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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Visitando o Hospital de Cáritas, na Espiritualidade – Parte II


Tão logo a Irmã Glória seguiu para acompanhar os pacientes, o Mentor Bartolomeu indicou que também entraríamos no Hospital.
Ao passarmos pelo pórtico de entrada, senti uma vibração diferente. Meus sentimentos de amor, de carinho, de fraternidade, ficaram mais salientes. De repente sentia uma leveza no íntimo que tocou-me um forte sentimento de gratidão. Bartolomeu, vendo o que ocorria, explicou:
-Irmão! Estamos entrando na área hospitalar no exato momento que a Espiritualidade Superior oportuniza as vibrações de prece, de saudade fraterna, de carinho, saúde e tantas outras que possam tocar o coração daqueles que deixaram a veste terrena. Essas vibrações são originárias daquelas pessoas, familiares e amigos, que continuam encarnados, mas que vibram pelos seus queridos que desencarnaram. Repare com mais atenção: existe uma musica no ar! Os louváveis sentimentos dos terrenos chegam aqui transmutados em sonoridade angelical, contribuindo para a recuperação daqueles que aqui chegam para tratamento.
De fato, passei a ouvir uma suave cantoria. Em tom quase imperceptível, tinha a nítida certeza de que era um coral de crianças a cantar. Entre as rimas que ora aconteciam, nomes de pessoas eram entoados entre frases que destacavam: “a vida continua”, “te amo para sempre”, “esteja com Deus”, “Deus ilumina”.
Enquanto ouvia a musicalidade, nosso deslocamento do pórtico de entrada, até o primeiro prédio, deu-se numa distância de aproximadamente duzentos metros.
No início, logo na entrada do pórtico, existe uma parte de uns dez metros que é do mesmo calçamento da parte externa. Em seguida, estendem-se gramados e jardins em uma ampla área arborizada, com diversas banquetas e bancos de jardim espalhados e onde em algumas haviam entidades sentadas.
O gramado era recortado apenas pelos cinco caminhos feitos em pedras em formato de losango, como o ponteiro de uma bússola; cada um daqueles corredores conduzia para um grande prédio. As pedras estavam unidas em suas extremidades, como que encaixadas a uns cinco centímetros em suas extremidades laterais; esses encaixes se alternavam de lado ao longo do caminho, mantendo a disposição do caminho em linha reta.
Chegamos na frente de um dos prédios. Era todo envidraçado. Acredito que tinha uns oito andares. Toda a parte de entrada era de um vidro em tonalidade levemente esverdeada. Colunas redondas e marmorizadas estavam dispostas ao longo da fachada.
Estando na frente, onde paramos por breve instante, fiquei a observar o movimento intenso no ambiente interno do prédio.
Ao nos aproximarmos da entrada, a vidraça que parecia ser uma porta automática se desfez como numa desmaterialização. E assim que entramos, pude ver melhor o intenso movimento de entidades.
No centro daquela área do prédio havia um jardim com uma fonte d'água. Ali também estavam alguns bancos de jardim. Esse espaço correspondia a uma grande área, de onde era visto todos os andares que davam acesso aos quartos. No alto há uma gigantesca claraboia, da mesma dimensão do jardim, onde via-se uma nuvem de luminosidade leitosa a mover-se lentamente como uma onda.
Nos parapeitos dos andares estavam alguns pacientes a observar o ambiente. Num dos andares, identifiquei o Irmão Pedro, que havia desencarnado fazia uma semana.
Bartolomeu recomendou que fossemos conversar com o Pedro:
-Já identificou onde está nosso Irmão Pedro? Vamos lá conversar com ele.
Num rápido relance, me vi imediatamente ao lado de Pedro. Ele estava com o braço direito apoiado sobre o parapeito, olhando para baixo, e não percebeu nossa chegada. Ele estava usando vestes de paciente e tinha o braço esquerdo com algo que parecia uma leve varicose, sendo que no dorso da mão esquerda havia uma atadura.
Me dirigi a ele:
-Olá Pedro! Como está?
Quando nos viu, Pedro inquiriu:
-Nossa! Você também morreu?
Bartolomeu assumiu as explicações necessárias; sobre o que estávamos fazendo no Hospital, entre outros esclarecimentos.
O Irmão Pedro já contava com oitenta e três anos quando teve um AVC e ficou em coma durante mais de quarenta dias. Seu desencarne deu-se num sábado, quando a equipe do Dr. Frederich conduziu os últimos desenlaces. No mesmo dia Pedro foi internado no Hospital de Cáritas para receber o tratamento adequado. Seu comentário sobre a situação é interessante:
-Estou admirado com tudo isso aqui. E nem sei mais se estou morto. Lembro a todo o momento do filme “Nosso Lar”. É tudo muito parecido. Tudo fica muito familiar. Lembro das situações e necessidades do “André Luiz” em querer ver e saber sobre a família na Terra. Tudo isso estou vivenciando. Minha mãe ainda não veio me visitar. Mas já me informaram que antes de eu ter alta ela virá. Já recebi a visita de dois amigos e agora a de vocês. Estou aguardando meu pai. Disseram que ele daqui a poucas horas, no vespertino, antes da nossa reunião para oração coletiva. Confesso! Sinto que estou vivenciando o filme “Nosso Lar”. Já disse aqui para os doutores que quero trabalhar logo; quero trabalhar com flores. Meu quarto está cheio delas. A todo o momento chegam elas em belos vasos; em lindos arranjos. Cuido de cada uma delas. Já disseram que essas flores são a materialização das preces da minha esposa. Vou cultivar essas flores para o dia que minha querida “Mara” aqui chegar.
Ficamos um tempo conversando com o Irmão Pedro. Bartolomeu fez diversas explicações para auxiliar na adaptação do Irmão. Também comentou que eu conversaria com a Mara, dentro das possibilidades, informando sobre a situação do Irmão Pedro.
Tivemos a oportunidade de entrar no quadro de Pedro, onde muitos vasos de flores perfumavam o ambiente. Ali o deixamos acomodado na cama, e nos despedimos. 

terça-feira, 22 de março de 2011

Alvorada Nova

A Cidade Espiritual Alvorada Nova foi citada na obra “Nosso Lar” pelo nosso querido Irmão André Luiz e psicografada pelo também amado Irmão Francisco Cândido Xavier. Lá os conhecimentos estão todos voltados para o aprendizado consciente do trabalho e dedicação ao próximo e a Deus.
A Cidade é um primor de organização e de encanto quanto a sua beleza Espiritual. As praças servem de repouso e de contemplação da grandiosidade da obra de Deus. Elas são muito usadas, também, para os seus habitantes refazerem seus votos de eterno trabalho.
Em todas elas encontramos flores de todos os matizes de cores vibrantes, que estimulam a alma ao descobrimento constante da bondade divina. Os chafarizes de algumas exprimem o aconchego entre os planos mais etéreos com os habitantes da cidade. Ao som da água, surgem seguidamente mananciais de “enxames” de cores e Flores Espirituais que ventilam junto com o suave vento, ao efeito de brisa. Muitas dessas Flores Espirituais e “enxames” de cores decorrem das orações de amor que os Irmãos realizam junto dessas fontes maravilhosas de amor e bondade.
Noutro dia mesmo, vi diversas entidades cantarem junto de um chafariz, localizado na magna praça da cidade. O grupo orava em coro, produzindo um espetáculo de “enxames” de cores e de Flores Espirituais, tudo carregado pelo suave vento, que atinge as correntes descendentes de ar e chegam até a Terra. O grupo era formado por diversas crianças que se preparam para encarnar no Brasil.
Essas crianças trarão para a Terra um conhecimento mais avançado. Não só na questão da tecnologia ou dos conhecimentos, mas principalmente na faculdade de amar e de fazer a fraternidade. Cumprirão eles todas as suas responsabilidades na carne, mas o mais importante está no compromisso de desapego que trazem como exercício primordial de suas almas.
As Flores Espirituais e os “enxames” de cores que eram criadas durante a entoação das belas orações, destinavam-se às suas futuras mães na Terra, que já sonham com a chegada dos filhinhos.
O tempo de encarne de cada uma daquelas crianças respeita um conjunto de acontecimentos e se estendem por um período um pouco elástico. Elas encarnarão a partir de março de 2011 até janeiro de 2012. Esse grupo se comprometeu a desenvolver a ciência do Espírito no mais primordial apego ao amor. Suas faculdades se destinam a abrir espaço para outros Irmãos da Espiritualidade comunicar-se com os encarnados.
São quarenta e seis crianças que já receberam as bênçãos do Pai Celestial para iniciarem as atividades de aproximação para os procedimentos encarnatórios. Não restam dúvidas que as Flores Espirituais que elas oferecem para suas futuras mães, enchem de esperança a recriação permanente da vida.
Receber um desses anjinhos é uma dádiva concebida por Deus. Todas essas crianças são originárias de Cidades Espirituais localizadas nas Esferas Superiores, mas necessitaram receber na Cidade Espiritual Alvorada Nova os preparativos para o encarne.
Assim como ocorre em Alvorada Nova, onde dezenas de Irmãos Superiores recebem os preparativos para encarnar na Terra, em outras Cidades Espirituais a situação não é diferente.
Juntamente com esses Irmãos Superiores que aceitaram diferentes missões na carne, outros Irmãos aproveitam para aprender sobre o Amor, o Carinho e a imensa Fraternidade que esses seres iluminados propiciam a todos que a eles se aproximam.
Esses missionários se encontrarão na Terra com os que já os precederam e receberam o compromisso de abrirem caminho para as mudanças; em especial na maneira de pensar sobre o Mundo e o Universo.
São animadores os momentos de congraçamento do homem terreno com o conhecimento que está descendo das Esferas da Espiritualidade Superior e de alegria para todos aqueles que aderirem ao Amor de Deus para transformar a realidade terrena.
Os Céus abriram suas portas para os Anjos do Senhor descerem para a Terra e se aconchegarem entre os homens.
Mãezinhas e futuras mãezinhas acolham nossos mensageiros do Senhor com o Amor maternal que às dignificam diante do Pai Celestial.
Irmã Noêmia
Mensagem recebida em 21 de março de 2011.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Irmãos superiores orientam os trabalhos terrenos

"Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estarei Eu no meio deles. (Mateus 18, 20)"
Foi com essa afirmativa que nosso Mestre Jesus orientou seus discípulos para os trabalhos de evangelização. Na Espiritualidade essa afirmativa segue a mesma proposta do Mestre Jesus. Sempre que nossos Irmãos e Irmãs se reúnem para aprender e estudar sobre a Espiritualidade e sobre a vida que ocorre nos diversos planos da Espiritualidade, ali estão Irmãos de muita luz a guiar as manifestações.
Todos os trabalhos seguem os preceitos do Evangelho. Sempre ocorre a interjeição dos conhecimentos divinos para haver a harmonização dos pensamentos dos Irmãos envolvidos na reunião. O propósito é estabelecer a sintonia de pensamento e de interesses entre encarnados e desencarnados.
A missão dos estudos se prende no intuito de promover a evolução dos Espíritos. Ali se estimula o conhecimento das teorias do Evangelho. Também são aplicados diversos fluidos salutares para estimular o desenvolvimento dos trabalhos práticos. Diversos pensamentos de caridade são soprados no ouvido de cada um, visando seu aprimoramento pratico e a aceleração de sua evolução Espiritual.
Nem sempre esse propósito é atingido. Ocorre, às vezes, que os Irmãos estão surdos para as praticas da caridade e desejam apenas conhecer sobre os estudos. De veras, temos que lembrar que a Doutrina Espírita, por envolver os aspectos da ciência em seu tripé, exige o desenvolvimento de trabalhos práticos. Aos desejosos de conhecer sobre a Doutrina, os estudos das diversas obras relativas aos conhecimentos Espirituais estão por demais disseminados.
Todavia, o ensinamento sobre Espiritualidade ocorre muito mais quando o é na prática. É nas ruas, em contato com outros Irmãos, sejam eles necessitados ou não, que se aprende a verdadeira Espiritualidade Cristã. É desenvolvendo a caridade, que necessariamente não decorre da entrega de bens materiais, mas da atenção dada aos Irmãos, que se terá o amparo da elevação divina.
No mundo atual, onde a vida parece tão atribulada, dedicar alguns momentos de atenção ao próximo, ouvindo-o, orientando suas emoções, lhe estimulando o equilíbrio e a fé, corresponde à caridade cristã e ajuda, em muito, no entendimento da Espiritualidade.
É no diálogo equilibrado que se dá a disseminação da fé e da caridade.
Sem duvida que temos de ler, estudar e esmiuçar os livros que tratam da Espiritualidade. Mas, para aprendermos na prática sobre Espiritualidade, temos o dever de aplicarmos diariamente o seu conhecimento, ouvindo o próximo e orientando-os no caminho do bem.
A primeira caridade que pode ser feita é a de receber bem a cada um que se aproximar de nós. Um bom dia, com um sorriso amistoso, já pode fazer a diferença. Mesmo que da outra parte não se tenha resposta ou sejamos ignorados. Mas se fizermos de coração, esse Irmão receberá fluidos salutares e em algum momento ele irá retribuir. Essa relação de afetuosidade ocorre todos os dias, a todo o instante, entre os irmãos da Espiritualidade Maior. É um vigoroso alimento para o Espírito.
Dentro desse trabalho de caridade, de estudo e prática de Espiritualidade, saibam que os Espíritos Superiores estão sempre a orientar. Se dentro do circulo de amizade esse exercício for colocado em pratica, certamente você será assistido e terá suas palavras e ações orientadas pela Espiritualidade Maior. Dentro dessa atividade a mediunidade estará em pleno desenvolvimento, pois se estabelecerá campos vibracionais onde o Irmão e a Irmã que assim o desejarem trabalhar, serão envolvidos pelos maiores beneplácitos de trabalho da Espiritualidade. Novos entendimentos lhe saltarão na consciência, fazendo-o visualizar conhecimentos maiores sobre a vida e a evolução do Espírito. Mentores lhe ensinarão no âmago da consciência e como consequência, antes mesmo que percebas, já estará desenvolvendo trabalhos mediúnicos sob a inspiração dos Irmãos da Espiritualidade Maior.
Vale recordar os dizeres de nosso Irmão Emmanuel, na abertura da obra “Nosso Lar”: “Em nosso campo doutrinário, precisamos, em verdade, do ESPIRITISMO e do ESPIRITUALISMO, mas, muito mais, de ESPIRITUALIDADE”.
De coração leve, vibramos alto e somos envolvidos pelos Irmãos das esferas superiores a nos ensinar sobre o caminho do bem, nos indicando os atalhos para chegarmos até Deus.
Irmão Miguel
Mensagem recebida em 26 de fevereiro de 2011.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Informação sobre o resgate

Nossos Irmãos e Irmãs que participaram dos procedimentos de resgate, durante o desencarne em massa ocorrido na madrugada do dia 12 de janeiro de 2011, desenvolveram trabalhos de grande louvor a Deus. De forma incansável, praticaram as mais elevadas atividades de amor ao próximo. As equipes chegaram junto aos encarnados que seriam resgatados, poucos segundos antes de iniciar o temporal. O acompanhamento e o cuidado no ato de prestar os primeiros socorros no momento em que o processo de desencarne estava se processando foi determinante em muitos casos, facilitando a aproximação dos desencarnantes para junto dos socorristas, vistos como mão segura e de amparo.
Todos os resgatados tiveram como destino, primeiro, a base de socorro que está localizada muito próxima a crosta da Terra. Ali foram realizadas todas as necessidades iniciais para a melhora dos Irmãos e Irmãs que deixaram a Terra.
Alguns não perceberam, de imediato, o momento pelo qual haviam passado, acreditando que estavam alojados em algum ginásio da Terra. Isso ajudou a manter a calma nos corações que perguntavam sobre o destino de familiares que não estavam ali.
Outros resgatados necessitaram passar por tratamentos mais avançados, ainda na base de socorro, pois ocorreram casos onde a caixa torácica sofreu complicações. Esses Irmãos necessitaram ser hospitalizados na cidade Nosso Lar e partiram junto com o primeiro grupo.
Alguns resgatados necessitaram atenção redobrada e os enfermeiros trabalharam no sentido de acalmar e transmitir a máxima segurança sobre o novo momento.
Ainda na madrugada, pouco antes do amanhecer, a base de socorro já estava contagiada pela alegria das crianças. Muitas delas, depois de receberem os atendimentos necessários, passaram a brincar com muita alegria e desenvoltura. Foram as que melhor se adaptaram à nova situação.
O primeiro grupo de resgatados deixou a base de socorro às oito horas da manhã, ainda no dia 13, quando o aeróbus conduziu-os para a Cidade Espiritual Nosso Lar. O segundo grupo partiu às oito horas e trinta minutos e o último grande grupo às nove horas. No local ficou um grupo de dez socorristas para garantir suporte aos que ainda estavam em atividade na Terra.
Irmão Leopoldo
Mensagem recebida em 15 de janeiro de 2011.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Nosso Lar recebe os resgatados

Na madrugada de 12 de janeiro de 2011, o mentor Bartolomeu levou-me para um enorme pavilhão.
Logo na entrada, junto de uma grande porta que estava aberta, ele pediu para ficarmos em silêncio, observando.
-Charles, vamos ficar aqui; em silêncio. Essa é uma das equipes socorristas de Nosso Lar. Estão se preparando para iniciar as atividades.
No pavilhão de teto elevado e todo pintado de branco, estavam diversas entidades reunidas em oração. Todas elas estavam trajando uniformes em comum. Calça, camisa de manga longa e sapatos na cor branca e com um colete de tecido fino na cor azul celeste. O colete tinha uma cruz branca na parte da frente e na parte de traz. Algumas daquelas entidades também tinham uma cobertura, na cor branca, sobre a cabeça, dando a entender de que se tratava de enfermeiros e médicos. Todos eles estavam reunidos em três círculos, um dentro do outro, sendo que todos que compunham os círculos estavam de pé, com as mãos dadas e de cabeça baixa. Ali estavam umas duzentas entidades.
No meio do círculo menor haviam, empilhadas, diversas macas colocadas no chão, junto com diversas garrafas com água. Também havia lençóis e estruturas de canos metálicos empilhados.
Uma entidade puxava a oração e os demais seguiam em coro. Depois que terminou a oração ela passou a tecer orientações.
-Minhas Irmãs e meus Irmãos. Hoje teremos mais um importante momento de resgate aos nossos queridos na Terra. Todos já sabem o que devem fazer e a quem devem socorrer. Sob o amparo de nosso Pai, não pouparemos esforços para socorrer e acalmar nossos queridos que deixarão hoje a carne. Acolham amorosamente. Assim, todos nossos queridos poderão se sentir em segurança. Aos nossos socorristas que assumiram a missão de fazer companhia aos irmãos que ficarão soterrados até a chegada dos benfeitores encarnados, peço que aproximem suas mãos no coração desses queridos e estimulem que orem ao Pai. Orem junto com eles. Estabeleçam o conforto necessário até o momento em que esses queridos poderão ser resgatados pelos irmãos terrenos.
No exato momento que a entidade terminou de falar, ouviu-se um som que veio do alto do pavilhão, semelhante ao som de uma tuba. Do teto, uma chuva de purpurina prateada começou a cair sobre todos. Ela se dissolvia ao tocar nas entidades e ao chegar ao chão.
Nisso, a mesma entidade orientou sobre o momento chegado.
-Irmãs e Irmãos, os Anjos Celestiais de nosso Pai dão o sinal e nos abençoam. Nossos trabalhos devem começar. Temos um pouco mais de cinco minutos para nos dirigirmos às posições já designadas. Vamos em paz.
Imediatamente, com uma sincronia perfeita e com extrema organização, as entidades passaram a pegar macas e garrafas com água e sair do pavilhão, até nele ficar somente eu e Bartolomeu.
-Charles, hoje estamos aqui para assistir os trabalhos de resgate da Espiritualidade. Está para iniciar desencarnes em massa no Rio de Janeiro. E esse Centro de Resgate receberá muitos dos que deixarão a Terra nesta madrugada. Aqui, todos receberão os primeiros atendimentos necessários. Depois os resgatados serão levados para a Cidade Espiritual Nosso Lar.
-Porque não levam direto para Nosso Lar?
-Meu Irmão, quando o trabalho se refere às situações de resgate, é necessário um momento de atendimento e preparação. Nossos Irmãos e Irmãs merecem, primeiramente, o conforto imediato. Assim será diminuído o impacto da mudança em seus corações.
Ficamos ali na porta conversando por uns dez minutos. Foi quando vi alguns enfermeiros subindo a rua, em direção ao pavilhão. Traziam duas pessoas em macas. Outras três vinham caminhando, acompanhada de enfermeiras. As pessoas trazidas estavam molhadas e sujas de barro. Eles entraram no pavilhão. Ali os integrantes das equipes socorristas passaram a montar as estruturas metálicas e isolar com cortinas os recém-chegados. Bartolomeu percebeu minha curiosidade e explicou a situação.
-As equipes estão realizando o atendimento aos resgatados. São montadas as estruturas metálicas e colocadas as cortinas para que os socorristas limpem e troquem as roupas dos resgatados. Assim eles não sentirão constrangimentos diante dos demais irmãos que estão presente.
As estruturas eram montadas em fila, ao longo da extensão da parede.
Pude ver uma cortina ser aberta. A maca virou uma cama. Sentada nela estava um senhor já todo limpo e seco, vestindo uma roupa branca. Um dos enfermeiros se afastou, levando a roupa que estava suja e molhada. Outro enfermeiro conversava com aquele senhor, sendo que lhe dava um copo com água para ele beber.
A chegada de socorristas era intermitente. A cada cinco ou dez minutos entravam no pavilhão dois ou três recém-chegados. Chegavam pessoas de todas as idades. Algumas traziam animais domésticos; cães e gatos. Nesses casos, logo na entrada, os enfermeiros recolhiam esses animais e levavam para outra parte externa do pavilhão. Num dos casos envolvendo uma criança que chegou caminhando e que tinha um cachorrinho nos braços, um dos enfermeiros pediu para lhe dar o cãozinho. Ele disse para a criança que o mesmo seria tratado na ala dos animais e que depois ela poderia buscar o cãozinho.
Nós ficamos ali, observando as atividades, por aproximadamente duas horas. Depois desse tempo Bartolomeu disse para descermos.
-Charles, vamos descer. É importante que conheças um pouco sobre as atividades de resgate e amparo realizadas em campo.
Saímos do pavilhão e andamos por uma rua pavimentada e iluminada que tinha uma extensão de cinquenta metros. Ela era em descida. O trecho em diante já era no escuro. Porém, a escuridão não era intensa. Logo passei a ouvir o barulho de cachoeira e de chuva. Também passei a sentir o cheiro bem característico da chuva.
Descemos por estreitas trilhas montadas em mata, como se ali fossem picadas recentemente abertas. Apesar de estarmos andando pela chuva e em meio a tudo molhado. Notei que eu e Bartolomeu não ficávamos molhados.
Logo vi, por sobre os escombros de casas, sobre amontoados de lama, diversas equipes socorristas realizando o trabalho de resgate. Apesar da escuridão, as roupas das equipes socorristas eram fosforescentes. O brilho da roupa montava um cenário onde os socorristas pareciam estrelas movendo-se na escuridão. O brilho facilitava a visualização pelos resgatados.
Ficamos caminhando e observando toda a atividade de resgate. Depois de algum tempo, chegamos próximos aos escombros de uma casa. Um socorrista estava ali dentro. Era possível ver por entre frestas o brilho da roupa do socorrista.
Paramos bem em frente aos escombros e Bartolomeu comentou sobre aquela situação.
-Veja Charles. Ali, em meio ao cenário de destruição, estão dois irmãos encarnados, presos sob a própria casa. Um Irmão socorrista está junto deles, amparando-os. Repare que, apesar de já estar amanhecendo, a luminosidade emitida pela roupa do socorrista é tão intensa que se torna inconfundível com a luz do Sol. Esses dois Irmãos presos deverão ser resgatados pelos próprios moradores do local.
Depois de ficarmos uns dez minutos diante daqueles escombros, na expectativa de ver os encarnados resgatarem os dois que estavam presos, Bartolomeu solicitou para que eu retornasse ao corpo, pois o despertador já estava prestes a tocar. De fato, cheguei dois minutos antes de tocar o despertador. Eram 5h58min.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Vera Cruz – Cidade Espiritual localizada sobre São Paulo – Parte V

Fomos para a porta do saguão, onde Bartolomeu nos aguardava.
Após rápida conversa entre ele e Manoel, definiram que iríamos para o Ministério das Artes pelo deslocamento mentalizado. Manoel pediu para eu fechar os olhos, pois colocaria suas mãos sobre minha cabeça. Disse que uma imagem surgiria.
Imediatamente a imagem de um prédio, semelhante a um enorme estádio de futebol, apareceu em minha consciência. Quando essa imagem ficou nítida, Manoel pediu para eu abrir os olhos. Estávamos em frente a um prédio igual ao que surgira em minha consciência. A construção era arrojada, com estrutura arquitetônica toda diferenciada. O prédio parecia ter brotado do chão, que era recoberto por um gramado. A construção tinha colunas verticais que suportavam o prédio acima de um espelho d'água. O gramado que circundava todo o prédio terminavam num calçamento onde as pedras formavam esteiras de diversas cores, como círculos concêntricos, em toda a extensão da calçada, formando uma praça no entorno do prédio. Esse calçamento tinha uns cinquenta metros. Após isso existiam corredores formados por canteiros com flores e árvores, onde também existiam bancos esculpidos em pedra.
No ambiente havia uma musica que parecia sair de alguns obeliscos que formavam corredores em direção as diversas entradas do prédio, que era todo de vidro transparente, permitindo ver tudo e todos no seu interior.
Manoel disse que estávamos diante do Ministério das Artes, de onde os curadores foram lhe procurar para que ele me recepcionasse em Vera Cruz.
-Meu aluno, aqui é o Ministério das Artes. Daqui saíram os curadores que me procuraram com o objetivo de receber você e trazê-lo aqui para conhecer e comunicar para a Terra o trabalho desenvolvido por este ministério. Vamos caminhando, pois eles nos aguardam.
Após atravessar o calçamento, nós passamos por uma rampa de acesso ao prédio. Abaixo dessa rampa, no espelho d'água bem cristalina e com o fundo azul, igual aos das piscinas, vi cardumes de peixes dourados. Diante da minha surpresa em ver animais ali, perguntei ao Bartolomeu se aquilo era real.
-Charles, os peixes são reais. Não se surpreenda. No plano espiritual também existem animais. São espíritos em evolução que estão ainda em processo de despertar para a racionalidade.
Manoel indicou para nós os curadores que estavam na entrada. Eram duas entidades, que vieram em nossa direção.
-Sejam bem vindos ao Ministério das Artes. Que as bênçãos de Deus iluminem este momento. Irmão Manoel e Irmão Bartolomeu, que a paz de Deus irradie em vossos corações. Permitam-me apresentar-me ao nosso irmão Charles. Eu sou o irmão Isaías, curador do Ministério das Artes, juntamente com o nosso irmão Jeremias. Nossa tarefa é proporcionar ao querido irmão, informações sobre nossas atividades.
Nisso Isaías me abraço.
Jeremias também nos cumprimentou e me abraço, agradecendo a Deus pela minha presença na cidade e no ministério.
Isaías posicionou sua mão direita em minhas costas e disse para entrarmos.
Eu fiquei ladeado por Isaías e Jeremias, que me conduziram para o interior do prédio.
Logo na entrada vi um amplo corredor, com diversos painéis enfileirados. Nesses painéis havia pôsteres iguais aos que vemos nas entradas dos cinemas.
Jeremias passou a explicar sobre os pôsteres.
-Irmão Charles. Aqui nós temos uma galeria que retrata todas as atividades artísticas onde atuamos para a sua realização na Terra. Todos os trabalhos do cinema, novela e teatro, onde irmãos encarnados encenaram situações relacionadas à espiritualidade, tiveram o nosso auxílio e intuição. Aqui expomos a reprodução dos painéis que noticiaram cada um desses trabalhos. Eles são iguais aos que foram veiculados na Terra. São o nosso maior exemplo da comunhão artística entre o plano espiritual e o plano material.
Os painéis eram formados por dois vidros em camada, tendo entre eles o pôster. Ali tinham os pôsteres dos filmes do Chico Xavier, do Bezerra de Menezes, do Nosso Lar, de peças teatrais, de novelas. Também tinham pôsteres de outros filmes em inglês, italiano e francês.
Isaías explicou que aquela galeria reportava as atividades de mais de trinta anos, quando irmãos que passaram por Vera Cruz iniciaram os reencarnes na Terra para desenvolver atividades relacionadas à representação e dramaturgia. Ele me levou até o pôster do Nosso Lar. Mostrou três colunas de nomes colocadas ao lado do mesmo. Na primeira coluna tinha o título “Vivência Experimental”. Abaixo havia uma relação de nomes e sobrenomes. Isaías disse que aqueles nomes correspondiam aos irmãos encarnados que vivenciaram as experiências reais na matéria e que foram reproduzidas pela atividade cinematográfica.
Ao lado dessa primeira lista, havia outra com o título “Obreiros Encarnados”. Isaías explicou que a relação de nomes, abaixo desse título, correspondia a todos os irmãos encarnados que foram retratados, que encenaram e trabalharam para a realização do mesmo. Aparecia o nome completo de muita gente; maquiadores, câmeras, cinegrafistas, atores, atrizes, pesquisadores.
Na terceira coluna, com o título “Obreiros da Espiritualidade”, e com uma relação de nomes quase que o dobro da lista dos “Obreiros Encarnados”, Isaías explicou que aqueles foram os irmãos e irmãs da espiritualidade que trabalharam com cada um dos encarnados envolvidos na realização da filmagem.
Em todos os pôsteres existiam três colunas com nomes e as respectivas atividades.
Ao lado esquerdo do pôster havia uma pequena tela, igual a um espelho retangular de uns quarenta de altura e sessenta de largura.
Jeremias apontou para a tela e explicou que ali era possível ver imagens, comentários e diversos momentos para o registro histórico do trabalho. Ele tocou na tela e diversos ícones apareceram. Durante a sua explicação, ele ia tocando em determinados ícones e as imagens iam se sucedendo. Vi cenas do filme e dos ambientes das gravações. Também um ícone descreveu o surgimento da proposta para a realização daquela atividade cinematográfica. Nessas imagens, que eram comentadas por um locutor, apareceram grupos de espíritos reunidos e definindo tarefas. Na sequência das cenas essas mesmas entidades apareciam ao lado de diretores, atores e atrizes que estão encarnados. Depois as imagens destacavam as pessoas encarnadas se reunindo para tratar do projeto do filme. Nessas cenas apareciam as entidades participando da reunião. Nas montagens dos cenários e durante as cenas gravadas pelos atores e atrizes encarnados, junto deles estavam entidades que vestiam os mesmos trajes. O locutor explicou a cena como sendo os “Obreiros da Espiritualidade”, que auxiliaram na arte da interpretação. Em todas as imagens eram vistos os encarnados e as entidades trabalhando conjuntamente.
Isaías pediu para mostra as imagens das atividades desenvolvidas no Ministério das Artes com os atores e atrizes. Jeremias tocou em um ícone abaixo das imagens e surgiram outras mostrando alguns atores e atrizes, ainda encarnados, entrando no ministério acompanhado pelas entidades espirituais. Apareceram cenários iguais aos feitos na Terra, onde os mesmos recebiam explicações das entidades que lhes acompanhavam e depois as cenas mostravam esses atores e atrizes interpretando sob a orientação dessas entidades. Na cena, o locutor destacou a expressão corporal, a entonação da voz e a expressão do olhar que foram exercitadas conjuntamente.
Isaías explicou que os encarnados são trazidos para a Escola de Intérpretes, uma das unidades do ministério, onde recebem atenção e orientação para as atividades na Terra. Disse também que muitos desses atores e atrizes encarnadas já participaram de peças teatrais que foram apresentadas no Anfiteatro do ministério. Isaías disse ainda que nesse mesmo Anfiteatro foram reproduzidos os filmes realizados na Terra, para os moradores de Vera Cruz.
Jeremias solicitou para lhe acompanhar na ala lateral, que ficava à esquerda de nossa entrada. Fomos até uma abertura junto a uma parede de vidro. Ali havia uma gigantesca galeria de obras, com um conjunto de estátuas, pinturas e trabalhos em pedra, madeira e metais. Em todas havia a mesma tela.
Ao andar por entre as obras, Jeremias explicou que em todas elas há o mesmo sistema de explicações históricas como foi mostrado nos painéis dos filmes. Destacou que as peças estavam dispostas conforme as escolas de artes.
Algumas daquelas pinturas eu já vi na Terra. Mas a grande maioria eu não conhecia.
Depois de caminhar por entre diversas obras, conversando sobre seus significados, Isaías solicitou para irmos ao centro do ministério.
-Irmão Charles, antes de você retornar para a Terra, vamos lhe levar até a praça das águas, no centro do ministério. Queremos que você guarde na memória uma ótima lembrança de nós.
Saímos da galeria e entramos no mesmo corredor onde estavam os painéis dos filmes. Mas fomos andando, seguindo o corredor onde outros painéis estavam expostos. Na medida em que avançávamos, senti que o ar ficou com um aroma agradável, juntamente com um som de música suave. Logo vi, bem à frente, uma praça. Ali existia um gramado com jardins e árvores. Bem no centro havia um chafariz, cujo esguicho d'água subia alto e caia sobre si mesmo. Ali o ambiente era a céu aberto e a luz do Sol já iluminava todo o ambiente.
Todo aquele ambiente era circular. O gramado, que se estendia nuns quinze metros com um leve declive, terminava e uma superfície de vidro plano, de uns três metros, que possibilitava visualizar o espelho d'água que ficava a um metro abaixo do piso. Existiam bancos dispostos pela grama e sobre o piso de vidro central.
Jeremias destacou que ali era um ambiente de descanso e de reflexão.
-Irmão Charles, aqui na área central do ministério, está o nosso local de descanso e reflexão, onde revigoramos nossas forças depois das atividades diárias. Peço que Deus ilumine seu coração e sua consciência para recordar desses momentos.
Após Jeremias, Isaías também falou comigo, já se despedindo. Ao abraçar-me disse que o ministério aguardava-me para outras oportunidades de visita.
Manoel também se despediu de mim. Agradeci pela oportunidade e conversei sobre situações que estavam relacionadas a mim e ao Manoel quando encarnado.
Depois disso, Bartolomeu agradeceu aos curadores e ao Manoel e destacou que já estava na hora de eu retornar. Nisso ele colocou sua mão direita sobre minha testa, fazendo-me fechar os olhos. Imediatamente acordei em minha residência. Eram 5h50min.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Vera Cruz – Cidade Espiritual localizada sobre São Paulo – Parte IV

Manoel, parado na minha frente e diante de sua casa disse que me proporcionaria algo que aprendeu a fazer na cidade Vera Cruz.
-Meu aluno, com a permissão de vosso mentor Bartolomeu, vou lhe proporcionar o deslocamento imediato para nossos destinos. Assim vamos aproveitar bem o tempo que temos para você. A cidade Vera Cruz é muito grande. Se fossemos com alguma condução, não teríamos o tempo necessário para lhe mostrar o conjunto de pontos importantes da cidade. Assim, com o deslocamento imediato, vou lhe apresentar uma forma de locomoção bem rápida. Vamos lá. Olhe para o horizonte dessa avenida e fixe os olhos nos prédios mais distantes que você possa ver.
Nesse instante, enquanto eu olhava para o horizonte daquela avenida, vendo ao longe algumas construções, Manoel, que estava ao meu lado, pediu licença e colocou suas mãos sobre minhas têmporas. Imediatamente vi que o horizonte da avenida ficou nítido, como se meus olhos tivessem o efeito de um binóculo. Imediatamente a isso, aquela imagem do horizonte se aproximou igual ao que acontece quando ampliamos qualquer imagem no computador. A velocidade do aumento foi tão imediata que logo vi um fabuloso prédio ganhar proporções em minha visão.
Quando na visualização foi possível ver uma enorme rampa de acesso, diante daquele prédio todo envidraçado, notei que eu estava numa praça.
-Viu meu aluno?! Já chegamos ao prédio da governadoria de Vera Cruz.
Manoel falou com o seu sorriso característico, percebendo minha surpresa diante do deslocamento. O fato mais interessante é que não senti, em nenhum instante, que estava me deslocando. Simplesmente as imagens forma se ampliando até eu enxergar a rampa e o prédio à minha frente.
-Manoel, é assim que os espíritos se deslocam?
-Aprendi com algum exercício esse tipo de deslocamento. Mas também posso te afirmar que ele pode ser feito pelo pensamento. Quando nós pensamos em um lugar, nós visualizamos esse lugar e imediatamente nos deslocamos. Isso é uma questão de exercício. Aprendi isso com alguns irmãos muito queridos.
Manoel destacou que muitos espíritos ainda não sabem como fazer esse deslocamento. Disse ainda que essa faculdade é um princípio de qualquer espírito. Garantiu que isso faz parte dos sentidos, semelhante à visão, audição, olfato ou tato.
Na nossa volta via intensa movimentação de entidades. A rampa de acesso me fazia lembrar a rampa do Palácio do Planalto, em Brasília. O prédio da governadoria parecia ter uns cinquenta andares. Tinham colunas que se alongavam acima dele nas laterais, terminando em formato de ponta, como se fossem antenas. O topo do prédio, ao centro, formava um bojo arredondado, sendo que toda sua estrutura se elevava em formato semelhante a um cone. A base do prédio era de uns 100 metros, enquanto que o topo parecia ter uns vinte metros. Sobre a superfície do topo do prédio, a luz do sol denotava reflexos como o de um espelho. Nele se via um facho de luz branca em direção ao céu.
-Meu aluno. Para quem já leu a obra do nosso irmão André Luiz, o Nosso Lar, está familiarizado com as atividades realizadas pela governadoria. Nas cidades da espiritualidade, assim como na Terra, as estruturas de governo são semelhantes. Vou lhe explicar melhor. Na Terra, todas as cidades têm prefeituras e essas têm suas secretarias. Em sua maioria, as prefeituras têm os mesmos tipos de secretarias. Isso porque as necessidades sociais são iguais para serem organizadas pelas prefeituras. Na espiritualidade a situação não é diferente. Todas as cidades têm sua governadoria, composta de ministérios. Assim como na Terra, aqui os irmãos também têm necessidades que precisam ser administradas.
-Manoel, você quer dizer então que a cidade de Vera Cruz é igual à cidade de Nosso Lar?
-Em se tratando de estruturas administrativas, compreendendo todas as atividades de orientação, reencarne, resgate, atendimento aos necessitados, entre outros, todas as cidades da espiritualidade são basicamente iguais. O que as distingue uma da outra será algum ministério específico, destinado também a demandas específicas orientadas pela espiritualidade maior.
-Então quer dizer que as cidades da espiritualidade são como Nosso Lar?
-O irmão André Luiz já iluminou o entendimento humano sobre as atividades desenvolvidas na cidade Nosso Lar. Essas mesmas atividades são realizadas em todas as outras próximas da Terra. Afinal, as necessidades do espírito são as mesmas em qualquer lugar no planeta. Mas algumas cidades têm um que outro ministério a mais para desenvolver algum trabalho específico. É o caso daqui, em Vera Cruz. Aqui existe o Ministério das Artes, que nós já vamos conhecer. Para se ter um conhecimento aprofundado das estruturas administrativas da espiritualidade, você deve ler as obras do irmão André Luiz. Você deve ler a obra Nosso Lar. Também pode ler as obras do irmão Ramatis. Ele também fala sobre cidades da espiritualidade. Agora vamos até o saguão da governadoria.
Passamos então a caminhar, atravessando uma praça toda atapetada de grama, com muitas flores em diversos canteiros. O calçamento era de pequenas pedras, formando um mosaico com símbolos religiosos, de todos os tipos. A praça circundava o prédio. Da posição onde estávamos até a entrada do prédio devia ter uns 150 metros.
Na subida da rampa, diversas entidades que estavam saindo do prédio, ficaram nos observando com certa curiosidade. Manoel e Bartolomeu cumprimentavam cada uma delas, ao que eu também passei a fazer o mesmo.
Manoel sorrindo disse que aqueles irmãos estavam estranhando a presença de um encarnado. A situação de um encarnado estar na cidade não era nada comum. Rindo ele disse que alguém poderia se aproximar para que eu levar alguma mensagem para familiares na Terra.
A entrada do prédio era de uns vinte metros. Já o saguão era enorme. Em quatro pontos havia pequenos chafarizes, onde a água escorria sobre pedras brancas, no formato de uma pequena coluna de uns dois metros. Ao centro do saguão havia um balcão em forma circular, sendo que atrás havia um vidro por onde escorria água. Duas mulheres estavam ali. Parecia um local para informações.
Ao longo de toda a extensão da parede envidraçada, via, em diversos pontos, folhagens e flores junto ao vidro, dando um efeito de cor na luz que entrava no saguão.
-Meu aluno, como sabe, há coisas que ainda não estão permitidas. A governadoria sabe de sua presença aqui. Mas hoje nossa atividade se destina a conhecer outro ponto, conforme o irmão Bartolomeu já lhe comentou. Trouxemos-lhe até a governadoria, pois a espiritualidade maior considerou apropriada que nossas irmãs e irmãos na Terra tenham a confiança de que existe uma organização dedicada e sempre disposta ao amparo.
Perguntei ao Manoel se iríamos visitar os outros ministérios.
-Hoje o tempo é dedicado para conhecermos, além do saguão da governadoria de Vera Cruz, o Ministério das Artes. Este desenvolve uma atividade específica, com laços estreitos com os irmãos encarnados.
Olhando para uma das colunas internas, onde se via elevadores panorâmicos, perguntei ao Manoel se iria subir por algum daqueles elevadores. No ambiente interno, onde o teto do saguão estava a uns vinte metros, doze elevadores estavam dispostos no centro, próximos ao balcão onde duas mulheres trabalhavam como atendentes para informação.
-Meu aluno, o Ministério das Artes fica em outro ponto da cidade. Aqui nós temos apenas a governadoria e o conjunto de atividades, distribuídas em diversas salas, que buscam centralizar todas as informações necessárias para o desenvolvimento espiritual de cada um de nós. Aqui também há a centralização dos demais ministérios, mas a atividade principal está alocada em cada um deles.
Manoel pediu para eu ir com ele até o balcão. Chegando junto a ele, fui apresentado para as entidades que ali trabalhavam. Ele pediu então para que eu olhasse para cima. Acima do balcão das atendentes, havia uma abertura circular em cada andar, que ia até o teto do prédio.
Em seguida ele pediu para irmos até a parede lateral do prédio. Do lado de fora eu vi um gramado em declive. Manoel pediu para que olhasse também para cima.
Ali vi que o teto do saguão não terminava na parede de vidro. Havia uma base de vidro de um metro e meio que unia a parede de vidro e o teto do saguão.
-Veja meu aluno. Em todos os andares a formação é a mesma. Além de proporcionar maior luminosidade, essa construção se torna admirável pelo fato da leveza, onde cada andar fica apoiado por vidro. Agora temos que ir para o nosso outro destino.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Referência na Terra para a Cidade Espiritual “Nosso Lar” – A Cidade Iluminada – Parte III

Anastácio desligou a luz de localização e elevou a nave para cima da muralha. Acho que estávamos sobrevoando a uma altura algo em torno de duzentos metros.
O muro, que cerca a cidade, estabelece uma enorme circunferência. Sobre ele há vegetação e um corredor. Enquanto a nave ia lentamente desenvolvendo uma trajetória diagonal, observei que as avenidas iniciavam junto ao muro e continuavam paralelas em direção ao horizonte, certamente em direção ao centro da cidade. Essas avenidas retas, do muro ao centro, eram cruzadas por outras avenidas formando o que conhecemos como anéis viários, e estabeleciam círculos concêntricos. As avenidas retas parecem formar pontas de uma gigantesca estrela desenhada no solo da cidade. Aos meus olhos, aquelas avenidas pareciam formar desenhos longitudinais de raios do sol. Como se o mapa da cidade fosse os traços de um sol, como aqueles desenhado pelas crianças; como se representassem duas rosas-dos-ventos, uma sobreposta à outra, cortadas por outras ruas que formavam os círculos.
A luminosidade da cidade era muito semelhante aquelas noites natalinas, quando ruas e casas são enfeitadas com luzes coloridas. As flores, perfazendo os canteiros em extensas avenidas, pareciam refletir as luzes como vaga-lumes. As árvores também tinham uma beleza peculiar. E, apesar de ser noite, havia muitas pessoas pelas calçadas e jardins.
Enquanto reparava um conjunto de prédios bem iluminados, abaixo de nós, Bartolomeu passou a tecer algumas explicações.
-Charles, repare a grandiosidade dessa cidade, que ficou conhecida na Terra como Nosso Lar. Veja a comunhão de amor que ela consolidou. A cidade surgiu em 1530, quando irmãos europeus chegaram aqui. Antes essa região era uma aldeia dos irmãos que na Terra formaram a tribo dos Tamoios. Os irmãos europeus e os irmãos Tamoios iniciaram juntos os primeiros fundamentos da nova cidade que se dedicaria aos trabalhos de resgate dos irmãos que em solo brasileiro desencarnariam como resultado dos conflitos entre europeus e ameríndios. Lembre que a chegada do europeu, com seu interesse em explorar as riquezas da mata, nunca foi de todo pacífica. Desde 1501 a madeira era levada para a Europa. Mas é a partir da década de 30 que os conflitos pela posse da terra ganharam o aprofundamento da violência desmedida. Almas caridosas iniciaram um trabalho de intensa oração aos irmãos desencarnados que necessitavam de amparo e socorro. A comunhão entre os abnegados irmãos fez europeus e ameríndios trabalharem arduamente nas regiões do Umbral pela pacificação dos corações empedernidos nos conflitos que vieram a dizimar as nações dos ameríndios em solo brasileiro. Apesar da pouca compreensão dos ameríndios encarnados, alguns pajés já vislumbravam a chegada de europeus que auxiliariam na preservação das tribos. As orações, desta cidade ainda em processo de construção, ecoaram na Terra e atingiram alguns segmentos religiosos da Igreja Católica, dando nascimento a Ordem dos Jesuítas em 1534. Em 1549 esses soldados de cristo chegam ao Brasil para iniciar suas atividades. Apesar de algumas insanidades, os jesuítas consolidaram grandes povoados com os ameríndios, indicando-lhes a integração numa dimensão cultura que para eles ainda era desconhecida. Logo chegaram os povos africanos para o difícil resgate cármico pelo caminho da escravidão. Esses irmãos oriundos da África também receberam atenção especial dessa cidade. Durante essa faze de dor e sofrimento, muita oração foi realizada pelos irmãos de Nosso Lar, para que os irmãos encarnados suportassem o penoso martírio da escravidão.
No suave deslizar da nave, perguntei se o centro da cidade era longe e se poderia conhecê-la. Bartolomeu ponderou com Anastácio:
-Irmão Anastácio, deixe a região hospitalar e vamos ao centro. Vamos mostrar ao nosso irmão Charles a união desta cidade com Deus.
De imediato a nave se deslocou em altíssima velocidade. Não seu o quanto que ficou para trás. Entretanto, quando a nave parou, vi à frente uma grandiosa arquitetura que parecia um misto de prédio e de catedral, muito iluminado em toda a sua volta. De sua parte superior saiam fachos de luz em direção ao alto.
Bartolomeu agradeceu ao Anastácio e passou a me explicar.
-Estamos no centro da cidade. Aqui temos o prédio de onde partem todas as deliberações com relação à cidade, aos seus moradores e aos trabalhos de reencarne e de resgate. Essa luz de seu topo corresponde às bênçãos derramadas pelo Altíssimo.
A minha visão de sol como uma referência para entender o plano físico da cidade ficou mais destacada. Aquela praça central dava a noção de ser como o circulo solar e as avenidas os seus raios. O prédio central, semelhante a uma catedral, parecia estabelecer um eixo luminoso com o Céu.
Um pouco mais abaixo de onde estávamos parados, pude ver outra nave, toda metálica, com o tamanho aproximado de um ônibus sanfonado. Ela se suspendeu no ar e tomar uma direção contrária a utilizada pela nossa chegada. Duas pessoas, lá embaixo, bem na frente de uma entrada desse prédio, nos viram e estenderam o braço como se estivessem nos cumprimentando. Retribuí o aceno, enquanto Bartolomeu comentou sobre o fato.
-Aqueles irmãos sabem da nossa presença, o que viemos fazer aqui e quem somos. São orientadores do mais alto padrão vibracional e estão ali para presenciar sua visita. Foram eles que autorizaram sua chegada.
Perguntem sobre quem seriam eles.
-Não é prudente lhe indicar nomes ou referências mais apuradas sobre aqueles irmãos. Com o tempo as oportunidades poderão acontecer e você terá condições para compreender melhor a situação e sua relevância. Por enquanto, sabemos que teus sentidos, Charles, estão mais direcionados para a curiosidade. E essa situação não contribuiria para os trabalhos de nossos irmãos. Mas conforme seu desprendimento for acontecendo e sua dedicação em escrever sobre suas vivências espirituais forem ganhando forma, estes e muitos outros irmãos da espiritualidade maior que já lhe observam de outras cidades, organizarão encontros onde poderás conhecer nossos irmãos maiores e receber informações preciosas para o esclarecimento de nossos irmãos encarnados.
Diante da movimentação de outras entidades ao longo da enorme praça que circundava aquela catedral, perguntei para Bartolomeu se a cidade não descansava à noite. Ele disse que sim, mas não como na Terra.
-A espiritualidade tem diferenças acentuadas com relação à zona densa da matéria corporificada, onde se processam as atividades dos encarnados. O cansaço físico, resultado da jornada de trabalho na Terra, exige um repouso mínimo para serem repostas as energias e restabelecida a condição física. Na espiritualidade o repouso não necessita de tanto tempo. Mas os irmãos aproveitam essas horas para desenvolverem seus estudos e aprimoramentos. Na espiritualidade também se estuda muito e se busca a evolução.
-Bartolomeu, é possível descer para conhecer a praça e este prédio?
-Charles, no momento tem outro compromisso nos aguardando e necessitamos seguir. Para sua melhor compreensão do plano espiritual, recebemos permissão para conhecermos o plano espiritual em zona imediatamente superior ao da cidade Nosso Lar. Esta nave tem a tecnologia necessária para nos transportar em diversas zonas espirituais. Logicamente que ela também tem suas limitações, como é o caso de adentrarmos nas regiões espirituais mais elevadas, cuja nossa tecnologia ainda não atingiu tal condição. De qualquer sorte, os potenciais espirituais a que estamos sendo levados pela permissão de Deus, que você verá e escreverá, correspondem aos próprios conhecimentos a que os encarnados estão condicionados a receber. Os teus relatos sobre estas e outras cidades, apontarão a magnitude dos mundos que se interpenetram e estimularão pensamentos e estudos que se dedicarão em conhecer esses universos que se encontram em linhas de tempo, frequência e densidade material diferente.
Imediatamente Bartolomeu solicitou para Anastácio se estávamos no tempo para subirmos até a cidade Luz Divina. Diante da afirmativa, Bartolomeu dirigiu a palavra para mim.
-Preste atenção no que vai acontecer agora.
Reparei que a nave parecia ter se tornando translúcida. Onde era vidro, parecia não ter mais nada. Já no restante da nave, tudo parecia ter ficado como uma vibração de ar quente, semelhante ao que vemos, à distância, no reflexo do asfalto quente. Dessa mesma forma estávamos nós.
Levei a mão até o vidro. Quando o toquei, Bartolomeu explicou a situação.
-A nave assumiu uma condição de termoeletricidade que nos conduziu para outra dimensão do espaço-tempo, numa condição material mais sutil. Para a população da cidade Nosso Lar, ficamos invisíveis; ou desaparecemos. Somente os irmãos mais evoluídos, com a vidência desenvolvida, podem nos ver. A situação é semelhante à mediunidade dos videntes encarnados. Agora repare o nosso novo destino. Irmão Anastácio, pode subir.
Observei a cidade Nosso Lar ficar cada vez mais longe, lá em baixo. De repente, também abaixo, mas a distâncias diferentes, vi ao longe, diversas outras formações de cidades semelhantes ao Nosso Lar. Elas estavam em todas as direções. Não consegui contar, mas eram mais de vinte, com certeza.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Referência na Terra para a Cidade Espiritual “Nosso Lar” – O Caminho de Luz – Parte II

Estacionados ainda diante daquela grande montanha, Bartolomeu solicitou ao nosso piloto, Anastácio, que se aproximasse um pouco mais da praia, para observarmos o local de cerimônia religiosa dos pajés Tamoios.
Ficamos estacionados no ar, a aproximadamente vinte metros da pequena praia. Reparei de perto as características que se desenhavam na montanha. Pude ver com maior riqueza de detalhes, ainda em meio a escuridão da noite, que bem ao centro dela, havia uma trilha em meio a vegetação, desenhando uma estrada para o céu. Nesse instante, Bartolomeu solicitou ao nosso piloto que emitisse o raio de localização.
De baixo da nave, então, saiu um raio de luz como o farol de um carro, com a luz em tom de azul bem claro. Essa luz foi direcionada desde a água do mar até a pequena praia, desfazendo a escuridão. Quando foi iluminada determinada localização da praia, pude ver focos de luz igual a material fosforescente. Ali na areia, diversos focos dessa luz eram destacados pelo facho de luz da nave, como se a refletissem.
Bartolomeu explicou aquela fosforescência como resultante do magnetismo da fé dos Tamoios.
-Veja como a fé dos Tamoios deixou seu registro. Ali estão diversos despojos dos nativos, magnetizados em longas cerimônias religiosas. Nós vamos seguir a trilha desse magnetismo com o auxílio de nosso localizador. Você verá, dessa forma, todo o caminho que os pajés construíram até a região onde foi erguida a cidade Nosso Lar. Na tradição religiosa desses irmãos, quando desencarnava um Tamoio, a tribo presenteava o falecido com armas e objetos úteis para auxiliá-lo no caminho até o mundo espiritual, numa terra sem mal e onde estavam seus ancestrais. Essa seria uma jornada de perigo, de acordo com eles. Por isso, cabia ao desencarnado ter confiança em si próprio e coragem para enfrentar a jornada. Os pajés orientavam incansavelmente sobre a ligação mental que o desencarnado deveria fazer com os ancestrais, para auxiliar na jornada. Dessa forma, ao Tamoio, quando do desencarne, seu espírito não poderia ficar parado na sepultura, deveria mentalizar seus ancestrais e entrar na mata com a certeza de buscar o caminho para o Guajupiá, onde encontraria a aldeia espiritual na qual estavam vivendo seus ancestrais. O magnetismo dos ancestrais desencarnados, que oravam do plano espiritual pelo irmão que desencarnara, somado ao magnetismo da cerimônia de dança e canto, executado pela tribo e pelos pajés encarnados, ladrilhou uma trilha, da mata ao céu, que indicava ao espírito o caminho para a aldeia localizada na espiritualidade. Nós vamos seguir, agora, essa trilha magnetizada pelos Tamoios.
Nesse instante, a luz da nave passou a focar um rastro de amarelo fosforescente, de aproximadamente um metro de largura, muito semelhante a um corredor de cacos de vidro jogados ao chão. Na medida em que o foco ia acompanhando aquela trilha no meio da mata, subindo a montanha, a nave também começou a subir. A trilha tinha sua continuidade além do topo da montanha. Ela continuava numa montanha no plano espiritual. É como se aquela montanha da Terra se estendesse muito além do seu tamanho material.
Aquele magnetismo, destacado pelo facho de luz da nave, serpenteava toda a subida daquela montanha do mundo espiritual. Ao longo dela, pude notar que existiam diversas outras que a cruzavam. Porém, só o começo dessas outras trilhas era fosforescente, sua continuidade logo se perdia na escuridão.
Subimos muito. A praia se perdeu de vista. E entre a visão de uma montanha espiritual, também se via agora, lá embaixo, o continente e o mar. Logo percebi aquela fosforescência assumindo forma mais estendida no terreno, de forma que a trilha ia ganhando maior largura, já destacando que estávamos nos aproximando do topo da montanha espiritual.
Num determinado ponto, a montanha passou a diminuir sua verticalidade. Nisso a nave passou a andar para frente, como se estivéssemos subindo um morro de pequena elevação. A trilha não estava mais à nossa frente. Agora ela estava abaixo da nave. Andamos pouca distância nesse sentido e a nave reduziu sua velocidade. Foi quando vi a uns trezentos metros à frente, uma enorme muralha. Nesse ponto a nave parou. E dali, o facho de luz da nave percorria todo o terreno. Era possível ver por toda parte o brilho fosforescente. Também ali em cima a noite era mais iluminada. As estrelas tinham um brilho mais intenso e dava a impressão de estar olhando para um campo em noite de lua cheia.
Bartolomeu explicou, então, onde estávamos.
-O que você vê à frente, é a Cidade Nosso Lar. Seu muro parece hermeticamente fechado, sem porta de acesso. Mas ela está localizada naquele arco central que se destaca no muro. Como estamos na nave, nossa entrada será sem problemas, por sobre o muro. Paramos aqui para que o Anastácio estabeleça a conexão de frequência para ingressarmos na cidade.
Depois de um ou dois segundos, Anastácio disse ter recebido o itinerário aéreo a ser percorrido. Bartolomeu agradeceu a Deus e ao Anastácio pela oportunidade de me conduzir numa cidade que vibra amor.
-Obrigado nosso Pai amado pela oportunidade concedida. Obrigado a você Anastácio, por nos conduzir nesse plano de vibrações amorosas. Pai querido, encha de luz e amor o nosso irmão Anastácio.
É incrível o que uma oração, parecendo tão simples, pode fazer. No momento que Bartolomeu pediu luz e amor, pelo vidro da nave parecia entrar um vapor de luminosidade azul celeste com diversos fiapos dourados, como se fossem fios de mercúrio escorrendo pelo ar. Suavemente essas linhas douradas iam se desfazendo ao tocar em nós, como se estivesse sendo absorvida.
Anastácio agradeceu o carinho. Disse que era apenas um humilde e dedicado trabalhador, um pequenino servo de Deus.
Tive uma sensação de grande leveza. Meu pensamento ficou calmo com relação a toda curiosidade e ansiedade em conhecer a cidade Nosso Lar.