Mostrando postagens com marcador Resgate. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Resgate. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Viver e aprender sempre

Foi longa a vida que tive na Terra. Mas foi curta a vida que tive com saúde. Apresento aqui o quanto é necessário na vida terrena, as mãos doces e amigas das mães que acolhem os filhos. Em especial aos filhos que chegam com algum tipo de problema físico.
Em minha encarnação, tive como tarefa de aprendizagem as dificuldades de um aparelho que não obedecia o espirito. Não tinha eu o pleno controle do aparelho em terra. Meu corpo era considerado defeituoso. E para piorar ainda mais a situação, conforme passavam os anos, ele foi ficando cada vez mais difícil de obedecer o espirito.
Mas tive uma mãe que me cuidou com muito zelo e dedicação. Vez por outra meus problemas de epilepsia se faziam e ela com todo cuidado me acudia. É! Foram tempos que causei algum constrangimento para aquela que assumiu meus cuidados, tudo para que a minha aprendizagem fosse completa.
De uma criança com deficiência, me tronei em um adulto deficiente, e com epilepsia. E conforme o tempo, até os mais simples movimentos foram assumindo dificuldades.
Mas minha mãe, mesmo cansada, jamais deixou que as coisas me faltassem. Sempre atenta e zelosa fez que tudo fosse ao meu encontro, desde os medicamentos, os médicos, a adaptação da casa, dos espaços do quarto e até dos talheres. Tudo foi para atender as minhas dificuldades físicas, mas não espirituais.
Em meus pensamentos, vez por outra, via que algo estava em desacordo com minha vontade. Que não conseguia se quer equilibrar o garfo. Mas o pior era quando tinha que utilizar outros apetrechos para minha própria saúde.
Se não fossem as mãos de minha mãe, o tempo de aprendizado não teria sido completo. Teria de retornar para a espiritualidade antes mesmo de completar o tempo.
Mas como foi duro para quem me levou até o último suspiro meu. Ela, com dor e sofrimento, me levou até ao último dia que tinha como marcado para completar o aprendizado. E, naquele dia, já com meus mais de 50 anos, minha mãe já idosa, ficou ao meu lado, orando, até quando os equipamentos que me mantinham igual a um vegetal apontaram o meu desencarne. Diagnostico do caso morte: falência múltipla dos órgãos.
Quero deixar meu agradecimento, ao corpo que me serviu de aprendizado, pois sem o corpo o ensino necessário não teria acontecido e eu ainda teria de passar pelo que estava previsto. Previsto pelo fato de coisas realizadas em vidas pretéritas. Mas isso é para outro momento.
Hoje vivo na Espiritualidade, junto com minha mãe, sim, com minha mãe, pois ela logo veio para a Espiritualidade, pouco depois. Ela ficou mais quatro anos na Terra. E quando eu estava pronto, fui buscá-la junto com outros queridos familiares. E quando ela me viu, nossa! Quando ela me viu, foi uma alegria só. Estava eu perfeito, com a consciência perfeita, com os movimentos perfeitos. Mas, como ela disse; com o mesmo lindo sorriso de amor e com o olhar afetuoso.
É assim que completei minha aprendizagem na Terra.
E hoje escrevo para destacar sobre o ensino necessário para galgarmos novos aprendizados. Estamos organizando minha futura encarnação mas não mais na Terra, e sim em outro local com o objetivo de dar continuidade ao progresso. Pois é isso que nos leva a Deus: o Amor e o Progresso.
Fiquem com Deus!
De um querido irmão!
Psicografado em 14 de abril de 2018.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Minhas dores!

A vida que tive na terra não foi a que posso afirmar, como sendo de muitas afeições a riqueza e nem em prosperidades econômicas. Mas tive a oportunidade de ter uma família que se preocupou muito com os outros. E sempre se comportou em conformidade com a religiosidade que melhor nos adequamos.
Nessa oportunidade religiosa, dos povos de religião, São Jorge sempre foi meu santo protetor e claro que não foi ele que veio ao meu encontro quando fiz a passagem. Também não foi nenhum povo ou tribo.
Mas quem veio ao meu encontro em minha passagem foi minha vó, a vó Chica. Ela tinha e tem aquele mesmo sorriso de sempre e com o palheiro na mão. Não! Ela não fuma na Espiritualidade, não!
Mas foi a maneira que de imediato reconheci. E tive uma melhor atenção. Pois a vó Chica não estava com os cabelos brancos. Estava jovem e bela, tal como uma fotografia que guardei dela quando ainda estava na Terra.
Mas conto como foi a passagem.
Estava eu num leito de hospital. E ouvi os médicos e enfermeiras falarem sobre a minha situação. Eu nada podia falar ou dar sinal. Estava com um tubo na garganta e com um monte de fios e tudo aquilo me mantinha em vida; claro que já era vida fora do corpo, pois eu ficava olhando a situação ao lado da cama, com a boca fechada, mas vendo e ouvindo perfeitamente.
E os médicos disseram: a família autorizou, pode desligar as maquinas e ir diminuindo a dosagem.
Eu não entendia muito as questões que aqueles médicos diziam, mas eu estava firme em pensamento, aguardando o São Jorge chegar. Foi então que pela porta entrou a vó Chica.
E com o sorriso característico foi logo me chamando pelo nome e dando aquela gaitada de costume, dizendo: vamos logo, que agora já tá chegando o ônibus.
Fiquei meio sem entender, mas a situação do reencontro me despertou uma enorme alegria.
E disse ela que não era o São Jorge, mas que tinha um cavalo branco me esperando lá fora, tudo isso com muita risada.
Bom! É assim. Tudo foi com muita alegria; numa passagem tranquila. Apesar dos familiares que ficam na Terra, ainda estarem entristecidos. Mas tudo passa com o tempo, que é o melhor remédio. Tenho ido ao encontro deles em sonho, e eles também tem vindo até mim.
E isso é o melhor de todos os mundos. O amor que nos une e nos manterá unidos.
A vida na Terra pode parecer com portas que servem para pessoas partindo, mas também são para receber pessoas que chegam; essas são as portas do coração.
Eu bato para entrar e vocês podem aguardar, pois estarei sempre batendo para entrar. E vocês estão já em meu coração.
Pois fechei a porta para que vocês já mais saiam de mim.
Fiquemos de hoje e sempre, com Deus no coração.
Aos irmãos!

Psicografado em 05 de maio de 2018.

sábado, 19 de maio de 2018

Pedido de orações


Foi um tombo que passou. Que deixou marcas na Alma de minha mãe e de minha filha. Mas as ocorrências daquela época me fizeram agir daquela maneira. Pedi perdão ao Alto e aos que sofreram as consequências das minhas ações. Mas ainda sinto que a minha Alma não tem a paz que eu gostaria.
Tenho pedido orações e a impressão é de que as poucas orações me fazem sentir uma leve melhora. Mas não o suficiente de ter um repouso quanto aos pensamentos que me afugentam da Luz e da Paz. Fiz o que não devia, apesar das diversas orientações. Me pus hora a castigar o corpo e meus pensamentos e coloquei meu Ego a cima de todas as orientações e acima da fé. O que eu fiz foi dar a dor para minha mãe e minha filha.
E agora a sensação da Misericórdia que não chega nunca, me faz vir aqui para pedir orações e preses. Tenho um medo enorme do escuro, onde escuto os gritos e gemidos de coisas que não vejo. Escuto ruídos que me atormentam e sinto a dor forte no estomago que sei, foi causado pelo veneno que ingeri.
Mas quero Paz. Quero calma. E quero sair dessa situação. E não sei como, mas me dizem, e não sei quem, que vocês vão me ajudar. E eu preciso muito de ajuda. Eu preciso de orações.
Quero sair daquele lugar escuro e nojento, cheio de vermes e de barulhos que só me trazem amargura e dor.
Lembro sempre de minha Mãe. Não consigo mais ver ela e nem minha filha que vez por outra parece que escuto umas orações. Mas, preço perdão pela situação que trago, mas preciso de socorro!
Peço para mim, que na ansiedade de sair rápido dos sofrimentos da vida, causou maior sofrimento ainda para pessoas queridas.
Suas preces podem me auxiliar, assim falam as vozes que estão em minha volta. Não quero muito. Apenas a Paz que ainda não tive, no lugar em que parei.
Meu nome,
Marta
Que suas preces me ajudem.
Psicografado em 03 de março de 2018.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Perdão e Misericórdia


Fui um desgraçado na Terra. Tinha muita raiva da vida e de muitas pessoas que comigo conviveram. Não tinha nenhuma pena das pessoas, e sim, muita raiva. Quando tinha alguma oportunidade de fazer o mal, assim o fazia e com um gosto que me deixava com um sentimento de glória.
Convivia com a maldade e com ela me sentia realizado. Meus familiares jamais gostaram disso em mim; mas pouco me importava com tal situação. E também contra eles eu me coloquei e causei o mal. Me deleitava em prejudicar e fazer com que as diferentes situações vividas pelos familiares não fossem as melhores.
Mas todo o Mal tem seu fim. E em chegar a termo. Em dado dia e momento, com a raiva corroendo-me por dentro, me coloquei diante da arma e disparei sem dó. A dor da bala pouco causou sofrimento. Mas os momentos que daí decorreram foram os mais doloridos e constrangedores. Sentia com muita intensidade cada dor, cada fincada na alma, e cada espetada no coração. Como um rio de lava passou a me queimar as entranhas. Gritava em total desespero e nada acontecia, ninguém por me salvar. E logo tudo ficou como uma noite que nada podia ver, nada conseguia perceber.
Tudo era escuridão e dor como jogo na alma. E o pior foi o frio que se abateu sobre mim. O gelo me fez reclamar ainda mais. Tremia de frio e tudo que busquei para acalmar a tremedeira do gelo, nada ajudou, nem o barro, folhas ou mesmo o lodo com musgos que fedia como carne podre. Quanta dor passei; quanto frio senti; quanto medo; passei a ter de mim mesmo. E ninguém por mim, e nem para me apontar um caminho para sair daquele maldito lugar; que lugar! Era meu pensamento.
Gritos por toda parte e gemidos em tom estridente me movimentaram para frente, me fazendo afundar na lama com musgos. Em minha boca, por onde passou a bala, o lodo entrava e o musgo me engasgava, me dando a sensação de que morreria afogado. Mas morto eu já estava. E tudo aquilo que passava era um pesadelo tétrico. Em vertiginoso contexto de inferno vivo.
Mas chegou um dia, que não consigo precisar. Eu não mais conseguia gritar, sequer conseguia lamuriar; estava eu flutuando sobre a lama e o lodaçal de musgos, que nem mais cheiro tinha, quando percebi ao longe uma claridade. Nossa, fazia muito tempo que eu nem conseguia entender a luz. Mas da claridade pessoas vieram em minha direção. Eu não conseguia falar. Não conseguia, sequer, perguntar. E elas me colocaram em uma maca e disseram:
- Filho! Viemos te buscar. Agora está seguro. Fica calmo e aproveita para dormir.
Não sei quanto tempo foi que fiquei naquele inferno e nem quanto tempo já estava sem dormir. Mas a chegada daquelas pessoas me oportunizar o sonho reconfortador.
Acordei não sei quanto tempo depois; estava num quarto de hospital. Quando acordei, senti uma paz como nunca antes. E isso me fez chorar compulsivamente. Chorei como nunca. E adentrou pela porta, naquele instante, uma enfermeira que me acolheu imediatamente. Não conseguia parar de pedir perdão. E diante da situação fui medicado. E de novo dormi.
Quando lembro dessa minha trajetória, fico a consolar ao Pai, que me concedeu o perdão, que me concedeu a misericórdia.
Hoje deixo minha história para estudo. E como ainda estudante, sigo no caminho dado pelos Irmãos Superiores.
Espero que me Perdoem.
Fiquem em Paz.
Valdomiro
Psicografado em 25 de novembro de 2017.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Quanto tempo já passou!


Da noite que iluminou o País ao dia de hoje 27, foram cinco anos a contar pelo calendário da terra.
Mas aqui no céu os dias e anos são diferentes. Parece que foi apenas alguns momentos. Mas são de momentos muito intensos na companhia de familiares e de pessoas amigas, todas muito queridas, amorosas e que acompanham a cada pensamento e sentimento que possa causar lembranças tristes.
Mas como escrevia: foram já cinco anos daquela noite que iluminou o País. As chamas não foram tão altas, mas a fumaça atingiu altitudes incomensuráveis. Estávamos ao som de música ao vivo e tudo transcorria na maior alegria de sempre. Quando, de repente uma breve confusão agitou o ambiente e logo a luz no teto se confundia com algumas labaredas e já se fez uma espessa fumaça e tudo mais já se sabe.
Mas o que não sabem é a situação dos encontros que ocorreram com todas aquelas almas que correram para o desconhecido. Para uma porta sem saída. Muitos de nós nos deparamos com amigos e familiares e logo uma nova confusão se fazia. Ao encontrar com minha tia, que de muito já havia desencarnado, fiquei um pouco assustada. Afinal foi no lampejo da imagem que minha tia se fez em minha frente. E no susto e sustos mais fui acometida de um desconforto sobre o que estava acontecendo.
Mas a Tia logo falou da situação. Que estava a me buscar, que eu iria para outro lugar e que não poderia, por hora, retornar para casa. Sem entender o que se passava, pois ficava atordoada, diante da “fantasma” de minha Tia, fui procurando compreender sem entender. Mas a situação logo se fez, ao menos para mim, que estava eu morta. E isso me constrangia profundamente. Pois tinha uma sensação de dor profunda quanto a pai e a mãe que havia, “horas antes”, me despedido brevemente dizendo que retornaria pela manhã.
Mas não mais. Fui acolhida de forma muito amorosa por Almas queridas. E de dor e sentimento de angústia, logo tudo virou uma paz e serenidade. Minha maior dor, suportável pelo contato fraterno da Tia, era o de sentir e ver o choro compulsivo de meus pais e amigos que deixava para a Terra. Ver eles do céu dava uma sensação de vazio e remorso, mas que logo passava no abraço afetuoso da Tia. E nos braços da Tia eu consegui ao longo desses momentos no Céu, acompanhar e suportar a distância que nos separam. A distância que para nós no Céu para a Terra não é nada. Mas que para aqueles queridos que deixamos, parece muito, parece longo, parece sem fim.
É, para eles parece uma dor sem fim. Mas cada lágrima que deles brota, será recompensada e não tarda muito, pelo menos para quem já está no Céu. Não tarda muito o reencontro com meu Pai e depois com minha Mãezinha.
Mas a situação de reconforto nos braços da Tia foi e é de tal forma, que supre toda e qualquer angústia. Estou cercada de carinho e com mil planos para logo mais. Quero ainda estudar aqui sobre a psicologia e depois quero encarnar para trabalhar com todos aqueles que sofrem da necessidade de superar perdas que comovem profundamente o coração. Quero trabalhar no futuro com pessoas que necessitarão passar pela dor emocional que parece nunca ter cura, que parece nunca melhorar ou diminuir.
Mas faço minhas visitas periodicamente com minha Tia. Visito meus pais quando me é permitido. Vejo eles em seus sonhos. E já são algumas vezes e eles acordam e comentam sobre o que conversamos e como eu estava.
Estou feliz pela oportunidade e de deixar para os estudos o desejo de que a paz e a emoção da fraternidade se faça nos corações.
A vida não para e o bom de tudo é saber do reencontro que se dá com todos os que amamos. Familiares queridos de sempre com sorriso nos acompanham e orientam. É isso uma alegria imensa para mim e para muitos que partem da Terra.
Vim para colaborar com os trabalhos da Organização. Chegamos em caravana. E faz algum tempo que já estamos em visita dos familiares e amigos. E como sabem: Deus permite que os corações que querem fazer o Bem, recebam o bem. Assim, deixamos depositados em todo o ambiente por onde passamos, ramalhetes de flores.
Fica nossa história!
Fica minha história!
Para sempre.
R. D. F.
Psicografado em 27 de janeiro de 2018.

sábado, 10 de março de 2018

Um Pequeno Relato


Hoje chegamos mais cedo e acompanhamos as conversas que se desenrolaram entre os irmãos. Ficamos muito satisfeitos e felizes em notar como o conhecimento se realiza a cada instante.
Mas venho aqui com texto pronto e é a isso que me dizem agora para fazer. Passar o Texto. Vamos lá!

Fui um rapaz que não tinha muito interesse pelo estudo. E sempre me coloquei como sábio de mim mesmo, e de minhas atitudes tudo sabia e fazia por acontecer. Sem me preocupar com as circunstâncias alheias e com as pessoas. Fosse o que dissessem ou comentarem.
Mas de arrogância e de desejo da aventura, fui logo acometido de própria desgraça. Fui tomado de desejo pela velocidade. E em determinada noite, com o carro do pai, me pus a correr em alta velocidade. Queria sentir o motor e conseguir bater o ponteiro nos 220.
Quando quase estava no auge da velocidade, um estouro aconteceu no veículo, e de pronto uma grande tragédia se fez.
Não podia, e nem queria acreditar no que estava vendo: Tudo era uma grande loucura, enxergava pessoas que antes não estavam ali, com roupas diferentes e com olhares de sorriso e de acolhimento. Mas o carro já estava todo destruído.
E o sentimento de perda também me abateu. E quando, me vi: sim! Quando me vi! Vi-me no banco da frente, em pedaços. Que horror! E em pedaços em um carro completamente destruído, e também ali, ao lado, com muitas pessoas estranhas a mim. O que estava acontecendo, afinal?
Claro que notei de imediato que estava morto. Morria com a destruição do veículo do Pai. E agora? Como faria para contar ao Pai Augusto sobre o acontecido.
Ocorreu que o desespero foi mais forte. E mesmo sentindo uma leveza, meu coração passou a pesar. Sentia meu coração bater forte, e forte ao ponto de doer o peito. E chorei como nunca antes.
Tudo estava acabado com meus 21 anos! E agora!
Quanta agonia me percorreu os pensamentos. Lembrança de diversas situações da vida. Das orientações que não dei atenção. E agora?
Mas foi quando a dor foi forte no peito que ouvi a voz da minha vó, que já fazia uns 10 anos que havia morrido. A vó passou a me chamar pelo nome. Olhei para o lado e a vi. Minha vó Fernanda estava ao meu lado; mas ela estava jovem, mais jovem do que quando morreu.
Ela chegou até mim, me abraçou, e dizendo palavras de consolo passou a me abraçar afetuosamente, e disse:
- Meu neto! Meu neto! Vim te buscar e levar para a escola.
Eu pensei, na confusão de meus pensamentos, que era um sonho!
Vi a vó jovem. Ela dizendo de escola. Mas logo eu que nada queria saber isso. Mas a vó Fernanda foi muito carinhosa e disse que não podíamos ficar muito ali! Que teríamos de nos apressar.
Saímos e fomos em direção a um ônibus. Pelo menos era o que parecia ser; um ônibus. De dentro do ônibus ainda olhava para o carro destruído e o monte de gente chegando para ver o acidente. Para ver a tragédia.
Mas sem muito tempo para acompanhar a situação, me coloquei a perguntar o que estava acontecendo. A vó passou a explicar algumas coisas que para mim não faziam sentido. Mas tudo bem. Pelo menos eu, ali, estava entendendo que continuava vivo. Que eu ainda estava inteiro.
O ônibus logo começou a andar para frente e num instante passou a flutuar. E da noite virou dia. E a paisagem já era outra e tudo era diferente e estranho.
A vó notou minha surpresa e comentou para que eu ficasse calmo.
Claro que fiquei: afinal, tudo ali era muito bonito e diferente.
Paramos em um determinado ponto de uma rua, numa cidade muito arborizada e florida, com casas muito bonitas, também, com animais e flores que refletiam luz. Mas que surpresa, ver animais e flores emitindo luz. E claro, sair da noite para o dia em um instante. Claro que tudo parecia um sonho. Mas era tudo real.
Descemos do ônibus e a vó me levou para uma bela casa. Ali encontrei outros familiares e pessoas que não conhecia. E a vó disse:
- Meu neto! A partir de hoje você passará a morar aqui. Ficará com nós e eu te darei todo o cuidado e atenção como sendo tua mãe. Se tem alguma dúvida ou quer entender o que passa, fique à vontade de perguntar.
Mas na situação não quis fazer perguntas difíceis, apenas uma.
- Como assim?
- Meu neto! Sua morte prematura lhe fez vir para junto de nós. E a partir de agora terás de frequentar a escola e só quando estiver pronto poderá visitar seus pais.
Pronto? Visitar? As dúvidas aumentaram. Mas a vó Fernanda deu-me um chá, um calmante como ela disse, e já fiquei mais tranquilo.
Bom. Hoje já estou formado nas escolas da espiritualidade. Formado no entendimento sobre o respeito à vida e ao próximo. Terei outras escolas por fazer. Mas por hora já posso dizer que aprendi muito.
E já visitei diversas vezes meus familiares. Meus pais, que muito sofrem com minha partida.
Não pude acompanhar e ver as situações que decorreram do acidente quando os fatos se deram. Mas quando participei da escola, aprendi a ver o passado e também o futuro. E nesses fui ver o passado e a dor causada em meus pais.
Mas também aprendi a ver o futuro de felicidades que ainda teremos.
Nesses dias que se aproximam das festas natalinas, que o Amor do Cristo se faça presente em todos os corações.
Com Paz no Coração.
Augusto

Psicografado em 02 de dezembro de 2017.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

RESGATE DE JOSMAR [2ª parte]

Enquanto duas entidades ladeavam Josmar, segurando em suas mãos, uma terceira, flutuando atrás e um pouco mais acima das demais, amparava a cabeça do resgatado. Em breve momento flutuamos todos os seis para um ambiente diferente, entrando numa espécie de terminal de metrô, como se fosse um cruzamento com portais para outras dimensões. Haviam cinco diferentes “túneis” que perfaziam direções específicas.
O Mentor Bartolomeu indicou qual a direção a seguir. Quando passamos pelo portal, logo o ambiente se apresentou diferente. Chegamos numa estrada larga, com gramado, árvores e flores dos dois lados. Logo vi casas, muitas casas, e espíritos por todos os lados. Conforme seguíamos, ia notando o meio urbano da cidade São Batista. A cidade se assemelha em tudo na geografia terrena. E o que me chamou mais a atenção foi um colossal prédio que se estendia ao céu, terminando em formato de antena.
Josmar seguia amparado pelas três entidades, enquanto que a outra orientava o caminho a seguir para chegar na residência da Irmã Mirtes.
Quando chegamos numa elevada, onde a rua se fazia numa bifurcação, pude ver uma grande área residencial, com centenas e centenas de casas entrecortadas por ruas arborizadas. Nesse instante a equipe toda parou; e a entidade que orientava o caminho para a nova residência de Josmar se aproximou de mim e do Mentor Bartolomeu e agradeceu pela dedicação.
O Mentor Bartolomeu conversou com as entidades e, agradecendo ao Pai Celestial pelo resgate bem-sucedido, disse para eles seguirem sob a luz do Pai. Ele explicou-me que a área residencial onde mora a Irmã Mirtes é interditada para encarnados, pois trata-se de local onde as famílias recebem seus entes familiares que tiveram muita dificuldade em se desligar do mundo terreno, e minha presença poderia provocar alguma perturbação.
Sem questionar as orientações e explicações, retornamos da Cidade Espiritual São Batista.

[Fim]

sábado, 2 de janeiro de 2016

RESGATE DE JOSMAR [1ª parte]

Certa noite de novembro de 2015 o Mentor Bartolomeu e outras três entidades me conduziram para a realização de um resgate.
Ocorreu que iríamos resgatar uma entidade que já havia desencarnado a mais de dois anos, mas continuava andando entre os encarnados como se ainda estivesse encarnada. Essa entidade era o Josmar. Quando encarnado ele teve uma experiência de simplicidade e humildade na matéria. Buscou sempre o trabalho para sustentar a família. Todavia, a rudeza da vida lhe fez duvidar da vida após o desencarne. Em sua consciência acreditava que, após a morte, acordaria em um lugar para descansar. Entretanto, ao se desligar do corpo viu os encarnados que estava sempre habituado a ver; tratava-se dos seus colegas de profissão.
Josmar estava tão dedicado ao trabalho que não percebeu seu desencarne que ocorreu durante uma noite de sono, e pela manhã foi direto para o trabalho; seguindo o mesmo roteiro de todos os outros dias. Como voltava somente à noite para casa, quando chegou não notou a ausência dos familiares e, depois de fazer as atividades costumeiras, foi para o leito dormir.
Durante a noite os familiares desencarnados e mentores de Josmar o acudiram, lhe chamando para ir com eles. Entretanto, Josmar acreditava que tudo se tratava de um sonho ou ilusão. Esse comportamento o “imantava” fortemente no plano terreno, fazendo os que lhe acudiam ficarem invisíveis e mudos aos seus sentidos.
Foram diversas as tratativas para despertar o irmão daquela situação, mas todas não surtiram efeito. Josmar continuou resistente aos Espíritos que iam ao seu socorro.
Em novembro o Mentor Bartolomeu se ofereceu para auxiliar no resgate e que utilizaria os préstimos de um encarnado para facilitar a comunicação. Isso porque enquanto encarnado o Espírito tem uma densidade maior de perispírito. Foi quando da permissão concedida que o Mentor Bartolomeu me levou em desdobramento para a residência de Josmar. Com as instruções e na companhia do Mentor Bartolomeu e de outras três entidades, passei a bater na porta da residência de Josmar e chama-lo pelo nome.
Não demorou muito para ele se fazer presente na porta da residência, questionando quem eu era e o que queria naquela hora da madrugada. Foi quando lhe expliquei sobre a necessidade urgente de ele encontrar sua mãe, que ela estava muito necessitada dele. Josmar logo se contrapôs, dizendo que sua mãe já havia morrido e que eu estava batendo na porta errada. Passei a dizer que não, que ela continuava viva e que estava morando noutra cidade. Disse-lhe que a morte não existia e que se ele permitisse uma mudança mínima de pensamento conseguiria ver muito mais, em particular o que ele estava resistindo em ver.
Durante a conversa a equipe espiritual iniciou a aplicação de luzes sobre o Josmar. Não demorou nada e ele passou a ver que em minha cabeça tinha um filamento luminoso. Mas na mesma medida que Josmar via mais, ele também ficava mais adormecido. Nesse instante ele consegui ver as quatro entidades que estavam a sua volta e foi quando o Mentor Bartolomeu assumiu a conversa.
Quando o resgatado assumiu uma tez pálida, ele se prontificou a nos acompanhar. Suas forças pareciam ter desaparecido e passou a demonstrar uma maior leveza e sonolência. Josmar estava perdendo sua “imantação” com o plano encarnado.
Segurando nas mãos de Josmar, as duas entidades espirituais que acompanhavam o resgate, passaram a lhe auxiliar no caminhar. Foi quando iniciamos a caminhada em direção da residência da mãe de Josmar, a Irmã Mirtes, que mora na Cidade Espiritual São Batista. Essa cidade fica próxima da crosta terrestre e serve para uma população de um milhão de almas.

[1ª parte]

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O acolhimento de Soraia P...

Foram mais de vinte anos andando nas sombras. Até que um dia fui lograda de muita dor no peito e fiquei prostrada no chão.
Não sabia mais a quem gritar.
Minhas angústias não eram mais minhas, mas de todo o meu ser e de todo que estivesse na minha volta.
Diversos irmãos e irmãs encarnados passaram a sofrer tal como eu. Tinham um forte recolhimento interior e faziam sua Alma lamuriar com uma pessoa que sofre sem saber a origem da dor.
Era impressionante a condição que juntos nós todos ficávamos. A dor se fazia e ao mesmo instante se multiplicava.
Os gritos da Alma já eram lamúrias que se faziam ao relento do entardecer, até o momento do despertar.
AS pessoas na minha volta, juntamente comigo, já estavam transbordando angústia agonizante e de tal tamanho que o psicológico se fazia sentir o suicídio palpitante.
Ah! Quanta dor e sofrimento fiz eu, as pessoas passarem.
Eu e elas, juntos, compartilhamos momentos de solidão e de recolhimento egoístico.
Foi em dado dia, em significativo movimento de mão mansa e de voz suave, a minha história e a dos que comigo sofriam, passou a mudar.
Mas quã bela mudança ocorreu. Aquela senhora, simpática e amorosa, com voz mansa e de toque suave, fez luz em meu coração.
A cama hospitalar logo foi vista em minha frente. E com um convite para o descanso, não sobrou quase tempo para lhe agradecer.
Me fiz de pronto. E rastejando no lodo viscoso e mal cheiros, me lancei para cima de lençóis brancos como nunca tinha visto.
E sob uma lâmpada azul, logo senti um conforto inesperado. Um sentimento de consolo me encheu a Alma e, em prantos, não pude mais parar.
Dormi o sono revigorante como nunca mais havia sentido. E sonhei. Um lindo sonho de reencontro: minha mãe e minha avó vieram falar comigo. Foi um belo momento que guardei lembranças revigorantes ao despertar. Lembrava das frases de minha mãezinha, de minha vozinha.
Fiquei extasiada de alegria e não mais me sentia sozinha. Apesar da estranheza do lugar onde agora me encontrava. O quarto limpo, a cama com lençóis perfumados. E no bidê uma flor apenas, mas de muito significado. Era a que minha mãe havia me entregue no sonho.
Obrigada meu Deus!
Obrigada aqueles que me acolheram!
Obrigada a todos que ouviram meus lamentos e que por vezes os fiz também chorar.
Peço desculpas pelos erros cometidos.
E agora me retiro para o estudo do Evangelho. Nele a palavra de Amor e Esperança que necessito agora, em minha Alma, acordar.
Um beijo no coração!
Da pequena e inconfundível irmã Soraia P...

Psicografado em 05 de outubro de 2015.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Navegando no Umbral

Para penetrar em certas regiões umbralinas, com o propósito de promover resgates de almas, é necessário a utilização de equipamentos capazes de conduzir as equipes socorristas, bem como a de abrigar e dar o suporte indispensável aos resgatados.
Não deve ser novidade para os estudiosos do Espiritismo que; há registros sobre “Casas” que mudam de lugar no Plano Espiritual, como a conhecida Casa Transitória de Fabiano; também há registros sobre veículos que penetram nas regiões umbralinas, como o registrado por André Luiz. Mas também há visualizações na Terra, destacada por encarnados, de discos voadores.
Ocorre que no Plano Espiritual, para poder garantir a condição de melhora dos resgatados nas regiões umbralinas, bem como para exercer maior proveito das equipes e de suas ações louváveis nas atividades de resgate, ocorre que a espiritualidade faz uso de naves espaciais. Semelhante a Casa Transitória de Fabiano, algumas dessas naves são construídas com o tamanho de dezenas de quarteirões. Gigantescas fortalezas que navegam pelo Umbral, estacionando e servindo de porto para outras naves de menor tamanho e que também servem para atividades de resgate.
Centenas de irmãos que atingem a condição de resgate, ou seja, que mudam seus pensamentos em direção ao Pai Celestial, são acolhidos pelas equipes de resgate. Alguns chegam a necessitar atenção especial e imediata e essas são executadas pelas pequenas naves de sondagem, onde o socorro é específico para a necessidade da alma resgatada.
Quando acolhidos nas gigantescas fortalezas, na gigantesca nave, a alma é internada em quarto hospitalar onde a arquitetura interna lhe dá a impressão de estar em um prédio de uma cidade. Conforme o tempo que essas gigantescas naves singram pelo Umbral, as vezes anos ininterruptos, alguns pacientes, em decorrência de melhoras significativas, passam a trabalhar em pequenas atividades de auxílio. Sentem eles que estão morando numa pequena cidade, visto que essas gigantescas naves são construídas para oportunizar o melhor ambiente para os seus internos.
Não rara são as vezes que algumas dessas naves, sejam as gigantescas ou mesmo as menores, se fazem visíveis, de forma isolada, no plano dos encarnados. Nesses casos específicos, as naves desenvolvem incursões na matéria densa para condicionar aos que serão resgatados uma melhor ação das equipes socorristas; pois não é raro que, em casos dessa envergadura, a alma se considere ainda encarnada e transita por região umbralina que interpenetra o mundo dos encarnados. Nessa condição, essas almas têm os sentidos como dos encarnados, de forma que não enxergam ou sentem o mundo invisível.
Ninguém fica desamparado. Todos são acompanhados pelos planos da Espiritualidade. E tão logo as almas que transitam no Umbral passam a despertar suas consciências para o Pai Celestial, se desfazendo das amarras carnais e dos pensamentos egocêntricos de satisfação própria, a luz se faz e as equipes do bem atuam.
Fiquem com Deus!
Irmão Aluízio

Psicografado em 29 de julho de 2015.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Raio de Luz

Quando você se encontrar triste por algum motivo que não sabe exatamente o que seja.
Quando você estiver remoendo pensamentos que lhe deixam o coração constrangido e emocionalmente dolorido.
Quando sentir vontade de chorar no silêncio de sua Alma, sem desejar mostrar sua angustia para ninguém.
Saiba que tem alguém ao seu lado que sofre junto.
E talvez as angustias e os pensamentos de dor e sofrimento não sejam totalmente seus, mas você esteja compartilhando dramas deste Irmão ou Irmã que te ladeia.
Converte essa dor em um pedido de luz.
Clama em tua Alma a clemência do Alto.
Pede para os Anjos do Senhor te ladearem e consolarem a ti e aos teus pensamentos, iluminando a ti e a quem possa estar lhe acompanhando.
Saiba que essa prece pode iluminar o caminho da Irmã ou Irmão que, em Espírito, te confessa dores, sofrimentos e angustias que só o consolo do Alto poderá apaziguar e encaminhar o coração enfermiço.
Confia no Alto. E ao pedir pela prece a atenção dos Anjos do Senhor, um virtuoso raio de luz se fará visível para o Espírito que sofre. E ele verá o Amor do Pai resplandecer como um Sol radioso. Sentirá uma paz estranhamente que lhe acalmará as dores do coração.
E não demorará muito para que nesse raio de luz, que você encarnado evocou, se transformará em avenida florida para o Espírito sofrido que te ladeava, conduzindo-o para ambiente de atendimento, onde Irmãos Maiores farão os primeiros esclarecimentos sobre a Imortalidade da Alma.
Enquanto que para ti que evocou o Alto diante de angústias e pensamentos de sofrimento, saiba que haverá momentos que teus passos na Terra estarão iluminados, pois ao teu lado estarão os Anjos do Senhor.
Fique com Deus, meus filhos.
Amanda de Jesus P...
Psicografado em 26 de fevereiro de 2015.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Lembranças de uma suicida


Foi um pensamento dantesco.
De repente me dei por si e estava numa dimensão que mal suportava a minha indignação.
Eu estava morta. Mas também via que não estava.
O ar era quente e fazia um vento forte. E recostado em um barranco de terra vermelha, não fazia a mínima ideia de como havia parado ali.
Sentada e plenamente acordada, era como se tivesse num filme apocalíptico.
Na minha frente outros corpos e pessoas se moviam... gemiam, choravam.
A cena era horrorosa.
Perguntei para um moribundo ao meu lado se ele sabia o como havia chegado ali. Mas seu olhar vazio me deixou com mais dúvidas.
Tudo era muito estranho. Pensei em diversas coisas para tentar entender. Mas toda a vez que buscava uma compreensão, minha cabeça doía e um processo de vertigem desencadeava náuseas e dores.
O vômito era quase constante.
Mas fui me recostando no barranco, enfiando as mãos na terra fofa e trazendo os torrões para cima de minha barriga... isso parecia acalmar as dores.
Muitas vezes gritei desesperadamente para tentar aplacar a dor. Mas a situação era piorada, pois dezenas de outras pessoas gritavam e me batiam. Queriam que eu me calasse.
Minhas pernas eu não sentia, mas via elas ali. Imóveis.
Me arrastava e machucava todo o meu corpo. E ninguém me ajudava.
Logo vi que a situação poderia levar dias e a única coisa que pensava era a de buscar acalmar minhas dores.
Não tinha comida e nem água. Tudo ali era ressequido ou estava estragado pela ação daquelas pessoas.
Quando uma breve chuva acontecia, brotos saiam de algumas fendas das pedras e eram logo devoradas.
A água que acumulava em algumas valas, e que assumiam a cor da ferrugem, se não evaporava logo, era sugada com tal voracidade que mais parecia estarem comendo pedra e terra.
A luz era tão bruxuleante que não permitia ver muito além.
O contraste era quando pessoas chegavam com malas de medicamentos. Elas traziam lanternas que iluminavam ao longe.
Eu gritei diversas vezes para aqueles homens. Mas toda vez que se dirigiram até mim, eles desapareciam, Foram diversas vezes que chamei eles em meu socorro, e quando já estava cansada e caindo em desmaio, via eles caminhando em minha direção. Cansada, caia em sono profundo e não via sequer eles chegarem até mim.
Mas essas eram as oportunidades que me traziam conforto. O sono reconfortava minha alma e em diversas dessas oportunidades pude sonhar.
O triste de tudo foi quando certa vez acordei e vi um frasco branco caído no chão, a poucos metros de mim. Pensei no medicamento que aqueles homens pudessem ter esquecido.
Rastejando até o frasco, queria um remédio para minhas dores; para dar fim a náusea e aos vômitos.
Quando peguei o frasco... li que se tratava de veneno. Minha lembrança logo me trouxe a imagem de eu levando o seu conteúdo até minha boca.
Joguei longe o frasco. Mas minha mente não parou mais de recordar o momento.
Caí em si. Estava morta! Sim! Eu me matei! Mas estava viva e a dor era maior ainda. Tudo centuplicado. E agora?
Quem dera voltar no tempo!
Como estariam meus filhos?
Deus! Me socorre!
Foram noites e noites de angústia e de pedidos de socorro.
Como estaria meus pais?
Tudo era tenebroso e muito, muito sofrido.
O frasco não desaparecia nunca. Por mais longe que lançava, poucas horas depois alguém trazia e sarcasticamente dizia para eu engolir mais um pouquinho.
Meu Deus!
Foram trinta anos que estive lá. Mais de vinte eu nem vi nada. Foram anos que fiquei como uma sonâmbula. Sem vontade própria.
Mãos divinas me acolheram um dia. Nunca vou esquecer. Quando vi os homens chegando, chamei por eles e disse para mim mesma que com a ajuda de Deus eu não cairia em sono.
Eles vieram. E numa maca senti um conforto que a muito não sentia.
Qualquer lugar era melhor que ali; esse era meu sentimento.
Colocada na maca e coberta com um lençol branco, senti que estava segura.
Saí de lá com a promessa de louvar a Deus.
Depois fiquei sabendo a data do meu resgate: foi no dia 22 de dezembro de 2002.
Carlota
Psicografado em 11 de fevereiro de 2013.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Crônica de um Espírito


Ao entardecer do dia, tenho a noção de que os Anjos cantam ao Senhor!
Fui apóstolo do Cristo. Mas em outro tipo de seara.
Naquela época acreditávamos na imortalidade da alma. Mas que com a chegada da morte a Alma ascenderia ao conhecimento universal, deixando a ignorância de lado e assumindo o conhecimento imanente de Deus em cada coração e mente. Ou seja, cada um que morresse, mesmo tendo parcos conhecimentos, seria incluído na Consciência Divina e teria todos os mistérios e tudo que era desconhecido, revelado. Entraria na graça de Deus e num passar de estágio, lhe seria como que ligado em todo o conhecimento até então nunca lhe revelado ou nunca lhe instruído.
A morte seria a revelação sublime. E tudo o que era ignorado seria conhecido.
Ora só! Ledo engano de uma vaidade desejosa de atalhos no progresso do Espírito.
Nada é assim. Tudo se encaminha a passos certos e coordenados. Sem saltos!
O conhecimento não é revelado. O conhecimento é adquirido pelo trabalho do Espírito, pelo trabalho do Homem e pela manifestação da Alma de cada ser.
Vendo por esse ângulo, pelo viés do Espírito, vemos cada Alma, de cada Ser, em constante processo de animação e estímulo, um estímulo as vezes que nos parece invisível, mas que atesta a vontade de Deus. Sim! É Deus a estimular cada Alma ao progresso.
De outro instante, vemos e somos levados a concordar ou até mesmo discordar com as vontades de cada Alma. Ai conversamos e sem que muitos se deem conta, até influímos nas decisões assumidas. E mesmo assim, nesse processo de conversa íntima, está a vontade manifesta de Deus na atividade progressiva de cada Espírito.
Pois bem! A vontade manifesta sempre se depara com o livre-arbítrio de cada Alma, de cada Espírito, e o conhecimento revelado que tanto debatíamos em nossos cadafalsos, nada mais era, e nada mais deixou, do que a nossa mais absoluta ignorância, de um lado (de considerar o estudo estafante), e de absoluta desnecessidade, de outro (pois a morte atalharia esse trabalho, desde que se acreditassem e se imolassem ao Pai Celestial).
Agora sim! Agora sabemos que o dito revelação nada mais é que o trabalho, dedicação e esforço pessoal de cada Alma. Assim se constrói o caminhar seguro e reto em direção ao progresso Divino.
Irmãos! A pira, em diversas oportunidades, foi acesa com o propósito de purificar.
Na verdade as chamas que carbonizaram pessoas serviram muito mais para nos indicar o caminho quando a morte gelou nossos corpos.
Ao longe víamos as chamas; mas os gritos de blasfêmias, de ódios e condenações, nos fez fugir diversas vezes – não sei quantas – da ajuda do Alto.
Formamos nossa irmandade em terras áridas, em meio aos combalidos e incrédulos. E em nossas discussões e debates, chegamos a contestar a existência do Bem e mesmo a existência de Deus.
Não consigo precisar quanto foi o tempo que permanecemos em regiões tão sombrias e inóspitas.
Mas tudo acabou quando até nós uma caravana chegou. Tinhamos a certeza de não estarmos sós, pois em algum lugar estariam outros nossos colegas de fé que morreram antes de nós.
Se nós não os encontrávamos em nossas infinitas excursões, tinhamos a esperança de que eles nos encontrariam.
E foi assim que ocorreu. Em certa tardinha, quando a luz parecia deixar todo o local num braseiro, vimos ao longe uma cruz em chamas. Pensamos em mais um ato de sacrilégio feito por hereges contra nosso Pai. Mas logo o cantorio de louvor nos levou a apontar em outras possibilidades.
A caravana foi diminuindo sua distância de nós. E naquele solo calcinado e avermelhado, seco como o deserto e entre diversos seres, que para nós eram a réplica perfeita dos seres infernais, fomos percebendo que algo diferente de tudo o que já havíamos passado estava ocorrendo. Enquanto aqueles seres infernais corriam esbaforidos e horrorizados da caravana, nós fomos tomados de um sentimento de alívio.
A caravana não tinha nenhuma cruz em chamas. Ao vê-la mais próxima, percebemos tratar-se do brilho, de um dourado que refletia uma luz incandescente.
As pessoas que compunham a caravana também eram diferentes. Todas elas usavam vestes limpas que nos fizeram lastimar os trapos imundos que usávamos para cobrir nossas vergonhas.
O cheiro perfumado da caravana contrastava com o odor pútrido de nossas feridas que, em carne viva, purgavam larvas que serviam como nosso alimento.
A caravana chegou próxima a nós e um dos seus integrantes dirigiu-se a nós.
Nossa reação, de vergonha, foi em nos escondermos entre umas rochas; e dali estabelecemos o diálogo inicial:
- Quem são vocês que trazem essa cruz de ouro?
- Somos caravaneiros do Cristo. Em nome da Virgem Maria estamos a caminhar por essas terras. Fomos informados de Homens Santos que clamam por Deus.
- E como saberemos que vós sois quem dizem ser e que estão aqui por intervenção da Virgem Maria?
- Filhos! Nossa Mãe, a Mãe de nosso Senhor Jesus Cristo, sabe perfeitamente o que cada um dos seus necessita. Estamos aqui para fazer valer a máxima de nosso Mestre, o Cristo: Ama o próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas.
- Assim somos tentados a acreditar em tuas palavras. Mas como saberemos que vós não é um dos discípulos de Satanás a querer nos persuadir ao erro. Dê-me uma prova de que falas a verdade.
- Meus Irmãos! Não convém tanto palavrório. Vós todos se encontram aqui já há muito tempo. Somos os primeiros seres que lhes chegam para falar em nome de Deus. Vós já se encontram cansados. E foi nos últimos dias que vossas orações se desembrenharam da matéria.
- Ainda não confiamos em suas palavras.
- Não há problema. Ficaremos um tempo aqui. Vamos orar para o nosso Pai Celestial e se desejarem participar, são nossos convidados.
Ficamos atrás das rochas confabulando sobre diversas possibilidades. Mas a cantoria e o louvor passaram a nos tocar profundamente a Alma.
Nossa! Tudo passou a ter um sentimento diferente do orgulho que trazemos em nosso íntimo. O egoismo que nos catapultou para honrarias terrenas, agora estavam completamente esfacelados diante da caravana. E as rochas que estavam servindo de nosso esconderijo, passou a revelar-se como o nosso estágio quando deixamos a Terra.
Sim! É duro reconhecer! Eramos seres brutos que necessitávamos de muito trabalho.
Não recebemos a revelação e o conhecimento universal com a morte. Nem tão pouco assumimos a condição de Anjos ou ocupamos nosso lugar à direita de Deus Pai.
Vimos ali, naquele momento, que a morte nos deixou exatamente como éramos na Terra. Brutos que utilizaram de seu orgulho, vaidade e egoismo para impor uma ordem. Vimos que essa ordem não se configurou no Bem.
Para saldar nossas dívidas carnais, as lamúrias de nossas Almas estavam apenas começando. Lamúrias de vergonha em não ter dado ouvidos ao Bem que deveríamos ter feito. Negamos a humildade e caímos na escola do Espírito, onde a consciência nos julga a todo o momento, mas que com a interseção de nosso Pai e dos Bons irmãos, o esquecimento se faz como um bálsamo revigorante. E só aos poucos, sem sobressaltos, as lembranças de passado perfídico vão se levantando.
Obrigado a todos os queridos caravaneiros que pacientemente nos acolheram.
Agora, no Plano Espiritual, pedi o perdão para cada uma Alma que martirizei.
E quando algo sombrio surge em minha consciência, revelando mais uma perfídia, a vergonha me faz lastimar e oro ao Pai que logo envia a ajuda necessária para eu suportar.
Sou um devedor! Não tenho muito para dar. Mas como Irmão e Filho de nosso Pai, venho pedir o perdão dos que prejudiquei.
Em nome do Pai, quero ajudar aos que mais precisam.
Vamos juntos orar ao Pai!
Um Bispo de Marselha.
Psicografado em 04 de fevereiro de 2013.