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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Departamento da Encarnação – Parte II

Não demorou muito e logo uma entidade veio ao nosso encontro. Ela saiu do corredor ao fundo da sala onde estávamos. Aproximando de nós disse:
-Sejam bem-vindos meus Irmãos queridos. Que nosso bom Deus derrame muita luz e paz em vossos corações. Podem me chamar de Romildo. Aqui estamos todos muito atarefados com os trabalhos de encaminhamentos dos que necessitam descer para iniciar os procedimentos de aproximação aos trabalhos de encarne. Mas eu estou à disposição para cumprir a tarefa de acompanhá-los até ao veículo que conduzirá os encarnantes para a Terra. Sou um dos assistentes responsáveis em receber e conduzir os encarnantes para os trabalhos de iniciação. Meu querido Irmão Bartolomeu, conforme nosso combinado, dentro das condições estabelecidas pelos dirigentes do Departamento, nosso Irmão Charles nos acompanhar ao interior do pátio, onde nosso transporte já está sendo ocupado pelos encarnantes e seus Irmãos e Irmãs responsáveis pelos trabalhos de facilitação dos processos encarnatórios.
Bartolomeu agradeceu a atenção do Assistente Romildo:
-Irmão Romildo! Muito agradecido pelo abnegado desprendimento em nos atender. Rezo por você e pelos bons trabalhos executados por todos os Irmãos e Irmãs do Departamento. Conforme conversamos outrora, quando dos preparativos e agendamento da nossa visita, trouxe nosso Irmão Charles para visualizar e relatar, mesmo sem grandes detalhamentos específicos, sobre o encaminhamento dos encarnantes. Nosso Pai Celestial autorizou esse trabalho cujo propósito é facilitar a compreensão sobre os trabalhos da Espiritualidade, que se abrem aos olhares verdugos daqueles ainda insensíveis ao mundo invisível e acalenta os corações de todos os sabedores da relação entre o mundo terreno e a Espiritualidade.
-Certamente! -Disse Romildo- Os trabalhos do Departamento da Encarnação estão intimamente conectados aos encarnados, mesmo àqueles que preferem ignorar a existência do Mundo Espiritual. Mas sabemos perfeitamente que tal cegueira é temporária e não demora a humanidade toda terá provas dessa relação.
O assistente Romildo vestia um jaleco branco comprido até a altura dos joelhos. Sua fisionomia era de um senhor de aproximadamente setenta anos, com cabelos brancos. Sua maneira de falar era calma, lenta e compassada. Com olhar penetrante e trazendo um leve sorriso, proporcionava um encantamento cativante. Dirigindo-se a mim, comentou:
-Irmão Charles! Que nosso bom Deus permita muita luz em sua jornada em direção ao progresso. Saiba meu Irmão, aquilo que muitos encarnados consideram como situações de desamparo, ou como maldades produzidas pelas circunstâncias e que afetam o conforto material e moral dos encarnados, nada mais são do que a ação de forças a despertar o Espírito que as sofre para o progresso. Muitos dão passos importantes em direção ao nosso bondoso Pai quando sofrem reveses materiais, perdas sentimentais ou flagelos de algum gênero. Aqui no Departamento, instruímos os encarnantes a destacar em seu planejamento o encontro com determinadas situações que lhe despertem para o Amor de nosso Pai e para sua própria evolução Espiritual. Muitos que lerem a descrição que fizeres sobre nosso Departamento, poderão recobrar imagens dos momentos antecedentes à encarnação. Você mesmo, meu Irmão, já passou por diversos centros de trabalhos dedicados à encarnação, assim como todos os Espíritos, encarnados ou não. Mas agora vamos passar para o pátio interno, onde nosso transporte nos aguarda. Estamos quase no momento da partida e devemos chegar à crosta antes que amanheça nas cidades terrenas de nossa circunscrição.
Colocando sua mão sobre meu ombro, indicou o caminho. Entramos no corredor que conduzia ao interior do Departamento. Alguns metros à frente havia uma abertura à nossa direita. Dali foi possível visualizar um grande espaço semelhante a uma praça. Havia canteiros com flores, árvores de pequeno porte, um chafariz e duas áreas, uma em cada lateral onde estavam estacionados dois aeróbus.
Dessa abertura, na minha esquerda, havia uma escadaria que ligava o pátio aos andares superiores do Departamento. Também ao longo da fachada que circundava o pátio, com tamanho um pouco menor do que um campo de futebol, estavam localizadas diversas portas.
Romildo nos levou até o aeróbus estacionado na nossa direita. A impressão era de estar atravessando uma praça. Durante esse pequeno trajeto, presenciei a revoada de pequenos pássaros amarelos. Suas asas, ao voar, pareciam acender uma luz lilás.
-Muito bem meu Irmão Charles! Nossos Irmãos Superiores lhe dão as boas vindas e desejam felicidades aos encarnantes e seus guias. -Disse Romildo.
Diante da curiosidade e da incompreensão do que disse Romildo, Bartolomeu buscou esclarecer.
-Charles! A Espiritualidade tem muitas maneiras para se manifestar. Essa revoada de pássaros é uma delas. A Espiritualidade Superior serve-se desses Irmãozinhos menores para iluminar e encher de alegria os corações dos encarnantes e seus guias.
Romildo orientou para nos acomodarmos no aeróbus, pois o mesmo já iria partir. Ali dentro estavam umas cinquenta entidades. Havia diversas entidades vestindo jalecos de cores em tons claros. Essas eram as entidades guias dos encarnantes, conforme explicação do assistente Romildo. Junto dessas entidades e mesmo no colo de algumas, havia crianças e adolescentes; esses eram os encarnantes.
Quando a porta do aeróbus foi fechada, as entidades guias iniciaram a oração do “Pai Nosso”, ao que, de ato contínuo, também acompanhei. O aeróbus iniciou sua subida. Pela janela era possível observar nosso distanciamento do pátio do Departamento. Em seguida, depois de tomar certa altura, o aeróbus passou a andar em grande velocidade. A cidade Horizonte de Luz, ao ficar para trás, parecia ter desaparecido instantaneamente de minha visão. No momento que terminou a oração iniciada ainda no Departamento, o aeróbus estacionou num local entre Caxias do Sul e Farroupilha, numa localidade de estrada de chão. A penumbra do amanhecer destacava o pálido brilho do Sol no horizonte.
As duplas foram saindo do aeróbus. Todas estavam sorridentes e desejando sorte e felicidades reciprocamente. Enquanto elas desciam do aeróbus, uma chuva caía sobre todos. Mas essa chuva não molhava o chão de terra da estrada onde estávamos. Bartolomeu explicou serem as bênçãos da Espiritualidade Superior para os encarnantes e seus guias.
Quando desci do aeróbus, Romildo e Bartolomeu conversaram rapidamente. Romildo agradeceu pela oportunidade. Bartolomeu destacou sobre os trabalhos de desprendimento do Irmão Romildo e orientou para eu retornar; o que fiz após agradecer e me despedir de ambos.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Departamento da Encarnação – Parte I

Na madrugada do dia 13 de julho de 2011, fui levado pelo mentor Bartolomeu para a cidade espiritual Horizonte de Luz. Chegamos diante de majestoso prédio, com a frente toda envidraçada. Com porta de entrada larga, de uns cinco metros aproximadamente, compunha-se de duas colunas em granito claro a formar a fachada. Nas colunas, de um metro de largura cada uma, estavam inscritas mensagens de perseverança e amor. Bartolomeu, antes de entrarmos nos prédio, fez-me aproximar de uma das colunas e comentou:
-Charles! Estamos no Departamento da Encarnação. Aqui são encaminhados os Irmãos e Irmãs para novas romagens na Terra. Veja os inscritos nessas colunas. São frases de estímulo e coragem. Quando é chegado o momento da despedida dos que aqui vivem, para retomar as vestimentas da carne, destinada ao progresso, conhecimento e esclarecimento, muitos são os amigos e familiares que acompanham o encarnante até essa entrada. Não é aconselhavam aos mesmos acompanhar o encarnante para dentro do prédio, visto que aqui as atividades se destinam especificamente ao encarnante.
Interrompi o comentário de Bartolomeu com uma questão que me saltou:
-Por que não podem acompanhar o encarnante?
-Vou lhe explicar com uma imagem comparativa. Na Terra, quando alguém é internado em um hospital para receber um tratamento cirúrgico, por exemplo, esse paciente terá uma atenção específica da equipe médica que procederá a cirurgia. Nesse exemplo, você pode delongar da inutilidade ou mesmo da inoportuna presença e acompanhamento de quem não se destina ao tratamento. Assim é no Departamento da Encarnação. Os trabalhos aqui se destinam exclusivamente ao encarnante e a equipe de trabalhadores dará maior atenção ao mesmo. Veja essas frases nas colunas de entrada ao Departamento.
Li algumas frases, sendo que lembro de algumas:
“Ao adentrar, lembre sempre da missão que Deus lhe confiou: Evoluir Sempre!”
“Confia em ti! Pois nós confiamos sempre em você!”
“Assim como Deus está contigo, nós também sempre estaremos.”
“Viva! Viva feliz! E segue no caminho do bem diante de todas as experiências na Terra.”
“Confia sempre! Enquanto estiveres na Terra, muitos aqui estarão orando por ti! Todos os dias!”
“Deus te confiou à grande missão: encarnar e auxiliar na sua criação.”
Bartolomeu orientou para entrarmos:
-Vamos entrar e aguardar um pouco aqui na Sala de Recepção do Departamento. Estamos autorizados para ficarmos aqui. Tão logo seja anunciado, poderemos nos dirigir ao pátio. Como lhe expliquei, não estamos autorizados em participar ou presenciar as atividades relativas aos encarnantes.
A Sala era muito grande. O assoalho era em granito claro, da mesma cor das colunas, tendo tonalidades diversas que variavam do bege claro ao branco. A Sala media uns dez metros de profundidade, por vinte de largura. Diversas poltronas com almofadas preenchiam a Sala, tendo vasos com folhagens e flores ao lado das mesmas. A altura do teto era de uns quinze metros, de onde pendiam luminárias que formavam um círculo de tubos de diferentes comprimentos e nas cores branca, azul claro, violeta e amarela, tendo ao centro e pouco mais abaixo dos tubos, também sustentado por um cabo, um globo azul representando a Terra. Ao fundo e de frente para a entrada, uma parede estava mais adiantada da outra e por onde está o corredor de acesso ao interior do Departamento.
Havia um aroma de jasmim no ar. Também um som de piano, que não sei de onde saia, tronava ainda mais agradável o ambiente.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Unidade Espiritual da Luz

Em desdobramento, na madrugada de 19 de maio de 2011, o Mentor Bartolomeu conduziu-me para a cidade de Caxias do Sul. Chegamos à principal avenida da cidade, diante de importante escola localizada na região oeste. Nesse ponto, Bartolomeu solicitou para volitarmos e começamos a descer em direção ao viaduto, localizado logo abaixo de onde estávamos. Volitávamos a uns três metros do chão.
O motivo de volitarmos decorria do fato de haver grande quantidade de transeuntes na avenida. Assim poderíamos observar a movimentação das almas sem perturbar o transcurso das mesmas. As almas se deslocavam como se estivessem exercendo suas atividades diárias, indo ou vindo dos serviços terrenos.
Bartolomeu esclareceu sobre o estado das almas:
-Charles! Veja quantos Irmãos e Irmãs, durante o repouso do corpo, continuam apegados às rotinas terrenas e à suas atividades peculiares. Todos aqui parecem estar preocupados com os embaraços profissionais atinentes à vida terrena. Seria prudente aos encarnados aproveitarem as horas de descanso para unirem-se aos benfeitores espirituais e recarregarem suas forças para as rotinas diárias que cobram o desprendimento emocional dos bens materiais. Assim sofreriam menos. Muitos desses, ao despertar, levam consigo a fadiga absorvida durante o momento que deveria ser destinada ao repouso do corpo e enriquecimento do Espírito. Acordam cansados e não raras são às vezes a se queixar de noites mal dormidas. Mas vamos seguir, temos um encontro em uma Unidade da Espiritualidade localizada nas imediações dessa cidade e sobre uma região do umbral ainda desconhecida para ti.
Volitando agora a uns quinze metros do chão, fomos em direção ao estádio de futebol, passando por sobre o cemitério da cidade e, seguindo em frente, passamos sobre uma unidade dos bombeiros e de um posto de saúde. Ali viramos à esquerda e descemos a rua voltando a volitar próximo ao chão.
Duas quadras após o posto de saúde vi no alto, na minha direita, a aproximadamente uns cinquenta metros do chão, uma entidade que já havia visto em outras ocasiões. A entidade era diferente. De estatura baixa, trajava roupas brancas com bordados em prata. Pelo que percebi, tratava-se de uma mulher. Ao seu lado, também parado no ar, havia uma ave com plumagem também branca, sendo que na cabeça se destacavam penas prateadas. Era semelhante a um falcão, porém as penas eram muito longas.
Nesse momento em que olhei para aquela entidade, parei e questionei o Mentor Bartolomeu.
-Bartolomeu! Já vi aquela entidade em outro local e momento, durante nossas caminhadas. Afinal, quem é?
-Meu querido Irmão, nossa Irmã está nos acompanhando já de longa data. Trata-se de uma Irmã extraterrestre buscando aproximação com você. Ela recebeu permissão do Alto para iniciar essa aproximação. Já há muito ela e outros iguais labutam por um momento de reencontro. Apesar da evolução já atingida, ela está mantendo a imagem de uma encarnação em comum e útil para vossa aproximação.
-Bartolomeu! Você quer dizer que aquela entidade e eu estivemos encarnados em algum momento do passado?
-Sim! Mas não só ela. Outros também. Meu Irmão, não se impressione. Assim são as coisas na Espiritualidade. Sempre Irmãos e Irmãs que nos foram familiares buscam aproximação. Mas no seu caso o diálogo com essa Irmã e os outros que a acompanham à distância, ainda deve demorar mais um pouco. Hoje temos outra atividade e essa parada nos impossibilitou de presenciarmos a abertura do encontro.
-Mas eu não posso ao menos conversar rapidamente com ela. Saber quem ela é e de onde vêm?
-A permissão para esse diálogo está concedida somente após uma preparação do seu emocional. No momento apenas pode ocorrer à aproximação visual. Note que nossa Irmã apresenta fisionomia diferente dos Irmãos terrenos. Mas não tenha pressa. Assim como você, ela também deseja muito conversar com você. Porém, a paciência é uma virtude. Ela bem sabe da necessidade desse distanciamento necessário. Assim poderemos evitar qualquer tipo de choque em sua consciência. Mas vamos andando.
Contrariando as argumentações de Bartolomeu, disse que iria tentar aproximação. O Mentor concordou, dizendo que seria inútil a tentativa, mas que poderia tentar.
Passei a chamar a atenção da entidade que continuou parada no ar, apenas a nos observar. Imediatamente passei a volitar em sua direção. Mas como num piscar de olhos, ela e a ave sumiram.
Bartolomeu vendo a situação procurou contornar.
-Charles! Meu Irmão! Tudo no Universo obedece a uma ordem. Não seria diferente em seu caso. O Alto autorizou a aproximação com o objetivo também de lhe poupar por algum motivo que ainda lhe é desconhecido. Cabe a nós respeitar. Essa nossa Irmã também sabe disso e buscou proteger seu psicológico ao evadir-se de seu campo de visão. Posso te dizer que ela continua por aqui, a te observar. Mas deixe o momento amadurecer. Agora que estamos aqui, vamos para nosso destino.
Consternado pelo momento, consenti sobre a necessidade do tempo. Dali do alto onde estávamos, passamos a subir mais. Imediatamente o ambiente todo mudou. Entramos em uma região extremamente escura. O ar, carregado de umidade, tinha um cheiro de mofo. Espantado, sem poder ver nada, chamei pelo Bartolomeu.
-Bartolomeu! Onde estamos? Não vejo nada! É muito escuro aqui.
Logo senti a mão de Bartolomeu pegar a minha.
-Calma. Estamos atravessando uma região característica do Umbral, de extrema escuridão. Sua amargura, vivenciada há instantes com a entidade, pela desventura no desejo não atendido em conversar com nossa Irma, também contribuiu para acentuar as características desse ambiente umbralino. Mas já estamos chegando a uma importante Unidade da Espiritualidade com trabalhadores dedicados em resgatar nessas regiões de escuridão. Estamos atrasados para a palestra, de forma que vamos direto para a sala da conferência, sem mais demora.
Logo me vi entrando em uma sala muito acolhedora. Acredito que ali havia umas trinta entidades. Pude reconhecer algumas delas como encarnadas. Todos estavam sentados em cadeiras. Diante deles havia um senhor careca e de cavanhaque grisalho proferindo a palestra. Chegamos já no seu encerramento. O painelista estava falando de São Jerônimo, o leão e os ensinamentos deixados pelo nobre Irmão.
Ao lado, notei uma mesa onde havia alguns folhetos e livros disponíveis para serem levados pelas entidades. Atrás do painelista havia uma tela da proporção da parede, retratando São Jerônimo escrevendo, tendo a seu lado um leão.
Ao terminar a palestra as entidades ali presentes logo se retiraram. O painelista então se aproximou de mim e de Bartolomeu.
-Meu querido Irmão Bartolomeu! Que Deus lhe ilumine! Desculpe-me, mas não pude esperar a chegada de vocês. Meu querido Irmão Charles! Que Deus derrame muita luz em seu caminho! Perdoe-me! Sou seu humilde servo Irmão Antônio, instrutor das atividades aqui na Unidade Espiritual da Luz. Como temos diversas atividades de socorro e resgates nessa região, temos que trabalhar sem atrasos. Mas certamente nosso Irmão Charles irá aproveitar tudo que aprendeu nessa sua caminhada até aqui. Também sugiro que leias sobre nosso querido Irmão São Jerônimo.
Bartolomeu agradeceu ao Antônio e justificou o atraso como decorrência de ensinamentos que eu necessitava antes da chegada na Unidade. Disse também sobre a importância de eu conhecer sobre a Unidade Espiritual da Luz e a região umbralina onde são exercidas as atividades dos abnegados trabalhadores.
O Irmão Antônio destacou que aquela região era uma das mais escuras do Umbral, onde a dor e o sofrimento se somavam ao profundo isolamento a que se submetiam os Irmãos ao desencarnar. As atividades ali contavam com o auxílio de muitos trabalhadores encarnados, dedicados em seus Centros Espíritas, localizados na crosta, no atendimento fraterno, contribuindo com os trabalhadores espirituais da Unidade no encontro e resgate dos Irmãozinhos que naquela região deitavam.
Bartolomeu agradeceu a atenção do Irmão Antônio e pediu desculpas pela nossa chegada já no encerramento da palestra. Também eu pedi desculpas e tentei justificar ao explicar minha curiosidade sobre a entidade que vira momentos antes da nossa chegada na Unidade.
Irmão Antônio disse que não havia necessidade de explicações ou desculpas.
-Meu querido Irmão Charles! Guarde suas palavras de desculpas. Aqui está um humilde servo de Deus e sei muito bem que nosso Pai do Céu lhe concedeu uma valiosa oportunidade, muito maior do que ouvir minha palestra. Quem sou eu para questionar os desígnios de Deus? Siga em paz e que Deus ilumine seus caminhos.
Bartolomeu agradeceu o carinho e pediu licença para nos retirarmos. Para evitar minha passagem pela região do Umbral, Bartolomeu colocou suas mãos em minha cabeça e disse para eu voltar ao quarto dizendo:
-Charles! Volte ao seu quarto e me diga: Que horas são?
Imediatamente retornei. O relógio marcava 5h45min.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Horizonte de Luz e o Departamento de Desencarne Assistido

Na madrugada de domingo, dia primeiro de maio de 2011, o mentor Bartolomeu levou-me até um ponto da cidade de Caxias do Sul. Chegando ao local, encontramos um grupo de idosos conversando, como se ali fosse um ponto de ônibus. Ao nos aproximarmos, uma das idosas puxou conversa.
-Olá! Então vocês também vão para os trabalhos artesanais?
Bartolomeu estabeleceu o diálogo com essa senhora.
-Sim. Mas hoje vamos apenas observar os trabalhos que vocês realizam e no futuro vamos nos integrar ao grupo.
Junto com as idosas e os idosos, que formavam um grupo de dezoito pessoas, havia ainda outras entidades acompanhando os mesmos. Percebi pela fisionomia desses outros, mais jovens e todos trajando um uniforme azul claro, de se tratarem dos Espíritos destinados a dar assistências aquele grupo. A diferença era de que os idosos compunham-se de espíritos encarnados e os de uniforme eram todos desencarnados. Bartolomeu explicou sobre a nossa atividade.
-Charles! Hoje estamos indo até a cidade espiritual Horizonte de Luz conhecer os trabalhos realizados pelo Departamento de Desencarnes Assistidos. Os Irmãos Espirituais, trabalhadores desse Departamento, cumprem a missão de acompanhar todos os encarnados merecedores da atenção e misericórdia divina. Como vê essas Irmãs e Irmãos encarnados, já em idade avançada, estão sendo levados para trabalhos em uma das repartições do Departamento, visando uma atenção que surta no desprendimento da matéria, ou seja, do corpo, e possam despertar com lucidez para o Mundo Espiritual. Tão logo aconteça o desenlace, esses Irmãos terão condições de recobrar a consciência dos momentos vividos na Espiritualidade que antecederam o desencarne. Isso facilitará a adaptação à nova condição, com mais rapidez e sem choques.
Tão logo Bartolomeu terminou de falar, diante de nós apareceu um aeróbus. Flutuou até quase tocar o solo, ficando a uma altura de uns vinte centímetros do chão. Uma porta lateral, larga, se abriu e todos nós entramos e nos acomodamos nos confortáveis bancos almofadados e de tecido branco.
Quando a porta foi fechada, ficamos sem condições de olhar para fora. Os vidros ficaram escuros e dentro do aeróbus uma luz branca iluminava o ambiente. Apesar de não poder ver o lado externo, todos os demais conversavam de forma animada.
Ao tempo de um ou dois minutos, as janelas voltaram a ficar transparentes, permitindo ver o ambiente externo. Diante das perguntas silenciosas que pipocavam em minha mente sobre o ocorrido, Bartolomeu esclareceu.
-O fato dos vidros impedirem a observação externa, visa evitar que nossos Irmãos aqui conduzidos vejam as regiões umbralinas e as imagens de sofrimento que ali se projetam. Agora já estamos próximos ao nosso destino e a paisagem é convidativa para a reflexão divina. Assim, as janelas possibilitam a transparência. Nosso condutor aciona esse mecanismo magnético sobre os vidros, mudando sua contextura e opacidade, conforme a orientação do Venerável Irmão responsável pelo Departamento dos Desencarnes Assistidos.
O aeróbus sobrevoou a cidade Horizonte de Luz. Fiquei impressionado com o tamanho da mesma. Casas, prédios de três ou mais andares, avenidas extensas e largas. Percebi muitas árvores e flores por todos os lados. A luminosidade dava a impressão de ser dia. Também notei que não nos dirigíamos ao centro da cidade, pois pelo tracejado das avenidas o aeróbus cruzava as mesmas. Ao longe vi uma luminosidade que se destacava. Bartolomeu disse que aquela luminosidade originava-se da área central da cidade, onde estava a governadoria.
Em seguida começamos a descer. O aeróbus estacionou numa espécie de plataforma, onde todos desembarcaram. Dessa plataforma até a calçada que ficava mais abaixo, havia, além de uma rampa na lateral, alguns lances em degraus, onde uma das idosas, a mesma que conversou com nós antes de embarcarmos, solicitou a mão para ajudá-la a descer.
Saindo da plataforma havia uma área aberta, em formato de círculo. O calçamento era constituído de pequenas pedras formando mosaicos de imagens geométricas nas cores marrom, preto e branco. Como se completassem essas figuras, havia alguns pequenos canteiros com flores e outros apenas com um gramado baixo. Essa área, acredito, tinha em torno de uns duzentos metros de diâmetro. Um tracejado de pedrinhas brancas cruzava a área em toda a sua extensão, ligando a plataforma a uma casa grande de dois andares.
Fomos acompanhando todo o grupo, que conversavam com muita naturalidade e se dirigiam até aquela casa. Chegando à porta os idosos adentraram como quem já conhece o ambiente. A alegria daquele grupo era muito visível.
Ali dentro havia uma sala grande com duas mesas compridas e cadeiras, onde todos se puseram a sentar. Sobre a mesa havia diversos apetrechos de tecidos, linhas coloridas, agulhas e outros utensílios. Um homem, aparentando uns setenta anos, se aproximou de mim e de Bartolomeu. Ele possuía cabelos e barba branca e vestia um avental. Sorridente, cumprimentou-nos.
-Irmão Bartolomeu! Muita paz e amor! Para você e para nosso Irmão encarnado que hoje nos visita. Soube de sua vinda pelos Irmãos do Conselho e fiquei muito empolgado. Ainda mais pela oportunidade concedida em levar para a Terra as informações sobre nossas atividades. Irmão Charles! Em minhas orações pedi ao Pai o amparo necessário para que esse momento chegasse. Sabemos o quanto é difícil aos encarnados recordarem suas vivências espirituais durante o sono. Seja bem vindo ao nosso humilde local de trabalho. Sou o seu também humilde Irmão Geremias. Estou aqui como um servo de Deus e ao seu dispor.
Bartolomeu agradeceu a hospitalidade. Também agradeci e elogiei a dedicação e desprendimento.
Conforme eu perguntava sobre o local, o Irmão Geremias ia explicando. Informou ser o chefe dos assistentes. Ele esclareceu que a casa correspondia a Oficina de Artes e Artesanato do Departamento de Desencarnes Assistidos, sendo que existiam outras Oficinas ligadas ao Departamento. Sobre o grupo de Idosos e Idosas, Geremias comentou que apenas dois eram trabalhadores de Casas Espíritas. Os demais se irmanaram em outras religiões na Terra. Destacou que todo o acompanhamento de desencarne assistido, para aqueles Irmãos e Irmãs, se destinava em estimular o desenlace consciente no momento do desencarne. Comentou ainda sobre a condição do desencarne, afirmando que todos ali terão o seu desprendimento rápido e imediato quando chegar o momento designado pelo Alto. Ainda sobre o tempo de acompanhamento, disse que as atividades assistidas compreendiam entre três e oito meses. Esse era o tempo de preparação, em média, nas atividades de assistência para estimular o desligamento consciente dos Irmãos e Irmãs encarnados.
Enquanto Geremias explicava, também íamos observando os trabalhos realizados pelo grupo. Alguns dos idosos pintavam os tecidos. Outros apenas conversavam. Fato é que não existia tristeza alguma no semblante deles. A alegria era contagiante.
Geremias destacou que o trabalho dos assistentes era constante. De fato, eles estavam sempre próximos aos integrantes do grupo, conversando a todo o momento com os idosos e idosas.
Aproximamos-nos da idosa que conversou com nós antes de embarcarmos no aeróbus. Ela desenvolvia com grande habilidade um crochê. Geremias se reportou à Irmã, dizendo do seu adiantado estagio de consciência e que o desenlace derradeiro estava programado para a próxima semana, após a data comemorativa do dia das mães.
Ficamos umas três horas ali, onde conversamos sobre diversos assuntos. Inclusive com os idosos e seus assistentes. Após esse tempo, todos saíram e se dirigiram para o mesmo local de chegada, onde o aeróbus já nos aguardava. No retorno, o grupo havia diminuído a conversa e a alegria. A saída de Horizonte de Luz parecia ter-lhes causado um sentimento de perda.
Chegamos ao mesmo local em Caxias do Sul. Entre os idosos, alguns começaram a destacar um estado de sonolência, sendo esses amparados pelos assistentes. Deixamos o local e fomos para outra atividade designada pelo mentor Bartolomeu.

terça-feira, 15 de março de 2011

Trabalhando no Umbral – Parte I – Resgatando nas regiões umbralinas de Caxias do Sul

Foi na madrugada de domingo, 13 de março de 2011, que fui levado diante de um grupo de Espíritos que iriam trabalhar durante toda a madrugada no resgate de Irmãos nas regiões umbralinas da cidade de Caxias do Sul. A poucos metros da entrada da Cidade Espiritual Horizonte de Luz, o Mentor Bartolomeu apresentou-me para um grupo de quinze trabalhadores.
O chefe da equipe de resgates, o Irmão Atanael, destacou a importância de ter naquela oportunidade a companhia de um encarnado nos trabalhos de resgate. Disse ser comum o trabalho contar com a presença de encarnados. Mas para aquela equipe era a primeira vez. Atanael contemplou o horizonte, que divisava com uma decida íngreme em direção às áreas escuras do Umbral e sentenciou:
-Meus queridos, naquelas sombras estão nossos Irmãos clamando por socorro. Vamos ao encontro deles. Cada equipe de trabalhadores recebeu instruções precisas. Vão e encontrem os que devem ser resgatados e nos encontraremos logo ao amanhecer na Região das Sombras, onde reuniremos nossos resgatados. Vamos acreditar em Deus para que nosso pequenino Irmão, que tanto perturba os demais, se faça presente e possamos encaminhá-lo para outra área mais apropriada ao seu desenvolvimento.
Nesse instante Bartolomeu agradeceu a oportunidade do convite feito pelo Irmão Atanael:
-Irmão Atanael. Que nosso Pai Celestial ilumine a todos que seguirão para as atividades de resgate. Agradeço pelo convite e a oportunidade de trazermos o Irmão Charles. Ele nos acompanhará e terá condições de trabalhar junto aos que necessitam. Vamos fazer um trabalho bem articulado que resultará no pleno sucesso das atividades. Nosso Irmão Charles já vem desenvolvendo diversas incursões nas regiões umbralinas, sendo preparado e instruído para conhecer e identificar os necessitados que podem ser resgatados. Acredito que ele poderá ser muito proveitoso para nosso aprendizado coletivo e também para auxiliar com os necessitados. Da mesma forma, a intuição me diz que teremos a oportunidade de identificar o Irmãozinho que vem desajustando outros Irmãos e o Charles poderá conduzi-lo para a Região do Exílio da Penumbra.
Atanael agradeceu as palavras de Bartolomeu.
-Irmão Bartolomeu. Suas palavras muito iluminam nossos corações. Também acredito que nosso Irmão Charles poderá exercer valorosa atividade hoje. Da mesma forma, a intuição também me diz que nosso Irmão Charles terá o contato com esse Irmãozinho trevoso e o conduzirá para o local adequado ao seu tempo de arrependimento e restabelecimento no caminho da luz.
O Irmão Atanael pediu se algum dos trabalhadores tinha alguma dúvida. Diante da confirmação de todos, sabedores de suas missões no Umbral, Atanael solicitou que déssemos as mãos e deu início a oração do Pai Nosso.
Terminada a oração, Atanael solicitou a bênção de Deus para cada um e indicou o início dos trabalhos para as equipes.
Foram cinco equipes de três trabalhadores cada, sendo que eu e Bartolomeu ficamos com a equipe de Atanael.
Nossa decida no Umbral foi imediata. Num piscar de olhos, todos nós estávamos diante de dezenas de Irmãos sofrendo os traumas da consciência. Enquanto caminhávamos lentamente por entre irmãos caídos, Bartolomeu explicou o propósito da situação.
-Charles. Hoje você tem um papel muito importante. Sua condição de encarnado propicia um processo de resgate envolvendo uma entidade trevosa que está perturbando de sobremaneira alguns Irmãos aqui no Umbral. Além disso, ela costuma utilizar uma criança para desenvolver suas estripulias. Mais de uma vez as equipes de resgate tiveram dificuldades ao encaminhar os resgatados. Sempre que os grupos são formados, essa entidade trevosa aparece e produz uma confusão a ponto de dispersar alguns dos resgatados. Hoje, se tudo correr bem, será conduzido essa entidade para uma região mais iluminada do Umbral, local propício para reflexão. A Região do Exílio da Penumbra tem mais luz e a entidade trevosa não terá condições de fugir daquela área. Vamos até lá para saber o caminho.
Bartolomeu solicitou para o Irmão Atanael o nosso afastamento por alguns minutos, ao que ele concedeu.
Subimos rapidamente por algumas trilhas até chegarmos num local mais aberto e iluminado.
-Charles. Aqui é o local onde todos devem se encontrar no amanhecer. Seguindo adiante, por essa trilha da esquerda, chegaremos à Região do Exílio da Penumbra.
Entramos na trilha e chegamos numa área semelhante a um vale. O chão era de rocha lisa. Mas em diversas áreas, formando círculos, existiam árvores bem altas, muito iguais aos eucaliptos. As folhas secas no chão escondiam a terra onde estavam as árvores. O cheiro no ar era característico do eucalipto. E como elas formavam clareiras, possibilitava a entrada de luz. Bartolomeu explicou sobre o local.
-Aqui é o Exílio da Penumbra. Os Irmãos Superiores que construíram essa região no Umbral desejaram estabelecer um ambiente onde irmãos trevosos ficassem retidos para acelerarem o seu despertar em direção a Deus. Aqui as entidades não conseguem escapar, pois toda a área formada de clareiras estabelece um simulacro. Cada vez que a entidade tentar sair de uma clareira, entrará em outra similar, dando a impressão de não ter saído do lugar. Aqui ela também passará a sofrer mais diretamente os seus próprios pensamentos. Nesta região, os pensamentos recaem sobre a própria entidade que as emite. Como você tem o corpo, tão logo traga a entidade para cá, solte ela e retorne para o corpo. Deixa o resto das atividades ao nosso encargo. Agora vamos retornar para junto de nosso Irmão Atanael.
Encontramos Atanael e os outros dois trabalhadores junto de um rochedo, em meio de uma área de ar úmido e com cheiro de esgoto. Atanael, vendo o nosso retorno, me perguntou:
-Irmão Charles. Viste a área onde deves conduzir nosso Irmãozinho?
-Vi sim. Sei o caminho e o Mentor Bartolomeu explicou como devo proceder. Mas tenho uma pergunta: Essa entidade trevosa tem condições de produzir algum mal contra mim?
Atanael sorriu e explicou.
-A situação é segura. Sua condição de encarnado, de ter maior densidade, propicia força para conduzir a entidade. Acreditamos que ela se fará presente no nosso ponto de encontro, na Região das Sombras. Lá teremos toda uma atividade de magnetização que diminuirá a incidência dessa entidade e potencializará sua condição para conduzi-la até a Região do Exílio da Penumbra. Nós vamos te acompanhar. Eu, seu mentor Bartolomeu e nosso trabalhador, o Irmão Darci. Tão logo se concretize a chegada ao Exílio, o Irmão Bartolomeu lhe magnetizará e você retornará ao corpo. E imediatamente eu e o Irmão Darci desenvolveremos as atividades precedentes.
Ainda sobre a questão da entidade trevosa, perguntei para Atanael sobre sua identificação:
-Mas como eu vou saber identificar a entidade trevosa?
-Quando estivermos no ponto de encontro, ela se fará presente e você não terá dificuldades de identificá-la. O caso nosso agora é encontrarmos a criança que ela vem utilizando como veículo de suas estripulias. É uma criança que sofre a possessão dessa entidade trevosa.
A expectativa da atividade me deixou um tanto contente em poder ser útil no processo de resgate. Ainda mais pela oportunidade de presenciar uma atividade diferente: a de deslocar uma entidade para outra região do Umbral, construída com finalidade específica.
Andávamos por entre sombras e imagens aterradoras. O cheiro no ar se confundia com a umidade de banhados, dando a impressão de estarmos pisando sobre água podre. Por outras vezes o ar parecia quente e seco, mas ainda com cheiro ruim.
Em meio à escuridão, Bartolomeu comentou:
-Creio que estamos próximos da criança. Irmão Atanael, você já a localizou?
-Sim! Ela está naquela direção. Em meio daquelas árvores ressequidas.
Fomos em direção de extensos arbustos secos e árvores retorcidas e ressequidas Assim que nos aproximamos, um choro se fez ouvir. Atanael apontou para o local onde estava a criança e nos dirigimos para lá. Chegamos junto de arbustos secos. No chão, que parecia chamuscado, estava um menino que parecia ter desencarnado pelos doze anos de idade. Ela chorava copiosamente. Vendo a nossa presença, ela começou a se contorcer no chão e gritar por ajuda. Gritava por socorro e pedia para nós afastarmos dela as imagens horríveis de monstros.
Bartolomeu explicou o que estava ocorrendo:
-Charles. Este Irmãozinho vem sofrendo a perseguição de um inimigo implacável. Em uma encarnação passada, este menino promoveu ações dolorosas contra a entidade que agora lhe persegue. Essa situação não ocorre pela primeira vez. Em outra época a situação foi inversa. Era este Irmãozinho quem procedia à possessão no outro Irmão, que na oportunidade ocupava a condição de criança. Mas nossa atividade agora é buscar a harmonização entre ambos. Charles. As honras são suas. Acolha esse menino.
Atanael e os outros dois trabalhadores consentiram e se posicionaram com as mãos estendidas, magnetizando o menino.
Agachei-me diante do menino deitado, que tinha sua cabeça escorada em tufos de galhos secos no chão. No rosto do menino, coberto por cinzas de carvão e molhadas pelas lágrimas, se destacava um olhar perdido e de pavor. Quando cheguei mais próximo e passei a conversar com o mesmo, ele agarrou meus braços e em meio a suplicas de socorro, buscou me abraçar, sussurrando aos soluços: “Me tira daqui! Me tira desse inferno! Manda aquele demônio embora!”
Passei a cariciar seu rosto e sua cabeça. Disse para ele ter calma, pois estava na companhia de pessoas que iam lhe proteger. Percebi que a criança estava extenuada. Quando a levantei, ela se abraçou em mim e pediu para que não a deixasse ali. Segurando-a em meu colo, ela passou a diminuir os espasmos de soluço do choro e adormeceu com a cabeça em meu ombro.
Atanael comentou que a magnetização ajudou para a criança adormecer. Também disse sobre mais oito Irmãos que seriam resgatados pela equipe, antes de irmos para o ponto de encontro.
Apesar de estar caminhando com a criança no colo, eu não sentia o peso dela.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Mensagem de uma Filha

Na madrugada de domingo, dia seis de fevereiro de 2011, fui levado pelo mentor Bartolomeu para a cidade de Caxias do Sul, na região serrana do Rio Grande do Sul. Chegando lá, fomos até as proximidades do Cemitério Municipal, onde em outra oportunidade eu presenciara um momento de recepção a recém desencarnados. Seguimos pela rua espiritual, subindo por uma estrada pavimentada com paralelepípedos. Bartolomeu informou que estávamos indo para a Cidade Espiritual Horizonte de Luz. A escuridão logo se fez, pois estávamos entrando no ambiente espiritual do Umbral. De alguma maneira, conseguia ver por onde andávamos, visto que Bartolomeu me conduzia como se iluminando o caminho. Notei que a estrada se tornou cada vez mais envolvida com o ambiente, tornando-se difícil de percebê-la em meio ao chão de terra. A única certeza que tive é de que a estrada seguia no sentido sudoeste.
Ao terminarmos de passar pelas regiões do Umbral, numa caminhada de uns quinze minutos, vi a claridade do céu. Em seguida notei novamente o surgimento da rua pavimentada de paralelepípedos. Bartolomeu explicou sobre a localização.
-Estamos chegando às imediações da Cidade Espiritual Horizonte de Luz. Como podes notar, ela está muito próxima do Umbral. Em proporção de altitude, ela se encontra na mesma condição de Nosso Lar. Isso significa dizer que Horizonte de Luz foi construída em região acoplada ao Umbral, visando os trabalhos de resgate, socorro e auxílio. Em termos de fundação, posso te dizer que a cidade não é das mais antigas. Pelo contrário, está entre as mais recentes, fundada em fins do século XIX, em 1890. A cidade preserva muito da cultura dos imigrantes italianos que colonizaram a região terrena. Mas por estar muito próxima ao Umbral, necessita de algumas medidas de segurança. Veja por você mesmo.
Bartolomeu apontou para frente e vi uma gigantesca muralha iluminada pelo céu estrelado. No alto e detrás do muro, percebia-se a luminosidade da cidade.
-Vamos para o nosso primeiro compromisso. Antes de conhecer a cidade, e isso não será hoje, temos uma Irmã que recebeu a permissão de conversar com você. Ela conquistou o merecimento de transmitir-lhe as impressões do desencarne que sofreu e confia que você levará sua mensagem para a Terra.
Bartolomeu terminou de explicar no exato momento em que chegamos numa abertura do muro, onde um homem e uma mulher estavam parados. O homem logo se aproximou e fez as apresentações:
-Meus queridos irmãos! Muita paz em vossos corações. Irmão Bartolomeu, agradecemos ao Pai Maior, o Grande Arquiteto do Universo, ao permitir oportunidade tão preciosa. Que nosso Pai ilumine seus caminhos hoje e sempre. Irmão Charles, sua vinda até esta cidade é uma dádiva que não podemos olvidar. Agradecemos de forma redobrada a oportunidade. Pode me chamar de Francisco. Meu trabalho aqui é oportunizar as comunicações de nossos irmãos com os médiuns na Terra. Aqui está nossa Irmã A… Ela deseja enviar uma mensagem e solicitou a intercessão do Alto, ao que foi atendida.
Nesse momento Bartolomeu agradeceu as palavras de Francisco.
-Irmão Francisco, estamos muito sensibilizados pela oportunidade ofertada por nosso Pai. Nosso Irmão Charles vem de coração aberto para receber e levar a mensagem da nossa Irmã A… Estarei auxiliando no que for preciso para que nenhum pequeno detalhe lhe escape no momento da transcrição. A benevolência de nosso Pai santifica as oportunidades de comunicação e conhecimento. Irmã A…, que seu coração se ilumine com muito amor, paz e fraternidade. Hoje estamos aqui para lhe atender, sob o amparo divino.
A Irmã A… passou a falar sobre a alegria do momento tão esperado:
-Irmão Charles! Muito obrigada por ter vindo. Sei que existem outros trabalhos e melhores do que vir me ouvir. Quero deixar meus mais sinceros sentimentos de gratidão.
Francisco solicitou que entrássemos.
A rua de entrada era toda ajardinada, com um gramado baixo e diversos canteiros de flores. As árvores estabeleciam duas linhas paralelas, demarcando o sentido da rua. Abaixo das árvores existiam bancos feitos em madeira, ou algo parecido; todos eles eram brancos e contrastavam com o cenário de grama verde e de flores amarelas e vermelhas, azuis e violetas. Os postes de luz, ao longo da extensão da rua, pareciam grandes lâmpadas fluorescentes.
Irmão Francisco solicitou para que eu e A… sentássemos. Ele e Bartolomeu ficaram de pé, na nossa frente. Foi quando agradeci a oportunidade.
-Irmão Francisco e Irmã A… Agradeço a confiança que depositam em mim. Que o nosso Pai encha seus corações com muito amor e paz. Estou aqui para atender às necessidades do plano espiritual. Minha vontade é de auxiliar no que for possível e permitido. Também quero que me perdoem caso cometa algum erro ao transcrever as informações que forem passadas. Só pelo fato de estar aqui, junto de vocês, para mim já é de grande alegria. E Irmã, pode dizer o que desejar que eu levarei para ser entregue.
A Irmã A… passou a abrir um papel dobrado em sua mão. Voltou a agradecer e explicou que se tratava de uma mensagem para sua mãe.
-Irmão Charles, estou aqui com uma mensagem para minha mãe. Depois de muito reescrever, buscando a melhor forma de comunicar a situação, consegui chegar nessa pequena carta, onde tento traduzir meu amor pela minha saudosa mãe, que ainda está na Terra, em Caxias do Sul. Eu vou ler para ti e depois a deixo com o Irmão Bartolomeu:
Mãe querida!
Antes de tudo, quero que fiques tranquila! Estou muito bem! Sempre me lembro dos momentos em que orávamos juntas. Lembra da gatinha Preta? Ela sempre acompanhava nossa oração, deitada ao meu lado. Olha como é linda a vida aqui. Logo que fui socorrida, a vó F… entrou no quarto do hospital onde fui internada e trouxe a Preta para me fazer companhia. Ela ficou ao meu lado, me fazendo lembrar os meus sete anos, quando você também ficava do meu lado. Mas a vó F… não deixou eu sofrer pela distância que por enquanto nos separa. Ela disse que você continua indo ao Centro Espírita, onde você ergue suas preces para nós. Eu recebo todas elas. É uma alegria imensa. Parece diminuir a distância e o tempo que separa o nosso encontro. Aqui eu fiquei sabendo que nós duas já tivemos outras encarnações, onde também fui sua filha. Isso explica o grande amor que nos une e a saudade que às vezes parece doer de alegria no peito. Igual aquela dor de quando nós brincávamos de boneca, e você aproveitava para me fazer cócegas e nós riamos intensamente.
Após o acidente eu fiquei um tempo sem caminhar. Mas depois, com a dedicação dos médicos, eu restabeleci os movimentos. Estou trabalhando com a vó. Aqui nós nos dedicamos em atender as crianças desencarnadas. Brinco com elas igual como nós duas brincávamos.
Minha mãe querida! Todos os dias fazemos orações aqui. Em todas elas eu penso em você. No dia de finados passado, eu estive aí com você. Eu notei que você sentiu minha presença. Lembra?! Nós choramos a alegria do encontro. Mas vai chegar o dia em que nosso encontro será diferente.
Com muito amor!
Da sua filha querida,
A.S.P.
A Irmã A… estava com os olhos completamente marejados e demonstrando uma enorme alegria em ler a mensagem.
Bartolomeu disse que a mensagem seria entregue.
Francisco agradeceu pelo carinho em ouvir a Irmã A… e disse que estaria no dia marcado para apresentar a cidade para mim.
Ficamos conversando por uns vinte minutos sobre a situação que vitimou a Irmã, onde ela contou detalhes das fraturas que sofreu nas pernas e na bacia. Depois nos despedimos, pois o mentor Bartolomeu disse que tínhamos outro encontro a cumprir.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Recepção aos recém desencarnados

Numa certa madrugada, quando estava quase amanhecendo, estava em desdobramento na companhia de Bartolomeu quando ele convidou-me para conhecer um local onde as entidades recebem irmãos recém desencarnados, encaminhando-os à Cidade Espiritual Horizonte de Luz, que está localizada entre Caxias do Sul e Farroupilha, no Rio Grande do Sul.
Chegamos numa determinada rua da cidade de Caxias do Sul, nas proximidades do cemitério da cidade, onde tivemos que subir alguns metros por uma rua espiritual. A rua da cidade tinha uma continuação no plano espiritual que terminava num espaço aberto, semelhante a uma praça. Ao redor desse local, uma vegetação igual a cerca viva, estabelecia os limites daquele espaço retangular. O chão era pavimentado com lages de pedras quadradas de uns 30 cm, na cor branca, e todas perfeitamente unidas. Ao centro existia uma mesa coberta por uma toalha branca e com alguns tipos de doces e sucos.
Diversas entidades estavam ali conversando. Conheci algumas encarnadas e também outras desencarnadas.
Bartolomeu explicou sobre o local:
-Charles, aqui está um dos locais, junto da crosta da Terra, onde nossos irmãos e irmãs estabelecem um encontro festivo para os recém desencarnados. Todos os desencarnes conscientes, de irmãos dedicados à Espiritualidade, em doar-se ao próximo e que conservaram seu pensamento em união com Deus, são trazidos até aqui pelos irmãos da Espiritualidade. Este é um momento de despedida da Terra e também de festividade pela chegada ao Plano Espiritual. Os irmãos e irmãs que são trazidos para essa festividade, estão mentalmente ligados à Espiritualidade Maior e não passarão pelo umbral. Como você pode ver, aqui também estão irmãos e irmãs que ainda estão encarnados, mas que nesse momento, em desdobramento, chegam aqui para se despedir de familiares que desencarnaram.
-Mas Bartolomeu, estou vendo uma mesa com doces e jarras com sucos coloridos. Como pode ser, se os espíritos não necessitam mais de alimentos?
-Todos que desencarnam necessitam de um momento de adaptação às condições da espiritualidade. Aqui os irmãos que desencarnaram recentemente são recebidos com doces e sucos trabalhados pelas irmãs que um dia também trabalharam como doceiras na Terra. E todo o irmão ou irmã que recebe uma festividade como esta, sente-se muito bem acolhidos e felizes. Aqui eles conhecem orientadores da espiritualidade que os conduzirão até a cidade Horizonte de Luz. Lá na cidade eles terão todo o acompanhamento necessário e a orientação adequada para se desfazerem das necessidades do corpo. Por ora, o momento é de alegria. Serve para amenizar a distância que surgirá temporariamente dos familiares e amigos queridos que deixou na Terra e de encontrar novos irmãos que auxiliarão na evolução.
Aproximamos-nos da mesa. Diversas entidades estavam ao seu entorno. De fato, a felicidade era perfeitamente visível na fisionomia de todos que estavam ali. Muitos se abraçavam e conversavam com muita alegria e curiosidade sobre o destino. Encontrei pessoas que conhecera e desencarnara já há uns cinco anos. Também tinham pessoas que ainda estão encarnadas.
Deveria haver umas doze entidades que haviam desencarnado recentemente. Duas delas me abraçaram e externaram a grande alegria de estarem ali. Uma delas destacou a alegria de ir para a cidade Horizonte de Luz, onde lhe disseram que há uma residência onde irmãos já estariam aguardando pela sua chegada.
Conversei com a irmã responsável pelos doces. Ela explicou que todos aqueles doces eram trabalhados na sua própria residência na cidade Horizonte de Luz, e que recebeu a permissão para desenvolver aquela atividade junto aos recém desencarnados, amenizando qualquer tipo de sofrimento pela separação.
Depois de conversar com diversas entidades, perguntei ao Bartolomeu se esse tipo de recepção era comum. Bartolomeu comentou que aquele tipo de atividade ainda não era muito difundido.
-Charles, a Espiritualidade Maior trabalha sempre no sentido de acelerar o processo de evolução dos irmãos menores. Para tanto, cada um procura se integrar nessas atividades na exata medida que pode contribuir com a Espiritualidade e para a evolução de si e dos outros irmãos. Aqui nós temos irmãs que outrora desempenharam a atividade de doceiras na Terra, e que hoje encontraram nessa mesma atividade, só que na Espiritualidade, um caminho para auxiliar os recém desencarnados, possibilitando um encontro de alegria e esperança. Ainda são poucas as cidades na Terra que recebem esse tipo de atividade. Mas pelos resultados positivos que vem acumulando, certamente essas irmãs ampliarão seus exemplos para outras cidades.
Vendo que o Sol já iluminava toda aquela área, e que eu teria de retornar ao corpo, perguntei ao Bartolomeu se eu poderia conhecer a cidade Horizonte de Luz. Ele respondeu que no tempo oportuno eu poderia visitar. Nisso ele orientou para eu retornar ao corpo, pois já estava ficando tarde. Nesse dia retornei ao corpo às 7h15min.