de rocha.
Vi diversos espíritos deitados no chão, como se não tivessem forças para se levantar. Outros caminhavam cambaleantes. E outros ainda, caminhavam normalmente, demonstrando irritabilidade com os espíritos deitados e cambaleantes que estavam em seu caminho, empurrando-os ou chutando-os, e xingando-os com palavras ofensivas.
Ao chegarmos numa baixada, encontramos um senhor que contrastava com os demais espíritos do local. Ele trajava um terno que ainda estava limpo. Seus cabelos brancos ainda estavam penteados. E a pele de seu rosto e mãos estava perfeitamente limpa.
Fiz Bartolomeu parar e lhe perguntei sobre aquele espírito.
-Charles, esse irmão chegou recentemente aqui na região. Seu desencarne ocorreu em julho de 2010 e foi aos 92 anos. Ele ainda preserva muita vitalidade oriunda da matéria. Apesar de ele ter seu corpo cremado, o seu perispírito continua carregado de fluido denso da matéria corporal. Esse irmão não praticava a religião. Para ele, a morte significava o fim de tudo. Quando lhe perguntavam sobre o assunto, dizia que quando chegasse do outro lado, caso continuasse vivo, veria o que fazer. Agora ele está aqui. Ele sente uma confusão em seus pensamentos. Não sabe ainda distinguir o sonho da realidade. Esse irmão, assim como todos os outros daqui, está sendo observado pela Espiritualidade Maior. Os familiares desse irmão, que já desencarnaram há muito tempo antes, estão pedindo o apoio das equipes socorristas para resgatá-lo. Porém, por enquanto, não dá para fazer nada. Ele continua cego e reticente para a Espiritualidade. Nessas situações, cabe às equipes socorristas observar de longe os passos do irmão, até o momento em que ele desperte sua consciência para a imortalidade do espírito. Esse nosso irmão mantém suas ideias fixas nos princípios terrenos e ainda não se lembrou dos familiares que desencarnaram antes dele; sua mãe e seus irmãos, que oram por ele todos os dias.
-Os familiares já vieram visitar esse irmão aqui no Umbral?
-A permissão para visitar os entes queridos aqui no Umbral está condicionada aos conhecimentos que os irmãos adquiriram. Nesse caso, ainda nenhum familiar foi autorizado. Em breve a Irmã que na Terra foi a mãe dele poderá vir juntamente com uma equipe socorrista para orar junto dele. Mas enquanto ele não adormecer, essa visita não será permitida. A Irmã será poupada dos momentos de vigília desse que foi seu filho da Terra.
De repente o espírito que observávamos parou de caminhar e começou a chamar pelo nome de pessoas. Bartolomeu esclareceu que aqueles nomes se reportavam aos familiares que ainda estão encarnados.
Notei que um vento gelado começou a soprar, fazendo-me sentir muito frio. A temperatura parecia ter despencado de um ar quente e seco para um ar úmido e de um frio de zero grau.
Disse para Bartolomeu que estava sentindo muito frio. Ele colocou sua mão sobre minha cabeça, me restabelecendo a sensação de conforto, e disse para eu procurar não me envolver com o ambiente. Explicou que a sensação de frio decorreu do fato daquele espírito, o qual estava muito próximo, ter se imantado a Terra quando chamou pelos irmãos encarnados. Naquele momento ele passou a emitir um forte sentimento de sofrimento por se sentir perdido e desorientado. E por eu ter um corpo físico, senti com intensidade o sentimento do espírito. Bartolomeu disse que se eu estivesse num Centro Espírita, estaria dando passagem para uma incorporação, visto estar ocorrendo uma comunicação fluídica entre os perispíritos.
Para me restabelecer, Bartolomeu pediu para eu retornar ao corpo. O que fiz imediatamente.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Orientação e Resgate

Ainda na madrugada de domingo, dia seis de fevereiro de 2011, o mentor Bartolomeu levou-me para um condomínio residencial em Porto Alegre, localizado na região leste.
Entramos em um pequeno apartamento. Na sala estavam dois rapazes e uma garota conversando e rindo.
Bartolomeu explicou qual a nossa atividade naquele local:
-Charles! Hoje vamos trabalhar no resgate de um irmão desencarnado. Você não enxerga, mas aqui estamos na companhia de irmãos de luz que já estão trabalhando para o resgate e orientação deste irmão que desencarnou há algum tempo. Da mesma forma, os três irmãos não estão nos enxergando, mas você se tornará visível para eles e te pedimos que converse com eles. Vou te orientar no que deves conversar com nosso irmão.
-Certo! Espero auxiliar sem atrapalhar o resgate.
-Fique tranquilo. Apenas procure demonstrar afinidade com eles. Dois deles ainda estão encarnados e seus familiares pedem auxilio do Alto para que larguem o vício. O outro que desencarnou, vem recebendo orações de sua mãe encarnada. Cabe a nós socorrê-lo. Vamos lá.
Nesse momento os três integrantes da sala me viram. O irmão desencarnado puxou imediatamente conversa comigo.
-Opa! Chegou mais um pra nossa festa. O amigo trouxe alguma contribuição ou só veio pra fica fissurado.
Entre risadas e comportamento de aconchego, a moça, que estava sentada no sofá, censurou a maneira de recepcionar-me.
-Júlio! Aqui não é tua casa. Na minha casa mando eu. Deixa o rapaz. Ele pode ficar.
E olhando para mim, continuou.
-Olha só, não dá bola pra ele. Pode sentar aqui e conversar com nós. O Júlio não tem modos, mas é uma boa pessoa. Viu, senta aqui.
O outro espírito encarnado se levantou do sofá e ficou de pé, junto de um abajur no canto da sala. Parecia receoso, demonstrando desconfiança. Ficou ali em silêncio, escutando nossa conversa.
Já o Júlio, o espírito desencarnado e que estava sendo preparado para o resgate, se levantou do sofá e disse que iria até o banheiro. Nesse instante, sob orientação do Bartolomeu, puxei conversa com ele.
-Júlio, não precisa se preocupar comigo. Estou aqui apenas de visita. Eu moro aqui perto.
Bastou dizer isso e o Júlio já interrompeu sua ida ao banheiro e voltou a questionar.
-Mas então tu conhece o pessoal chegado no pó e na pedra?!
-É... Talvez alguns. Mas não todos. Tu também é morador daqui do bairro?
A moça deu uma risada e complementou:
-Pelo jeito a conversa vai longe. O Júlio gosta de falar sobre isso. Já não é a primeira vez.
Apesar do comentário da moça, Júlio passou a falar sobre seu bairro.
-Eu morava no bairro Agronomia. Nunca fiz mal pra ninguém. Mas sempre gostei de dar uma cherada. Ficar fissurado. Depois pequei a pedra. Essa foi melhor ainda. Essa detona mesmo. O cara fica fissuradão. Lembro que foi numa dessas épocas que as coisas mudaram. Fiquei sem sono e sempre ligado. Outro dia teve um cara que me perguntou se eu lembrava de como tinha morrido. Mas nossa! Cara! Eu nem sei como vim pará aqui. A Lú e o Kevi continuam meus amigos. A gente se encontra seguido aqui no apartamento da Lú. Como eu não consigo mais comprar as pedrinhas, eles compram e a gente fuma junto.
Sob orientação do Bartolomeu, dei continuidade ao diálogo.
-Quer dizer então que tu sabes que está morto, mas continua visitando teus amigos?
-É! Isso parece uma viajem meia doida. Num dia eu cheguei na boca pra compra pedra e os caras de lá não me deram bola. Sabe como é. Eles nem falaram comigo. Eu gritei, mas eles nada pra mim. Daí eu procurei o Kevi. Falei com ele que tava querendo fica fissurado e que não tinha dinheiro e os mano da boca não queriam mais vender pra mim. No início o Kevi parecia estar viajando. Não me dava atenção. Mas depois de um tempo o cara se ligo na minha e foi comprar umas pedrinhas. Depois eu vim falar com a Lú. Ela também não falava comigo. Parecia doida. Eu falava com ela e ela ficava dizendo “sai pensamento ruim”. Daí eu me dei conta que tava morto. Me liguei, então, de conversar com a Lú e o Kevi durante a noite. E aí a gente troca uma ideia.
-Então tu moravas no bairro Agronomia?!
-É! Fica aqui pertinho.
-E tu não lembras como morreu?
-Não! Só lembro que antes eu trabalhava numa obra e fiquei desempregado.
-Quando você ficou desempregado?
-Foi em 2007.
-Então quer dizer que em 2007 você foi despedido e que talvez tenha morrido, é isso?
-Olha só. Não sei bem direito. Sei que fui despedido em 2007 porque onde eu trabalhava acabou o serviço. Depois disso eu fiquei um tempo procurando serviço. Mas daí passei a fumar mais pedras. Num certo dia eu não consegui mais compra pedra. Fiquei um tempão. Só depois fui falar com o Kevi.
-Júlio, você sabe em que anos nós estamos.
-Em 2008?
-Não! Ali na parede tem um calendário. Olha de que ano é o calendário.
Júlio olhou para o calendário, viu o ano de 2011 e deu de ombros.
-E daí que é 2011. Não faz diferença.
Nesse momento do diálogo o Kevi já havia se retirado. Enquanto isso, a moça continuava sentada no sofá, escutando a conversa entre eu e Júlio Fui orientado a conversar sobre a questão dos anos que se passaram sem que ele tivesse percebido. Comentei que havia outras cidades para ele conhecer.
-Júlio... Existem outras cidades que você deve conhecer. Não precisa ficar aqui. Isso para você é um sofrimento e vem fazendo a Lú e o Kevi sofrerem por você. Olha como a Lú está. Ela nem tem mais amigos por sua causa. Só o Kevi vem aqui. A Lú está procurando tratamento médico para sua dependência química. Logo ela estará recuperada. Já você poderá ficar sozinho. Mas antes disso. Repare que você não fica mais fissurado. A única coisa que você sente é o cheiro da fumaça. Depois, o que vem na sua mente, é apenas um esforço de lembrar as sensações do que sentia quando ainda estava encarnado. Vamos deixar a Lú seguir o caminho dela.
Nisso a moça passou a se mexer no sofá, como que se sentindo desconfortável, e começou a chorar. De uma das portas entrou na sala uma mulher que se aproximou da moça, falando com ela:
-Filha! Você continua se encontrando com o Júlio Vem comigo, vou te ajudar. Vamos conversar no seu quarto.
As duas saíram e ficou apenas o Júlio. Eu continuei a conversa:
-Veja Júlio Você está ficando sozinho. O conselho que te dou é de que aproveite hoje para ir conhecer outra cidade. Lá você receberá o tratamento adequado e terá muitos amigos.
-Mas quem me garante isso? Quem garante que existe outras cidades e que vou ter amigos?
-Júlio, eu te afirmo que existem amigos que querem te ajudar e que tu podes conhecer uma cidade muito linda em poucos instantes.
Se sentindo fragilizado, Júlio senta no chão, junto da parede, e com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos na cabeça, comentou que estava confuso.
-Estou confuso. Sinto que estou sozinho aqui, mas tenho medo de sair.
-Não precisa ter medo de nada. Já está chegando dois amigos para te mostrar essa cidade. Lá você terá o tratamento adequado e irá se recuperar. O que acha disso?
-É, acredito que posso conhecer essa cidade.
Duas entidades se materializaram junto de Júlio, que continuava sentado no chão. Uma delas comentou:
-Bom dia! Então esse é o nosso amigo Júlio que está se decidindo em nos acompanhar?!
Júlio levantou a cabeça, e com um olhar de tristeza conversou com a entidade.
-É, faz tempo que eu deveria ter procurado ajuda. Fiquei atormentando a cabeça de algumas pessoas que nem ligavam pra mim e nem vi o tempo passar.
A entidade, complacente, se ajoelhou na frente de Júlio e lhe respondeu.
-Isso não importa mais. Agora é a oportunidade de tu recuperares o tempo. Primeiro vamos conhecer seus novos amigos. Depois tu poderás desenvolver melhor conhecimento sobre o que passou e vir a auxiliar os teus amigos. Me de sua mão e vamos juntos.
Júlio, ainda sentado, pegou na mão da entidade. Ao se levantarem do chão, os três saíram da sala como num raio de luz.
Bartolomeu disse, então, que estavam encerradas nossas atividades naquele dia. Que a Lú e sua mãe teriam uma longa conversa ainda no domingo sobre o tratamento da filha e que eu já poderia retornar ao corpo, pois já era manhã de domingo.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ESCOLAS DA ESPIRITUALIDADE – Parte II

Bartolomeu solicitou para entrarmos.
Ao passar pela enorme porta do prédio, vi um grupo de pessoas descendo pela escada. Era um grupo formado por dez entidades. Eles se dirigiram para a rua, passando por nós. Estranhei a situação e questionei o Bartolomeu sobre o acontecido.
-Bartolomeu, isso aqui é para ser uma Escola. Mas vejo que esse grupo está saindo. Estão eles indo embora por algum motivo de preconceito.
-Como lhe disse. As Escolas da Espiritualidade têm métodos de ensino e orientação que respeitam a evolução de cada um dos irmãos e irmãs. Ocorre aqui que essa turma está indo desenvolver suas atividades de instrução nas comunidades terrenas. Em especial nos nossos irmãos e irmãs que estão imantados aos prazeres da matéria. Esse grupo de trabalhadores é formado por irmãos encarnados que trabalham como desobsessores em uma Casa Espírita de Porto Alegre. Aqui na Escola eles se reuniram, estabeleceram suas atividades, e agora estão se dirigindo ao socorro e orientação de irmãos necessitados. E assim acontece com todos os frequentadores da Escola. Ela não é um ambiente fechado. Os grupos se reúnem sob a chefia de irmãos da espiritualidade maior e depois se dedicam nas atividades externas. E isso ocorre com qualquer uma das formas de culto ou religião.
Nisso passamos a subir a escada, formada por um lance que dava para uma parede. Nesse lance a escada continuava uma para o lado esquerdo e outra para o direito, onde se localizava o primeiro andar. Os dois lances de escada levavam para esse andar e também para todos os outros.
O corredor era extenso, tendo portas dos dois lados. Acima de cada porta havia um número que a identificava. Contei oito portas em cada lado do corredor. Todas as portas eram de vidro, tendo como puxador uma estrutura de cano metálico quase no mesmo comprimento que a altura da porta. Também no final do corredor tinha uma grande janela de vidro.
Bartolomeu solicitou para subirmos até o terceiro andar. Chegando nele, não percebi diferença com relação aos andares abaixo.
-Charles, vá até a sala onde nos encontramos algumas vezes para as instruções do desdobramento consciente.
Diante da colocação, questionei sobre a condição de a referida faculdade ser um atributo pessoal.
-Bartolomeu, essa faculdade do desdobramento consciente não se trata de uma condição que eu desenvolvi ao longo de minhas encarnações, e que agora despertou?
-Charles, todas as faculdades mediúnicas são atributos do espírito e de seu esforço. Mas assim como se dá com qualquer atividade na Terra, quando é necessário estudo, entendimento, dedicação e disciplina, também com as faculdades mediúnicas é necessário estudo, entendimento e muita disciplina. Repare que apesar de você estar aqui, com consciência, suas vidas passadas não são lembradas. Você consegue lembrar sobre suas atividades em vida pregressa? Diante dessa situação, as Escolas da Espiritualidade buscam desenvolver as potencialidades dos espíritos, respeitando o esquecimento temporário a que os irmãos encarnados estão subordinados. Assim, todos podem desenvolver atividades de grande evolução, sem se perder nas angustias, sofrimentos e erros que ocasionou para si e para outros. Para todos os irmãos dedicados à espiritualidade, os estudos e orientações constituem princípio fundamental para o desempenho das atividades. Todos, com raras exceções, participam de orientações com irmãos da espiritualidade maior nas Escolas. Com você a situação da orientação e disciplina também constitui uma necessidade.
Enquanto Bartolomeu explicava, nós caminhávamos pelo corredor. Não sabia em que sala as orientações haviam ocorrido. Vendo meu rosto apreensivo em identificar a sala, Bartolomeu pediu para eu olhar pela porta de cada uma daquelas que estávamos passando na frente.
As salas eram diferentes quanto suas composições internas. Uma delas tinha almofadas no chão, formando um círculo de cinco entidades que ouviam um espírito de luz, todo trajado de branco e posicionado no meio do grupo.
Outra sala era composta de macas. Um grupo de entidades observava o instrutor posicionar as mãos sobre uma que estava deitada na maca. Nessa sala existiam quadros enormes onde estava retratada a figura do corpo humano, tracejado em brando sobre um fundo azul escuro, com várias linhas, também tracejadas em branco, da cabeça aos pés, tendo em destaque a localização dos chacras. Achei interessante a questão de cada uma daquelas linhas apresentarem números.
Outra sala tinha a mesma disposição das que encontramos em qualquer escola da Terra; com quadro branco e cadeiras.
Observei diversas salas, até que vi uma onde em seu interior havia um pequeno altar, semelhante aos da Igreja Católica. Ali estavam oito entidades reunidas. Ao ver essa sala, logo me ocorreu uma lembrança da possível sala que procurávamos. Recordei de uma sala que ficava duas portas adiante e do outro lado do corredor. Fui direto para a porta que eu agora estava lembrando. Bartolomeu percebeu meu movimento e comentou sobre a lembrança que tive.
-Vejo que o altar de Cristo lhe fez lembrar da sala onde estudou. Muito bom.
Comentei que me lembrei da porta e das imagens que havia na parede da sala.
Ao chegar à porta da sala, vi as imagens, em fundo amarelo, do corpo físico deitado e o espírito de pé, ao seu lado.
Na sala existiam quatro macas. Havia um grupo de quatro entidades ali dentro, sendo que uma estava deitada na maca.
O instrutor logo me chamou para dentro, dizendo que podíamos entrar.
-Olá meu irmão Charles! Vejo que meu aluno já está conseguindo realizar o desdobramento consciente.
Logo me lembrei das aulas e que o instrutor se chamava Lúcius.
-O Bartolomeu me trouxe hoje aqui para recordar sobre as aulas que tive. Recordei da sala quando vi o altar ali na outra.
As entidades ali presentes ficaram compenetradas em seus exercícios, sem dar muita atenção ao diálogo entre eu, Bartolomeu e o instrutor Lúcius.
Lúcius comentou sobre um dos medos que eu tinha.
-Irmão Charles, lembra que seu receio maior era superar o momento do desdobramento consciente. Você receava o momento inicial do deslocamento.
-Lembro dessa situação. Sentia um pouco de receio pelo fato de perceber a vibração do espírito e ter sempre o desdobramento iniciando pelas pernas e braços. Isso dava um pouco de medo.
-Esse receio que você sentia, ocorre com muitos. Nós estamos terminando uma atividade, hoje, aqui com esses irmãos, desenvolvendo a sensibilidade de amparo dos mentores. Nas próximas experiências esses irmãos irão sentir um maior conforto no desdobramento, pois estamos aprimorando a relação fluídica entre encarnado e seus mentores. Como esses irmãos já estão se preparando para retornarem ao corpo, eles irão um pouco mais cedo para sentirem a sua chegada ao corpo. Assim eles ficarão por um tempo refletindo sobre essa condição e sensações de chegar ao corpo.
Nesse instante Bartolomeu comentou que o meu retorno já estava para acontecer. Disse para Lúcius que eu retornaria mais vezes para a Escola, pois iria estudar em outras salas. Bartolomeu agradeceu a atenção de Lúcius, pediu desculpa para as entidades ali presentes pela intromissão na sala e lhes desejou ótimos estudos sob a Luz do Pai Celestial. E perguntou para mim:
-Charles, você consegue retornar sozinho, ou quer meu auxílio.
-Vou tentar.
Ao fechar meus olhos e pensar em meu corpo, em me virar para o lado, imediatamente acordei em minha cama. O relógio marcava cinco horas.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Comunidade no Umbral – Explicações – Parte I

Numa certa noite, em desdobramento consciente, o mentor Bartolomeu levou-me até uma rua de Porto Alegre. Essa rua era em decida. Não existia calçamento algum e nem vegetação em toda a sua extensão. A impressão que tive era a de estarmos descendo uma avenida em declive, abaixo da superfície, pois como numa miragem, imagens sobrepostas se destacavam nesse momento. Acima, uma determinada avenida de Porto Alegre mantinha sua forma plana, com a iluminação dos postes da via pública e o pavimento asfáltico. Abaixo dessa, a entrada se destacava como se fosse o túnel da Conceição – apenas como exemplo –, devido sua altura e largura, mas sem a iluminação adequada, apenas uma diminuta luminosidade, como que perdida ao longe, facilitava a visualização desse caminho de chão batido.
Logo na entrada, em penumbra a penumbra, iniciava também um muro de uns cinto metros de altura que se estendia por toda a extensão do caminho a abaixo, à nossa direita. Esse muro, que parecia coberto de barro, tinha sua estrutura inicial também confundida com as da avenida de Porto Alegre.
Bartolomeu explicou a situação:
-Charles, hoje você irá conhecer uma comunidade de irmãos ainda imantados à matéria, que está numa das fases do Umbral. Preste atenção. Essas entidades coabitam um espaço como se estivessem em uma cidade e formam algo semelhante aos condomínios fechados. Na verdade, elas já possuem um senso de orientação que lhes estimula, mesmo nessas regiões trevosas, à convivência coletiva. Apesar de acreditarem em Deus e nos espíritos superiores, elas ainda estão em estágio evolutivo diferenciado pelo fato de venerarem alguns de seus líderes, que se destacam pela arraigada vaidade presa a ilusão de sacrifício pessoal ou de animais, e de oferecerem oferendas ou receberem “agrados”, como eles preferem classificar. Observe que um fato os distingue dos demais irmãos e irmãs que vagam pelo Umbral. Nessa comunidade que tu vais visitar, os irmãos têm um apurado senso de autoproteção do grupo e de defesa da área como se defendessem uma propriedade pessoal. Entre eles e para com os seus interlocutores encarnados, existem pactos de lealdade e auxílio mutuo. Para conseguirem o que consideram necessários, são solidários entre si, inclusive na pratica de ações que propiciem mal-estar ou mesmo o desencarne daqueles que forem por eles considerados prejudiciais aos seus intentos na superfície. Os líderes, mais comumente conhecidos como Exús ou Magos Negros, conforme a posição que ocupam numa determinada hierarquia dessa organização, são extremamente inteligentes e formam suas próprias comunidades no Umbral, estruturadas em redes de comando e atividades. Entre eles são formados conselhos que se reúnem para deliberar sobre as situações que lhes afetam ou afetam seus porta-vozes encarnados ou mesmo aos encarnados que a eles se socorrem oferecendo agrados, no desejo de afastar de seus caminhos os seus desafetos ou no desejo de conquistar vitórias políticas, dinheiro ou supostos amores.
Diante das colocações, não pude deixar de expor minha preocupação.
-Mas não será perigoso nós entrarmos nessa comunidade? Esses líderes permitiriam a minha entrada, vendo minha condição de encarnado? Eu não serei como um intruso?
-Charles, a situação sua tem algumas peculiaridades que se assemelham a muitos casos de irmãos encarnados que visitam essas comunidades. Não são poucos os irmãos que em estado de sono, são levados ou mesmo atraídos para essas regiões. O fato de ser praticamente um lugar comum, onde muitos encarnados visitam quase que rotineiramente quando em estado de sono, devido suas condições de pensamentos que os imantam a desejos menos elevados, propicia uma normalidade para eles. Mas no seu caso, nós temos hoje uma irmã conhecida que trabalha nessa comunidade e lhe conduzirá como sendo um aluno dela. Essa irmã não tem relação vibracional com o Umbral e nem com a comunidade. Ela desempenha uma atividade de elevado significado. Por estar na condição de encarnada, ela consegue desempenhar melhor a atividade de professora orientadora para diversos irmãos necessitados. Esse trabalho de orientação é melhor executado durante a noite, pois nesse período os líderes e seus seguidores mais próximos se deslocam para a superfície onde se encontram com seus servidores encarnados para praticarem diversos rituais de sacrifício e outra atividades maléficas. Sempre ao entardecer, irmãos mais esclarecidos com relação aos moradores dessas comunidades, que trabalham para espíritos de luz e controlam essas regiões, fazem soar um sinal indicando que essas entidades podem ir desempenhar seus trabalhos. Nesse momento o portão dessas comunidades é aberto por outro irmão também mais esclarecido, permitindo a passagem dessas entidades, que sobem em diversos grupos para a superfície. Dessa forma, ficam nas comunidades irmãos mais receptivos para os ensinamentos evolutivos. Já quando está amanhecendo, o mesmo sinal é tocado e essas entidades sabem que devem retornar, sob pena de perderem suas regalias e liderança. Como são extremamente vaidosas, elas retornam para exibirem os ganhos que obtiveram ao perpetrarem o mal contra irmãos que perturbavam seus afins e mostrar os agrados que seus seguidores e auxiliares mais próximos obtiveram com os sacrifícios em rituais de sangue. Muitos chegam como embriagados, com suas vestes ensopada pelo álcool, fumo e fluido animal.
Nesse momento vi uma pessoa subindo. Era a irmã Rita, uma antiga conhecida. Trazia alguns livros nos braços. Ela se aproximou, como sempre, com o sorriso aberto.
-Olá irmãos! Estava aguardando vocês lá na entrada. Diante da demora, resolvi subir para ver se estavam chegando.
Bartolomeu cumprimentou a irmã Rita e explicou que a demora decorreu do ensinamento que estava me oportunizando sobre o local.
Eu não pude ficar mais surpreso com a situação.
-Olá Rita! Não sabia que você dava aula nesse local. Sempre pensei que era em lugares mais iluminados.
-Charles, que Deus nos acompanhe hoje. O trabalho que desempenho na área do ensino é desenvolvido também em locais diferentes e superiores ao Umbral. Mas aqui existem crianças que necessitam de tanto ou mais afeto que nos planos superiores. Essa atividade respeita um revezamento entre diversas outras irmãs encarnadas, que descem aqui para instruir e orientar espíritos que desencarnaram em condições trágicas quando estavam encarnadas no estágio de crianças ou adolescentes. São entidades que trazem muito ódio e desejo de vingança, afeitas a ilusão de ações heroicas. Além dos irmãos do Brasil, não raro, vem crianças e adolescentes da África, Oriente Médio e Ásia, que foram instruídas como soldados nas guerras locais, e que ao desencarnarem em conflitos de sangue com pouca idade, como nove, doze e até dezessete anos, receberam a dádiva de reencarnarem no Brasil em lares abertos pela orientação cristã. Mas vamos andando, assim ganhamos tempo.
Bartolomeu agradeceu as explicações da irmã Rita e considerou sobre a atenção que o Alto dá para essas regiões.
-Apesar de não parecer, o Alto exerce muito trabalho de resgate no Umbral. Nenhum irmão está desassistido ou desamparado. Existe uma atividade intensa e invisível em busca permanente do resgate e da evolução desses irmãos. Mas por hora, quero que você Charles fique tranquilo, pois como vamos penetrar em região mais densa, eu me tornarei invisível aos olhos de vocês. Porém, você poderá me ouvir.
Dito isso, notei que o Bartolomeu de fato ficou invisível.