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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Sublimidade do Além


Deveras a vida na espiritualidade está repleta de afazeres que tangenciam as mais remotas distâncias da matéria a circundar e a circular pelo Universo. Aos espíritos mais desmaterializados cabe a missão de conduzir os atributos divinos junto aos irmãos menores em evolução e progresso. Nem um só minuto estão parados. E a distância não existe tal como se faz no mundo material. Para os Espíritos Superiores, o pensamento é um atributo que o faz instantaneamente se tornar presente diante das atribuições que lhe compete junto dos menores irmãos que o chamam, ou mesmo que o pensamento faz fibrilar.
Todavia, nem sempre o dileto Espírito Superior esta à disposição. Para tanto, serve-se dos demais Irmãos da Espiritualidade Superior que o substituem em todas as situações consideradas necessárias, sem pestanejar. Isso decorre do pensamento de Amor, comum a todos os Espíritos Superiores, que dispensam honrarias e prestimosos mimos, muito comum no mundo material. O que no mundo material se tem na atividade como uma honraria a ser homenageada e engrandecida pela representatividade material, na espiritualidade, longe disso, busca tão somente a elevação da Alma que lhes toca o coração. A retribuição está em esforçar-te na evolução e no progresso, resistindo ao elemento material e te portando com espiritualidade diante das necessidades materiais para a elevação do Espírito.
Conforme o Espírito excursiona pela matéria, os Espíritos Superiores buscam nos mais diferentes mundos materiais do Universo as condições necessárias para, de forma mais apropriada, conduzir a evolução do Irmão em seu progresso. Nesse constante desenvolvimento, o contato com outros mundos materiais, sem que o Espírito encarnado guarde nenhum lampejo aparente de tais experiências, constituem a merecida aprendizagem de soerguimento e burilamento do Espírito em sua desmaterialização progressiva. Cumpre-se, assim, a atividade imposta por Deus a todos os seus filhos; ou seja, a de colaborar com o Criador.
Irmãos amados! Leitores dessas e doutras mensagens postadas neste blog. Estamos felizes pela rede que ora vem se formando quanto aos ensinamentos e informações promovedoras do despertar sobre a Espiritualidade. Sem duvida que Allan Kardec abriu de forma missionária o mundo dos Espíritos aos encarnados. Da mesma forma Chico Xavier contribui de sobremaneira para o entendimento e para a certeza sobre a Espiritualidade. Mas a discussão pessoal, junto de vossos Mentores deve sempre continuar. E é nesse compasso a que nos referimos. Pois a cada leitura que realizas, a cada ideia que pontualiza com relação ao texto, teus Mentores e Mentoras colaboram contigo para aprumar os conhecimentos e auxiliar-te na evolução, progresso e despertar sobre a Espiritualidade.
Segue no caminho do bem! E nunca lhe faltará o amparo da Espiritualidade Superior. Mesmo nos momentos mais complicados, quando as questões materiais parecem lhe escapar por todos os lados, saiba que aí está o exercício que deve ser aproveitado em tua desmaterialização e onde o Alto te acompanha. Mesmo que chores, saiba que oramos por ti. Mesmo que não nos escute a oração, sinta que o coração fica leve. E se ainda assim não perceber, lembre dos sonhos, porque são muitos os Espíritos Superiores que te dão orientações de ânimo e confiança.
Fique com Deus!
Irmão Aníbal
Mensagem recebida em 03 de setembro de 2012.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Luz para a Alma


Deus!
Ilumina todos os meus Irmãos na busca da Luz da Evolução e da Luz do Esclarecimento! No caminhar em direção ao bem, cada um de nós tem diversos percalços e diferentes situações a cumprir na sublime missão de nos impulsionar em tua direção, Pai Amado.
Muitos dos encarnados têm dificuldades em entender sobre tais caminhos sublimes. Mesmo os Irmãos que estão estudando sobre a Doutrina Espírita sofrem com os percalços do entendimento e do esclarecimento sobre a transmutação do Espírito; das forças evolutivas da Alma. Cabe a esses Irmãos buscar um pouco mais na paciência e no desapego da matéria, refazendo seus conhecimentos sobre o que deve ser absorvido, diante do conhecimento que traz o sublime caminhar pela matéria e a provação que faz cada um de nós em reelaborar nossos conhecimentos sobre o que devemos transformar em nossa Alma, para alcançar a transmigração pelos Mundos Espirituais.
Pai! Ilumina para que cada Irmão encarnado, que busca o saber e a caridade do bem e do amor, percorra o caminho mais adequado.
Se nesse caminho houver dores, que sejam na medida da provação que o lançará para os conhecimentos da pacificação. Que cada momento de dor e de sofrimento seja um degrau a mais na caminhada em direção ao progresso e na jornada da Paz.
Quando a dor for insuportável e carregada de lágrimas e de desespero, que possa o Irmão suportar com sua luz, Pai! Na glorificação do Amor! E que nosso Irmão seja capaz de discernir sobre as diferentes formas de crescermos em direção ao Alto, em tua direção Pai Amado!
Quando o desespero desejar fazer o Irmão lançar mão dos trejeitos que possam assumir subterfúgios desastrosos que afetem o aparelho como destino de eliminação, que outros Irmãos da Espiritualidade possam acudir e intuir os Irmãos que desejam a confirmação do ato maligno.
Faz Pai, que plêiades de Irmãos Maiores possam orientar, de alguma forma, os cúmplices desse ato abjeto e tresloucado.
Meus Irmãos! Todos estamos acompanhados dos mais diferentes e dos mais ignotos e também dos esclarecidos Irmãos da Espiritualidade.
Fica na Alma as marcas dos passados brutos que afetaram abruptamente a jornada terrena. Cada Alma, seja ela cúmplice ou a própria que acometeu ato insano contra si próprio, terá uma longa jornada de provas e de reparações para restabelecer o caminho novo e sublime da felicidade Espiritual. Cabem novas reencarnações para purificar o perispírito das ações ignotas e pérfidas.
A glória de nosso majestoso Pai Celestial sempre abrirá novas clareiras de Amor e de Fraternidade para que seus filhos jamais se percam. Construirá novas jornadas terrenas para que a Alma dilua suas dificuldades e que lhe possibilitem o esclarecimento em direção ao Alto. E nada melhor que um dia após o outro, pois todos eles são santificados pelo Pai!
Nas caminhadas e nas diversas experiências, novas provas de Amor e de Felicidade encherão o coração do Irmão, esteja ele em qualquer grau da evolução; esteja ele na fase germinal, entre vermes ou minúsculos seres materiais, ou esteja ele já na fase hominal.
A experiência estará sempre entregue em sua caminhada, acompanhada dos Irmãos abnegados do Amor.
Fica com Deus!
Irmão Onofre
Psicografado em 16 de janeiro de 2012.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Desenvolvendo a Telepatia

Irmãos e Irmãs, amados meus!
Que nosso Pai Celestial nos ilumine na tarefa de instrução.
O desenvolvimento da telepatia visa aprimorar o que a grande maioria dos Irmãos e Irmãs possui em estágio latente. Ou seja, o diálogo que cada um desenvolve em seu íntimo, na consciência, onde muitas vezes se dá com Irmãos da Espiritualidade.
A faculdade da telepatia – que pode ser compreendida como Mediunidade Intuitiva, ou de Inspiração, ou mesmo Auditiva, conceitos estes presentes no “Livro dos Médiuns” de Allan Kardec – se dá quando os Irmãos e Irmãs encarnados procuram ponderar sobre fatos, acontecimentos e decisões nos quais fica pensando.
Ora! Todos estabelecem um amplo e significativo diálogo interno sobre diversos casos que afligem as decisões, vontades, os desejos e as formas de ver e interpretar o mundo, as coisas e as pessoas.
Para desenvolver a telepatia, ou seja, no nosso caso, a conversa com os Irmãos da Espiritualidade, vossos Mentores e Mentoras, aconselhamos iniciar sempre com uma oração. Procure pronunciar apenas pelo pensamento a oração, como se estivesse falando em voz alta, ao ponto de ter a noção de estar ouvindo seu pensamento e cada palavra e frase. A impressão será de estar falando e ouvindo apenas pelo pensamento.
Repare que esse exercício é perfeitamente simples, pois se estará executando algo comum. Entretanto, procure deter sua atenção em cada palavra que pronunciar mentalmente.
Durante a oração solicite a permissão ao Pai Celestial para ser orientado pelos seus Mentores e Mentoras Espirituais. Solicite que os Espíritos Superiores lhe oriente no entendimento da Moral Cristã, lhe ensinando os procedimentos e pensamentos de amor, caridade e fraternidade para com o próximo.
Após, preste atenção nos pensamentos que surgirão na consciência. Ideias, opiniões, fatos, histórias e interpretações lhe farão pensar. Procure nesse momento apenas analisar o que lhe vem à mente, sem colocar opinião sobre o mesmo. Esse exercício possibilitará perceber assuntos interessantes, inclusive com “lembranças” de ideias, opiniões e interpretações de outras pessoas ou livros que leu.
É comum nesses processos de telepatia, ou conversa com as entidades, “ouvir” palavras diferentes do que se está habituado, necessitando buscar seu significado no dicionário.
Para aprimorar a telepatia, sugerimos que o Irmão ou Irmã, procure escrever o que lhe for “falado” na consciência.
Esse procedimento não constitui um ato de mediunidade para “receber” Espíritos, mas tão somente despertar ou aprimorar a faculdade de conversar pelo pensamento que todos os Espíritos, encarnados e desencarnados, possuem e executam a todo o instante e em diferentes graus de adiantamento.
Irmão Bartolomeu
Mensagem recebida em 25 de abril de 2011.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Para desenvolver a vidência

Muitos Irmãos encarnados se perguntam o quando poderão desenvolver determinada mediunidade. Pois vamos orientar, a partir dessas instruções, algumas maneiras para desenvolver as faculdades mediúnicas, que correspondem às mesmas faculdades dos Espíritos. Afinal, somos Espíritos possuidores de faculdades comuns. Dessa forma, a mediunidade não se compreende em privilégio que não pode ser desenvolvido.
Irmãos e Irmãs, amados meus!
Os trabalhos que a partir de hoje vamos orientar, compreendem tempo e dedicação. Em nenhum momento as faculdades surgirão de imediato. Mas, gradualmente todos poderão desenvolver as diversas faculdades mediúnicas.
Nosso propósito é iniciar com a faculdade da vidência.
Para desenvolver esse tipo de mediunidade, orientamos aos Irmãos e Irmãs, aproveitarem as palestras nos Centros e Casas Espíritas. Nesse ambiente se terá a assistência Espiritual necessária para dar inicio ao desenvolvimento.
Sempre que fores assistir a uma palestra na Casa Espírita, procure, antes de iniciar a mesma, fazer uma oração solicitando o amparo da Espiritualidade para o desenvolvimento da vidência. Após, fixe o olhar sobre a cabeça do palestrante. Procure observar o espaço vazio localizado logo acima do orador. Acompanhe os movimentos da cabeça do orador, evitando transpassar esse espaço e olhar além; o quadro ou a parede de fundo.
No início terá certa dificuldade, pois é necessário acostumar-se a esse tipo de observação. Entretanto, alguns poderão identificar vagos lampejos de luz ou de algo similar a uma fumaça branca. Mas nada consistente ou permanente. Porém, com o tempo essas imagens serão visualizadas com maior precisão; oportunizando maior definição do que se vê.
Nos casos em que o palestrante estiver recebendo orientação Espiritual, o observador identificará imagens se formando antes do mesmo pronunciar sobre o assunto em questão. Com esses palestrantes mediunizados podemos dizer que o exercício para desenvolver a vidência fica facilitado, visto que as imagens sempre antecederão a fala do orador, dando certeza ao observador de que está diante de um procedimento de vidência.
Que nosso Pai Celestial permita-lhe desenvolver a vidência.
Irmão Bartolomeu
Mensagem recebida em 20 de abril de 2011.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Orientação e Resgate

Ainda na madrugada de domingo, dia seis de fevereiro de 2011, o mentor Bartolomeu levou-me para um condomínio residencial em Porto Alegre, localizado na região leste.
Entramos em um pequeno apartamento. Na sala estavam dois rapazes e uma garota conversando e rindo.
Bartolomeu explicou qual a nossa atividade naquele local:
-Charles! Hoje vamos trabalhar no resgate de um irmão desencarnado. Você não enxerga, mas aqui estamos na companhia de irmãos de luz que já estão trabalhando para o resgate e orientação deste irmão que desencarnou há algum tempo. Da mesma forma, os três irmãos não estão nos enxergando, mas você se tornará visível para eles e te pedimos que converse com eles. Vou te orientar no que deves conversar com nosso irmão.
-Certo! Espero auxiliar sem atrapalhar o resgate.
-Fique tranquilo. Apenas procure demonstrar afinidade com eles. Dois deles ainda estão encarnados e seus familiares pedem auxilio do Alto para que larguem o vício. O outro que desencarnou, vem recebendo orações de sua mãe encarnada. Cabe a nós socorrê-lo. Vamos lá.
Nesse momento os três integrantes da sala me viram. O irmão desencarnado puxou imediatamente conversa comigo.
-Opa! Chegou mais um pra nossa festa. O amigo trouxe alguma contribuição ou só veio pra fica fissurado.
Entre risadas e comportamento de aconchego, a moça, que estava sentada no sofá, censurou a maneira de recepcionar-me.
-Júlio! Aqui não é tua casa. Na minha casa mando eu. Deixa o rapaz. Ele pode ficar.
E olhando para mim, continuou.
-Olha só, não dá bola pra ele. Pode sentar aqui e conversar com nós. O Júlio não tem modos, mas é uma boa pessoa. Viu, senta aqui.
O outro espírito encarnado se levantou do sofá e ficou de pé, junto de um abajur no canto da sala. Parecia receoso, demonstrando desconfiança. Ficou ali em silêncio, escutando nossa conversa.
Já o Júlio, o espírito desencarnado e que estava sendo preparado para o resgate, se levantou do sofá e disse que iria até o banheiro. Nesse instante, sob orientação do Bartolomeu, puxei conversa com ele.
-Júlio, não precisa se preocupar comigo. Estou aqui apenas de visita. Eu moro aqui perto.
Bastou dizer isso e o Júlio já interrompeu sua ida ao banheiro e voltou a questionar.
-Mas então tu conhece o pessoal chegado no pó e na pedra?!
-É... Talvez alguns. Mas não todos. Tu também é morador daqui do bairro?
A moça deu uma risada e complementou:
-Pelo jeito a conversa vai longe. O Júlio gosta de falar sobre isso. Já não é a primeira vez.
Apesar do comentário da moça, Júlio passou a falar sobre seu bairro.
-Eu morava no bairro Agronomia. Nunca fiz mal pra ninguém. Mas sempre gostei de dar uma cherada. Ficar fissurado. Depois pequei a pedra. Essa foi melhor ainda. Essa detona mesmo. O cara fica fissuradão. Lembro que foi numa dessas épocas que as coisas mudaram. Fiquei sem sono e sempre ligado. Outro dia teve um cara que me perguntou se eu lembrava de como tinha morrido. Mas nossa! Cara! Eu nem sei como vim pará aqui. A Lú e o Kevi continuam meus amigos. A gente se encontra seguido aqui no apartamento da Lú. Como eu não consigo mais comprar as pedrinhas, eles compram e a gente fuma junto.
Sob orientação do Bartolomeu, dei continuidade ao diálogo.
-Quer dizer então que tu sabes que está morto, mas continua visitando teus amigos?
-É! Isso parece uma viajem meia doida. Num dia eu cheguei na boca pra compra pedra e os caras de lá não me deram bola. Sabe como é. Eles nem falaram comigo. Eu gritei, mas eles nada pra mim. Daí eu procurei o Kevi. Falei com ele que tava querendo fica fissurado e que não tinha dinheiro e os mano da boca não queriam mais vender pra mim. No início o Kevi parecia estar viajando. Não me dava atenção. Mas depois de um tempo o cara se ligo na minha e foi comprar umas pedrinhas. Depois eu vim falar com a Lú. Ela também não falava comigo. Parecia doida. Eu falava com ela e ela ficava dizendo “sai pensamento ruim”. Daí eu me dei conta que tava morto. Me liguei, então, de conversar com a Lú e o Kevi durante a noite. E aí a gente troca uma ideia.
-Então tu moravas no bairro Agronomia?!
-É! Fica aqui pertinho.
-E tu não lembras como morreu?
-Não! Só lembro que antes eu trabalhava numa obra e fiquei desempregado.
-Quando você ficou desempregado?
-Foi em 2007.
-Então quer dizer que em 2007 você foi despedido e que talvez tenha morrido, é isso?
-Olha só. Não sei bem direito. Sei que fui despedido em 2007 porque onde eu trabalhava acabou o serviço. Depois disso eu fiquei um tempo procurando serviço. Mas daí passei a fumar mais pedras. Num certo dia eu não consegui mais compra pedra. Fiquei um tempão. Só depois fui falar com o Kevi.
-Júlio, você sabe em que anos nós estamos.
-Em 2008?
-Não! Ali na parede tem um calendário. Olha de que ano é o calendário.
Júlio olhou para o calendário, viu o ano de 2011 e deu de ombros.
-E daí que é 2011. Não faz diferença.
Nesse momento do diálogo o Kevi já havia se retirado. Enquanto isso, a moça continuava sentada no sofá, escutando a conversa entre eu e Júlio Fui orientado a conversar sobre a questão dos anos que se passaram sem que ele tivesse percebido. Comentei que havia outras cidades para ele conhecer.
-Júlio... Existem outras cidades que você deve conhecer. Não precisa ficar aqui. Isso para você é um sofrimento e vem fazendo a Lú e o Kevi sofrerem por você. Olha como a Lú está. Ela nem tem mais amigos por sua causa. Só o Kevi vem aqui. A Lú está procurando tratamento médico para sua dependência química. Logo ela estará recuperada. Já você poderá ficar sozinho. Mas antes disso. Repare que você não fica mais fissurado. A única coisa que você sente é o cheiro da fumaça. Depois, o que vem na sua mente, é apenas um esforço de lembrar as sensações do que sentia quando ainda estava encarnado. Vamos deixar a Lú seguir o caminho dela.
Nisso a moça passou a se mexer no sofá, como que se sentindo desconfortável, e começou a chorar. De uma das portas entrou na sala uma mulher que se aproximou da moça, falando com ela:
-Filha! Você continua se encontrando com o Júlio Vem comigo, vou te ajudar. Vamos conversar no seu quarto.
As duas saíram e ficou apenas o Júlio. Eu continuei a conversa:
-Veja Júlio Você está ficando sozinho. O conselho que te dou é de que aproveite hoje para ir conhecer outra cidade. Lá você receberá o tratamento adequado e terá muitos amigos.
-Mas quem me garante isso? Quem garante que existe outras cidades e que vou ter amigos?
-Júlio, eu te afirmo que existem amigos que querem te ajudar e que tu podes conhecer uma cidade muito linda em poucos instantes.
Se sentindo fragilizado, Júlio senta no chão, junto da parede, e com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos na cabeça, comentou que estava confuso.
-Estou confuso. Sinto que estou sozinho aqui, mas tenho medo de sair.
-Não precisa ter medo de nada. Já está chegando dois amigos para te mostrar essa cidade. Lá você terá o tratamento adequado e irá se recuperar. O que acha disso?
-É, acredito que posso conhecer essa cidade.
Duas entidades se materializaram junto de Júlio, que continuava sentado no chão. Uma delas comentou:
-Bom dia! Então esse é o nosso amigo Júlio que está se decidindo em nos acompanhar?!
Júlio levantou a cabeça, e com um olhar de tristeza conversou com a entidade.
-É, faz tempo que eu deveria ter procurado ajuda. Fiquei atormentando a cabeça de algumas pessoas que nem ligavam pra mim e nem vi o tempo passar.
A entidade, complacente, se ajoelhou na frente de Júlio e lhe respondeu.
-Isso não importa mais. Agora é a oportunidade de tu recuperares o tempo. Primeiro vamos conhecer seus novos amigos. Depois tu poderás desenvolver melhor conhecimento sobre o que passou e vir a auxiliar os teus amigos. Me de sua mão e vamos juntos.
Júlio, ainda sentado, pegou na mão da entidade. Ao se levantarem do chão, os três saíram da sala como num raio de luz.
Bartolomeu disse, então, que estavam encerradas nossas atividades naquele dia. Que a Lú e sua mãe teriam uma longa conversa ainda no domingo sobre o tratamento da filha e que eu já poderia retornar ao corpo, pois já era manhã de domingo.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Comunidade no Umbral – Explicações – Parte I

Numa certa noite, em desdobramento consciente, o mentor Bartolomeu levou-me até uma rua de Porto Alegre. Essa rua era em decida. Não existia calçamento algum e nem vegetação em toda a sua extensão. A impressão que tive era a de estarmos descendo uma avenida em declive, abaixo da superfície, pois como numa miragem, imagens sobrepostas se destacavam nesse momento. Acima, uma determinada avenida de Porto Alegre mantinha sua forma plana, com a iluminação dos postes da via pública e o pavimento asfáltico. Abaixo dessa, a entrada se destacava como se fosse o túnel da Conceição – apenas como exemplo –, devido sua altura e largura, mas sem a iluminação adequada, apenas uma diminuta luminosidade, como que perdida ao longe, facilitava a visualização desse caminho de chão batido.
Logo na entrada, em penumbra a penumbra, iniciava também um muro de uns cinto metros de altura que se estendia por toda a extensão do caminho a abaixo, à nossa direita. Esse muro, que parecia coberto de barro, tinha sua estrutura inicial também confundida com as da avenida de Porto Alegre.
Bartolomeu explicou a situação:
-Charles, hoje você irá conhecer uma comunidade de irmãos ainda imantados à matéria, que está numa das fases do Umbral. Preste atenção. Essas entidades coabitam um espaço como se estivessem em uma cidade e formam algo semelhante aos condomínios fechados. Na verdade, elas já possuem um senso de orientação que lhes estimula, mesmo nessas regiões trevosas, à convivência coletiva. Apesar de acreditarem em Deus e nos espíritos superiores, elas ainda estão em estágio evolutivo diferenciado pelo fato de venerarem alguns de seus líderes, que se destacam pela arraigada vaidade presa a ilusão de sacrifício pessoal ou de animais, e de oferecerem oferendas ou receberem “agrados”, como eles preferem classificar. Observe que um fato os distingue dos demais irmãos e irmãs que vagam pelo Umbral. Nessa comunidade que tu vais visitar, os irmãos têm um apurado senso de autoproteção do grupo e de defesa da área como se defendessem uma propriedade pessoal. Entre eles e para com os seus interlocutores encarnados, existem pactos de lealdade e auxílio mutuo. Para conseguirem o que consideram necessários, são solidários entre si, inclusive na pratica de ações que propiciem mal-estar ou mesmo o desencarne daqueles que forem por eles considerados prejudiciais aos seus intentos na superfície. Os líderes, mais comumente conhecidos como Exús ou Magos Negros, conforme a posição que ocupam numa determinada hierarquia dessa organização, são extremamente inteligentes e formam suas próprias comunidades no Umbral, estruturadas em redes de comando e atividades. Entre eles são formados conselhos que se reúnem para deliberar sobre as situações que lhes afetam ou afetam seus porta-vozes encarnados ou mesmo aos encarnados que a eles se socorrem oferecendo agrados, no desejo de afastar de seus caminhos os seus desafetos ou no desejo de conquistar vitórias políticas, dinheiro ou supostos amores.
Diante das colocações, não pude deixar de expor minha preocupação.
-Mas não será perigoso nós entrarmos nessa comunidade? Esses líderes permitiriam a minha entrada, vendo minha condição de encarnado? Eu não serei como um intruso?
-Charles, a situação sua tem algumas peculiaridades que se assemelham a muitos casos de irmãos encarnados que visitam essas comunidades. Não são poucos os irmãos que em estado de sono, são levados ou mesmo atraídos para essas regiões. O fato de ser praticamente um lugar comum, onde muitos encarnados visitam quase que rotineiramente quando em estado de sono, devido suas condições de pensamentos que os imantam a desejos menos elevados, propicia uma normalidade para eles. Mas no seu caso, nós temos hoje uma irmã conhecida que trabalha nessa comunidade e lhe conduzirá como sendo um aluno dela. Essa irmã não tem relação vibracional com o Umbral e nem com a comunidade. Ela desempenha uma atividade de elevado significado. Por estar na condição de encarnada, ela consegue desempenhar melhor a atividade de professora orientadora para diversos irmãos necessitados. Esse trabalho de orientação é melhor executado durante a noite, pois nesse período os líderes e seus seguidores mais próximos se deslocam para a superfície onde se encontram com seus servidores encarnados para praticarem diversos rituais de sacrifício e outra atividades maléficas. Sempre ao entardecer, irmãos mais esclarecidos com relação aos moradores dessas comunidades, que trabalham para espíritos de luz e controlam essas regiões, fazem soar um sinal indicando que essas entidades podem ir desempenhar seus trabalhos. Nesse momento o portão dessas comunidades é aberto por outro irmão também mais esclarecido, permitindo a passagem dessas entidades, que sobem em diversos grupos para a superfície. Dessa forma, ficam nas comunidades irmãos mais receptivos para os ensinamentos evolutivos. Já quando está amanhecendo, o mesmo sinal é tocado e essas entidades sabem que devem retornar, sob pena de perderem suas regalias e liderança. Como são extremamente vaidosas, elas retornam para exibirem os ganhos que obtiveram ao perpetrarem o mal contra irmãos que perturbavam seus afins e mostrar os agrados que seus seguidores e auxiliares mais próximos obtiveram com os sacrifícios em rituais de sangue. Muitos chegam como embriagados, com suas vestes ensopada pelo álcool, fumo e fluido animal.
Nesse momento vi uma pessoa subindo. Era a irmã Rita, uma antiga conhecida. Trazia alguns livros nos braços. Ela se aproximou, como sempre, com o sorriso aberto.
-Olá irmãos! Estava aguardando vocês lá na entrada. Diante da demora, resolvi subir para ver se estavam chegando.
Bartolomeu cumprimentou a irmã Rita e explicou que a demora decorreu do ensinamento que estava me oportunizando sobre o local.
Eu não pude ficar mais surpreso com a situação.
-Olá Rita! Não sabia que você dava aula nesse local. Sempre pensei que era em lugares mais iluminados.
-Charles, que Deus nos acompanhe hoje. O trabalho que desempenho na área do ensino é desenvolvido também em locais diferentes e superiores ao Umbral. Mas aqui existem crianças que necessitam de tanto ou mais afeto que nos planos superiores. Essa atividade respeita um revezamento entre diversas outras irmãs encarnadas, que descem aqui para instruir e orientar espíritos que desencarnaram em condições trágicas quando estavam encarnadas no estágio de crianças ou adolescentes. São entidades que trazem muito ódio e desejo de vingança, afeitas a ilusão de ações heroicas. Além dos irmãos do Brasil, não raro, vem crianças e adolescentes da África, Oriente Médio e Ásia, que foram instruídas como soldados nas guerras locais, e que ao desencarnarem em conflitos de sangue com pouca idade, como nove, doze e até dezessete anos, receberam a dádiva de reencarnarem no Brasil em lares abertos pela orientação cristã. Mas vamos andando, assim ganhamos tempo.
Bartolomeu agradeceu as explicações da irmã Rita e considerou sobre a atenção que o Alto dá para essas regiões.
-Apesar de não parecer, o Alto exerce muito trabalho de resgate no Umbral. Nenhum irmão está desassistido ou desamparado. Existe uma atividade intensa e invisível em busca permanente do resgate e da evolução desses irmãos. Mas por hora, quero que você Charles fique tranquilo, pois como vamos penetrar em região mais densa, eu me tornarei invisível aos olhos de vocês. Porém, você poderá me ouvir.
Dito isso, notei que o Bartolomeu de fato ficou invisível.