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terça-feira, 29 de março de 2011

A Cidade Espiritual Santa Maria – Parte I

Na madrugada de 21 de março de 2011, o mentor Bartolomeu levou-me para conhecer a Cidade Espiritual Santa Maria. No caminho perguntei se a referida cidade tinha alguma relação com a que se encontra no centro do Estado do Rio Grande do Sul. Bartolomeu explicou que a relação se dava pelo fato de cidadãos santa-marienses serem os fundadores da Cidade Espiritual.
-Foi no século XIX quando Irmãos santa-marienses fundaram a Cidade Espiritual Santa Maria. Na época, esses Irmãos optaram por construir a Cidade nas imediações da região metropolitana de Porto Alegre. A Cidade Espiritual ficou localizada quase sobre a cidade terrena de Guaíba. A situação dessa Cidade Espiritual, em relação à distância das regiões umbralinas, lhe dá certo conforto quanto à possibilidade de acesso de Irmãos oriundos do Umbral. Veremos que para chegar à cidade, a geografia Espiritual é extremamente íngreme e os Espíritos devem ter desenvolvido a condição de volitar para vencer esses obstáculos naturais.
De fato. Bartolomeu falava da região onde nos encontrávamos. A impressão que tinha era de estarmos indo em direção Oeste. Ao nosso redor, ainda que fosse com baixa luminosidade, num ambiente de penumbra, a Lua Cheia permitia que eu visualizasse nossa caminhada por uma espécie de canyon. Como se o local fora esculpido, em passado remoto, por um rio. Olhando para cima, via extensos paredões de rochas, com altura entorno de um quilômetro ou mais. A impressão era de estarmos num abismo, onde a vegetação aumentava a sensação de desolação. No alto, no céu, a Lua cheia iluminava o abismo. O chão era formado por pedras arredondadas, como se estivéssemos caminhando pelo leito de um local onde um dia correu um rio.
Bartolomeu percebeu minha curiosidade e explicou sobre o leito do rio.
-Não se impressione. Aqui é o leito de um rio. No momento ele está seco devido à época do ano. Mas a partir do inverno na Terra, aqui correrá muita água. As chuvas trarão para esse ambiente uma higienização necessária aos fluidos que sobem do Umbral. Assim como ocorre na Terra, aqui também há chuvas inesperadas. Essas chuvas provocam cheias e arrastam fluidos e entidades de volta para o Umbral.
Depois de caminharmos por alguns minutos, vi o aumento da luminosidade bem no alto do paredão. A luminosidade se assemelhava aquela que vemos à noite, a se irradiar dos estádios de futebol. De imediato, apontando para o alto, perguntei para Bartolomeu:
-Por acaso, aquela luminosidade lá em cima é originária da Cidade Espiritual Santa Maria?
-Sim! Lá está a Cidade Espiritual Santa Maria. Veja que não tem condições para subir. Essa geografia da região serve como defesa natural da Cidade. Escalar essas paredes é impossível. A altitude daqui até a Cidade fica em pouco mais de dois quilômetros.
Bartolomeu olhou para cima e disse para lhe acompanhar.
-Charles. Vamos subir. Acompanhe-me.
Começamos a volitar com certa velocidade. Pude observar alguns detalhes do paredão de rochas. A impressão era de estar dentro do canyon do Itaimbézinho.
Chegando ao topo do desfiladeiro, pude ver um grande descampado. A luminosidade da Lua se confundia com a da Cidade Espiritual Santa Maria. Logo adiante, uns duzentos metros, as casas delimitavam o início da Cidade, sem muros.
As casas eram semelhantes as que vemos nos condomínios residenciais. Todas elas tinham seus jardins e árvores.
Bartolomeu falou sobre a Cidade:
-Veja Charles. Aqui não há muros. Como disse, a Cidade está numa região que se beneficia da geografia Espiritual. Muitos dos fundadores buscaram esse local com o objetivo de propiciar o recebimento de Irmãos que desencarnam em estágio infantil ou adolescente. A chegada dessas crianças, sempre acompanhada dos Irmãos responsáveis pelos resgates, possibilita uma adaptação peculiar, pois elas logo observam a Cidade com suas casas, avenidas e moradores. A ausência dos muros estabelece uma maior receptividade das crianças que aqui chegam sem a companhia daqueles que foram seus pais na Terra. Mas vamos conhecer as suas importâncias relativas ao trabalho caritativo.
Depois de caminharmos a distância que separa o abismo do início da cidade, todo ele de um gramado baixo, entramos por uma enorme avenida.
Apesar de ser noite, a luz da Lua se assemelhava a um Sol no início de um amanhecer. Nas casas, diversas varandas tinham suas luzes acessas. A iluminação pública, formada por postes semelhantes a lâmpadas fluorescentes, produzia uma luminosidade muito aprazível. Também havia grande movimentação de pessoas. Muitas estavam em grupos, nas suas varandas, conversando.
Era impressionante o quanto elas nos observavam durante nossa passagem. Entre sorrisos e olhares seguidores, perguntei ao mentor Bartolomeu sobre a nossa condição e o fato de todos nos observarem.
-Bartolomeu. Vejo diversas entidades sentadas em suas varandas, formando pequenos grupos e conversando. Mas a impressão que tenho é de que estão falando de nós. Afinal, estamos entrando onde não devíamos?
-Veja como são as coisas. Para esses Irmãos você é como um assombro. O fato de estar encarnado e de estar visitando a Cidade deixa todos eles curiosos sobre sua condição. Não fosse o conhecimento de desapego ao plano terreno, muitos estariam te rodeando para saber notícias da Terra. Mas não se impressione. Aproveite a oportunidade concedida pelo nosso Pai Celestial e preste atenção ao ambiente que te cerca. Procure fixar sua atenção em toda a paisagem afim de que possas descrever sobre esse local. Logo estaremos no nosso destino.
A nossa caminhada pela avenida chamava a atenção de todos. Pude ver logo na nossa frente que a avenida nos encaminhava para uma praça. No centro da praça se erguia um enorme chafariz, com um esguicho d'água de uns dez metros. A água, que descia do esguicho sobre si mesmo, numa tonalidade branca, parecia estar sendo iluminada internamente.
Árvores altas e floridas, que se estendiam pelas laterais da avenida, formavam um circulo no entorno do chafariz. Um gramado formava extenso corredor verde onde estavam essas árvores frondosas.
Já na praça pude ver o calçamento feito de mosaicos de pedras. O chafariz era muito grande, algo em torno de uns cem metros de diâmetro. Também no seu entorno tinha um gramado baixo, formando um tapete verde de uns dois metros de largura. Dali desse gramado que circundava o chafariz, até as frondosas árvores, que também o circundavam, a distância era de uns cem metros. Tanto em baixo das árvores como junto ao chafariz, existiam bancos onde alguns estavam ocupados por entidades.
Bartolomeu fez algumas observações sobre o local.
-Aqui temos momentos de muito conforto Espiritual. Essa água, o espaço aberto, o céu iluminado, o aconchego dos bancos e o ar puro elevam nossos pensamentos. Quando visitamos as praças, seja na Espiritualidade ou na Terra, temos que absorver em nosso íntimo o que de melhor elas nos podem dar. Agora vamos andando, visto o tempo ser curto.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Recepção aos recém desencarnados

Numa certa madrugada, quando estava quase amanhecendo, estava em desdobramento na companhia de Bartolomeu quando ele convidou-me para conhecer um local onde as entidades recebem irmãos recém desencarnados, encaminhando-os à Cidade Espiritual Horizonte de Luz, que está localizada entre Caxias do Sul e Farroupilha, no Rio Grande do Sul.
Chegamos numa determinada rua da cidade de Caxias do Sul, nas proximidades do cemitério da cidade, onde tivemos que subir alguns metros por uma rua espiritual. A rua da cidade tinha uma continuação no plano espiritual que terminava num espaço aberto, semelhante a uma praça. Ao redor desse local, uma vegetação igual a cerca viva, estabelecia os limites daquele espaço retangular. O chão era pavimentado com lages de pedras quadradas de uns 30 cm, na cor branca, e todas perfeitamente unidas. Ao centro existia uma mesa coberta por uma toalha branca e com alguns tipos de doces e sucos.
Diversas entidades estavam ali conversando. Conheci algumas encarnadas e também outras desencarnadas.
Bartolomeu explicou sobre o local:
-Charles, aqui está um dos locais, junto da crosta da Terra, onde nossos irmãos e irmãs estabelecem um encontro festivo para os recém desencarnados. Todos os desencarnes conscientes, de irmãos dedicados à Espiritualidade, em doar-se ao próximo e que conservaram seu pensamento em união com Deus, são trazidos até aqui pelos irmãos da Espiritualidade. Este é um momento de despedida da Terra e também de festividade pela chegada ao Plano Espiritual. Os irmãos e irmãs que são trazidos para essa festividade, estão mentalmente ligados à Espiritualidade Maior e não passarão pelo umbral. Como você pode ver, aqui também estão irmãos e irmãs que ainda estão encarnados, mas que nesse momento, em desdobramento, chegam aqui para se despedir de familiares que desencarnaram.
-Mas Bartolomeu, estou vendo uma mesa com doces e jarras com sucos coloridos. Como pode ser, se os espíritos não necessitam mais de alimentos?
-Todos que desencarnam necessitam de um momento de adaptação às condições da espiritualidade. Aqui os irmãos que desencarnaram recentemente são recebidos com doces e sucos trabalhados pelas irmãs que um dia também trabalharam como doceiras na Terra. E todo o irmão ou irmã que recebe uma festividade como esta, sente-se muito bem acolhidos e felizes. Aqui eles conhecem orientadores da espiritualidade que os conduzirão até a cidade Horizonte de Luz. Lá na cidade eles terão todo o acompanhamento necessário e a orientação adequada para se desfazerem das necessidades do corpo. Por ora, o momento é de alegria. Serve para amenizar a distância que surgirá temporariamente dos familiares e amigos queridos que deixou na Terra e de encontrar novos irmãos que auxiliarão na evolução.
Aproximamos-nos da mesa. Diversas entidades estavam ao seu entorno. De fato, a felicidade era perfeitamente visível na fisionomia de todos que estavam ali. Muitos se abraçavam e conversavam com muita alegria e curiosidade sobre o destino. Encontrei pessoas que conhecera e desencarnara já há uns cinco anos. Também tinham pessoas que ainda estão encarnadas.
Deveria haver umas doze entidades que haviam desencarnado recentemente. Duas delas me abraçaram e externaram a grande alegria de estarem ali. Uma delas destacou a alegria de ir para a cidade Horizonte de Luz, onde lhe disseram que há uma residência onde irmãos já estariam aguardando pela sua chegada.
Conversei com a irmã responsável pelos doces. Ela explicou que todos aqueles doces eram trabalhados na sua própria residência na cidade Horizonte de Luz, e que recebeu a permissão para desenvolver aquela atividade junto aos recém desencarnados, amenizando qualquer tipo de sofrimento pela separação.
Depois de conversar com diversas entidades, perguntei ao Bartolomeu se esse tipo de recepção era comum. Bartolomeu comentou que aquele tipo de atividade ainda não era muito difundido.
-Charles, a Espiritualidade Maior trabalha sempre no sentido de acelerar o processo de evolução dos irmãos menores. Para tanto, cada um procura se integrar nessas atividades na exata medida que pode contribuir com a Espiritualidade e para a evolução de si e dos outros irmãos. Aqui nós temos irmãs que outrora desempenharam a atividade de doceiras na Terra, e que hoje encontraram nessa mesma atividade, só que na Espiritualidade, um caminho para auxiliar os recém desencarnados, possibilitando um encontro de alegria e esperança. Ainda são poucas as cidades na Terra que recebem esse tipo de atividade. Mas pelos resultados positivos que vem acumulando, certamente essas irmãs ampliarão seus exemplos para outras cidades.
Vendo que o Sol já iluminava toda aquela área, e que eu teria de retornar ao corpo, perguntei ao Bartolomeu se eu poderia conhecer a cidade Horizonte de Luz. Ele respondeu que no tempo oportuno eu poderia visitar. Nisso ele orientou para eu retornar ao corpo, pois já estava ficando tarde. Nesse dia retornei ao corpo às 7h15min.