domingo, 22 de janeiro de 2012

União


Meus amados Irmãos em Fé!
Estamos hoje reunidos sob o amparo da divina luz de nosso Pai Celestial e do nosso Mestre Jesus.
Sempre nos alegramos quando temos a santificada oportunidade de transmitir nossas palavras da Espiritualidade.
Aqui na Espiritualidade transcorre de forma um tanto quanto diferente das formas e caminhos que ocorrem na matéria. Isso significa dizer que os objetivos propostos são diferentes. Tal diferença é possível notar pelo simples analisar as questões de que cada encarnado tem de buscar, pelo trabalho diário, o sustento e o aprimoramento profissional para melhorar a condição pessoal e da família. Assim atuam como obreiros do Pai Celestial, pois seus trabalhos ficarão na Terra e servirão como apoio de outros trabalhadores terrenos e encarnados.
Cabe a cada um, nos trabalhos terrenos, fazer o melhor de si para deixar sua contribuição terrena para a evolução do plano físico.
Já na Espiritualidade, nossos objetivos estão orientados para o aprimoramento Espiritual auxiliando na evolução e no aprimoramento de outros muitos Espíritos. Buscamos a todo o momento auxiliar todos os que estão ao nosso alcance e assim transformando, aos poucos, o coração que recebe os nossos trabalhos.
Agora, quando o trabalho consegue integrar esses dois campos de objetivos, estamos ampliando em grande escala o conhecimento sobre amor, paz, fraternidade e o progresso em geral. Essa divina integração promove com maior velocidade a evolução do Espírito. Mais cedo tem condições de trilhar os caminhos venturosos do progresso.
Quisera que tal situação acontecesse com maior comprometimento entre os dois campos: Espiritualidade e Materialidade. É certo que tudo vem ao seu tempo e dentro do amor santificado do Cristo.
Quando os objetivos dos Irmãos terrenos, ou seja, de buscar o seu aprimoramento profissional e pessoal, se unem aos objetivos da Espiritualidade, que é o de auxiliar a evolução coletiva dos Espíritos em geral, temos a grande satisfação de unir forças inquebrantáveis para louvar o nosso Pai Celestial. Enchemos-nos de luz santificada na senda do progresso, dando origem a imensos focos de luz a oportunizar o progresso de todos.
Ficamos muito felizes quando estamos ao lado de trabalhadores terrenos que se abnegam em servir como instrumento da Espiritualidade, sendo mais um obreiro da obra divina.
Desejamos para todos os Irmãos encarnados, estejam trabalhando na profissão que garante a sustentabilidade física, seja ele trabalhador da mediunidade santificante, que recebam luz de nosso Pai Celestial. Pois um dia nos encontraremos na Espiritualidade e recordaremos com ternura os trabalhos que auxiliaram o progresso de todos.
Com Amor,
Irmã Isabelita
Psicografado em 21 de janeiro de 2012.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Mansão dos Mortos


As brumas de fumaças espessas que bruxuleiam constantemente os derredores do Umbral parecem como vapores que saem das fendas da terra, trazendo vapores quentes. A sensação é, no entanto, um tanto arrepiante, pois o cheiro e o frio que elas exalam provocam calafrios e nos fazem correr em direção oposta.
Na imensidão do espaço escuro e esquecido de todos, fica a vívida certeza de que algo diferente poderia ter sido feita em tempo remoto, quando encarnado.
É! Não soube aproveitar bem a oportunidade assumida na Terra e as consequências que eu próprio designei para meu transcurso na Espiritualidade me calcinam a Alma, que chora e geme, ri e lastima a própria sina assumida.
Quisera saber dos detalhes vindouros e eu jamais teria cometido tantos desatinos; jamais teria atentado com tamanha perfídia contra a própria vida.
A distância da faca ao peito é diretamente proporcional a mil vezes ao tamanho dos espaços lúgubres e desconexos que a minha própria coragem engendrou. Tudo faz crer que os quarenta centímetros que separavam a adaga que perfurou meu peito correspondem a uma vastidão ininterrupta de quatrocentos quilômetros de regiões ora enlameadas, ora calcinadas pelo calor escaldante do deserto, outra ora impregnadas de umidade, cheiros fortes, gritos e gemidos apavorantes que castigam abruptamente a paciência e a tolerância.
O Umbral é uma extensa região inóspita que calcina as Almas, mas que ao mesmo tempo nos arranca, tal como o médico que extrai os carcinomas, todas as nossas paixões materiais e sentimentos de vaidade da carne. A arrogância, aqui nesse vale de lágrimas, de nada vale. A esperança é a única força a animar e em afirmar, no íntimo do coração perfurado e que vez por outra ainda sangra, que sairemos desse lugar desolador.
Aqui não sei contar a passagem do tempo e menos ainda se é dia, se já foi dia alguma vez, pois o ambiente está em permanente mutação abrupta da penumbra para a escuridão absoluta.
E quando vozes gemem ao longe, podemos ter um pouco de privacidade e certa tranquilidade para descansarmos da caminhada incessante para lugar algum. Pois quando se ouvem gritos e se percebem esfarrapados correndo desenfreadamente, tem-se que correr, e correr muito e com todas as forças possíveis, sem olhar para traz. Turbas de entidades nos achincalham com tal voracidade a ponto de nos deixar completamente esgotados e com extenuantes dores pelo corpo todo. Eles aparecem como imagens de figuras horripilantes, rostos desfigurados, e exalam uma atmosfera de ar gelado que ao nos envolver, faz tremer de frio o corpo inteiro.
Fugir, como percebes, nem sempre é possível. Essas turbas nos envolvem e nos carregam por longas regiões num cansativo joguete de intenções descabidas.
E quando se consegue alguma trégua da dor, do frio, da fome, da turba ensandecida, busco na oração o aconchego da esperança de que o dia de minha saída do Umbral já está próximo.
Malaquias
Psicografado em 18 de janeiro de 2012.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Luz para a Alma


Deus!
Ilumina todos os meus Irmãos na busca da Luz da Evolução e da Luz do Esclarecimento! No caminhar em direção ao bem, cada um de nós tem diversos percalços e diferentes situações a cumprir na sublime missão de nos impulsionar em tua direção, Pai Amado.
Muitos dos encarnados têm dificuldades em entender sobre tais caminhos sublimes. Mesmo os Irmãos que estão estudando sobre a Doutrina Espírita sofrem com os percalços do entendimento e do esclarecimento sobre a transmutação do Espírito; das forças evolutivas da Alma. Cabe a esses Irmãos buscar um pouco mais na paciência e no desapego da matéria, refazendo seus conhecimentos sobre o que deve ser absorvido, diante do conhecimento que traz o sublime caminhar pela matéria e a provação que faz cada um de nós em reelaborar nossos conhecimentos sobre o que devemos transformar em nossa Alma, para alcançar a transmigração pelos Mundos Espirituais.
Pai! Ilumina para que cada Irmão encarnado, que busca o saber e a caridade do bem e do amor, percorra o caminho mais adequado.
Se nesse caminho houver dores, que sejam na medida da provação que o lançará para os conhecimentos da pacificação. Que cada momento de dor e de sofrimento seja um degrau a mais na caminhada em direção ao progresso e na jornada da Paz.
Quando a dor for insuportável e carregada de lágrimas e de desespero, que possa o Irmão suportar com sua luz, Pai! Na glorificação do Amor! E que nosso Irmão seja capaz de discernir sobre as diferentes formas de crescermos em direção ao Alto, em tua direção Pai Amado!
Quando o desespero desejar fazer o Irmão lançar mão dos trejeitos que possam assumir subterfúgios desastrosos que afetem o aparelho como destino de eliminação, que outros Irmãos da Espiritualidade possam acudir e intuir os Irmãos que desejam a confirmação do ato maligno.
Faz Pai, que plêiades de Irmãos Maiores possam orientar, de alguma forma, os cúmplices desse ato abjeto e tresloucado.
Meus Irmãos! Todos estamos acompanhados dos mais diferentes e dos mais ignotos e também dos esclarecidos Irmãos da Espiritualidade.
Fica na Alma as marcas dos passados brutos que afetaram abruptamente a jornada terrena. Cada Alma, seja ela cúmplice ou a própria que acometeu ato insano contra si próprio, terá uma longa jornada de provas e de reparações para restabelecer o caminho novo e sublime da felicidade Espiritual. Cabem novas reencarnações para purificar o perispírito das ações ignotas e pérfidas.
A glória de nosso majestoso Pai Celestial sempre abrirá novas clareiras de Amor e de Fraternidade para que seus filhos jamais se percam. Construirá novas jornadas terrenas para que a Alma dilua suas dificuldades e que lhe possibilitem o esclarecimento em direção ao Alto. E nada melhor que um dia após o outro, pois todos eles são santificados pelo Pai!
Nas caminhadas e nas diversas experiências, novas provas de Amor e de Felicidade encherão o coração do Irmão, esteja ele em qualquer grau da evolução; esteja ele na fase germinal, entre vermes ou minúsculos seres materiais, ou esteja ele já na fase hominal.
A experiência estará sempre entregue em sua caminhada, acompanhada dos Irmãos abnegados do Amor.
Fica com Deus!
Irmão Onofre
Psicografado em 16 de janeiro de 2012.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Balanço anual das atividades Espirituais


No dia 24 de dezembro de 2011, como é de praxe, acontece o balanço das atividades espirituais desenvolvidas nas Casas Espíritas. Na região do Brasil, tal atividade ocorre na Cidade Espiritual Vida Nova, localizada sobre Manaus e onde está o Observatório Espiritual para o Desenvolvimento e Evolução Cristã.
O encontro reúne entidades mentoras e trabalhadores diletos da Espiritualidade, onde apresentam os resultados alcançados, os trabalhos que merecem ser retomados com o auxílio zeloso do Alto – devido alguns contratempos originados no conflito de interesses entre encarnados e a intromissão de desencarnados afeitos à vaidade dos títulos ou posições –, bem como projetam novos complexos de trabalhos destinados ao aprofundamento da Moral de Cristo e a iluminação no campo do conhecimento aos novos visionários da Espiritualidade.
O encontro também contou com a participação de Irmãos encarnados que auxiliam anonimamente nos trabalhos Espirituais. Tais Irmãos estão entre aqueles que nossos queridos encarnados na Terra classificam como Extraterrestres. A participação desses Irmãos se dá por bilocação ou desdobramento.
Na oportunidade das projeções para 2012, ficou estabelecido o aumento das atividades de comunicação, com vistas a determinados conhecimentos, e o envolvimento de maior número de trabalhadores encarnados junto aos trabalhos de orientação e evangelização.
Entidades da Espiritualidade Superior se fizeram presente ao final do encontro, momentos antes da oração de encerramento, e conclamaram para os trabalhos junto aos desencarnes em massa, decorrentes das ações humanas e das confluências da crosta terrestre.
Essas entidades da Espiritualidade Superior convidaram todos os presentes a orar em uníssono. O ambiente do auditório foi tomado por uma cintilante cor violeta e uma impressionante melodia que arrebatou em vibração a todos. Em seguida, uma luz branca passou a tomar conta de todo o ambiente, num processo de alvura, de onde se enxergavam milhares de pequenas flores descendo do teto sobre os presentes, na mesma medida em que se materializava um coração azul anil, pontilhado por pequeninas estrelas douradas, subindo em direção ao teto que se abria para uma dimensão mais sutil da Espiritualidade.
“Que a Paz esteja no coração de todos!” foi o chamamento final do Anjo que conduziu a oração e esse também é meu mais sincero desejo para você que lê esta mensagem.
Irmão Aníbal
Mensagem recebida em 27 de dezembro de 2011.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Socorro Espiritual


A função de toda a Casa Espírita que se dedica ao bem, em fazer o bem, é ter como missão principal a ajuda através do Evangelho; sua missão é em prestar o Socorro Espiritual. Assim, sua principal providência está em formar um conjunto de trabalhadores dedicados e espiritualizados minimamente nas palavras do Mestre Jesus. Esses também devem conhecer os fundamentos do Espiritismo: mas não necessariamente em sua ciência, mas primordialmente em sua religião para que possam estabelecer a formosa ligação com nosso Pai Amado.
A finalidade da Casa é concretizar o caminho de luz para todos aqueles que se socorrem em tal universo Espiritual. A Casa Espírita transforma a fundamentação filosófica do Irmão que pede socorro, encaminhando-o a Deus e a Jesus Cristo.
O Socorro Espiritual se faz ao decantar no coração sofrido um facho de luz que o conduz para um esclarecimento sobre sua condição e sobre suas necessidades evolutivas. O Socorro Espiritual é um emaranhado de esforços a envolver encarnados e desencarnados; a envolver trabalhadores encarnados que como frutos de uma figueira, farão a partitura necessária para o timbre das Equipes Espirituais que prontamente se deslocarão em amparo e atenção socorrista.
A medicina evangélica poderá ser o primeiro e principal lenitivo divino a transformar o coração que busca consolo, que busca luz, que busca esclarecimento de seus sofrimentos e de suas angustias; que lhe parecem ainda pesados problemas terrenos amarrados em sua Alma.
O Socorro Espiritual da Casa Espírita será como a chave a abrir os cadeados que juntam as correntes aos problemas da Alma.
Convém a preparação consciente dos trabalhadores terrenos quando se encaminham para as atividades santificantes da Casa Espírita: estar de Alma leve, com o coração radioso e repleto de palavras do Evangelho. Assim o trabalhador estará comprometido e completo para servir como partitura das atividades no Socorro Espiritual aos necessitados e desamparados que adentrarem no ambiente Espiritual.
A evangelização inicia, assim, com os trabalhos encarnados, na Casa Espírita. Mas sua continuidade e seu prolongamento se darão com os trabalhos das Equipes Espirituais socorristas, que conduzirão o Espírito necessitado para as branduras de Amor, Paz e Fraternidade em alguma Colônia ou Cidade da Espiritualidade que acolherá a entidade encaminhada num ambiente de prosperidade na evangelização.
Que Deus ilumine a todos, hoje e sempre!
Irmão Aníbal
Psicografado em 15 de dezembro de 2011.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O bem querer


Bendito são os lábios que só fazem proferir palavras de louvor ao Pai Celestial.
Bendito são os corações que se enternecem pelo sofrimento alheio e se fazem compadecidos ao aquecer em oração o coração que sofre.
Bendito é o amor que conquista mesmo aqueles que lhe querem como inimigo.
Roga ao Pai Amado o desprendimento diante da ofensa.
Busca em teu íntimo a complacência e fá-la crescer como o carvalho; firme e forte.
Ilumina tua fronte com a certeza de que muitos oram por ti.
Lança mão das coisas materiais que só servirão para acumular pó e te farão escravo acorrentado às necessidades passageiras.
Conserva tua Alma de toda a arrogância que possas praticar contra teus Irmãos menores.
Sacrifica um pouco das tuas horas por aqueles que necessitam das tuas forças ou da tua palavra.
Faz dos dias santificados o teu clarão de paz, ao chamar pelos que já estão na Espiritualidade por ti a olhar.
Confia na firmeza do teu pensamento ao Alto, pois sempre te olham aqueles que te amam ou amaram em outras vidas.
Segue no caminho reto do bem; e mesmo que tropeces, ergue a cabeça, pois sempre tens a oportunidade de recomeçar.
Santifica o dia que nasce, pois nele está a esperança de sua evolução.
Progride com paciência, pois com ela tudo se pode; até o impossível.
Faz de tua jornada terrena uma oportunidade de transformar todos em teus grandes amigos.
Conquista com o amor aqueles que te espezinharam ou magoaram de alguma maneira; certamente eles merecem teu amor, mas não estavam preparados ou não entenderam em como te receber.
Compele ao bem todos os que te procurarem.
E faz de toda e qualquer oportunidade, a bendita vocação de louvar a Deus e àqueles que te encontram pelas estradas da vida.
Irmão Chico
Psicografado em 14 de dezembro de 2011.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Região umbralina na Ásia


Na madrugada do dia 04 de dezembro de 2011, fui levado pelo Mentor Bartolomeu até uma região umbralina localizada em alguma parte da Ásia. Pelas informações do Mentor, a referida região está localizada nas proximidades etéreas de uma cidade da Índia, que faz fronteira com o Paquistão.
Quando chegamos numa determinada localidade da região umbralina, notei que o ambiente todo era completamente seco, dando a impressão de estarmos atravessando um deserto. A luminosidade do ambiente era baixa, e parecia que estávamos andando abaixo de uma cortina de areia, que impedia a luminosidade do Sol. A luz do ambiente era de um tom alaranjado.
O chão era arenoso e seco; era possível perceber uma película de pó na cor de tijolo a cobrir o chão.
Caminhamos por alguns momentos, até perceber que adentramos em uma cidade que dava a impressão de estar abandonada; isso porque o estado de tudo era muito precário. É como se aquela cidade estivesse em completa ruína, pois todas as casas (que mais se pareciam com cabanas) haviam sido destruídas e só parte delas continuava de pé.
No entanto, a cidade não estava abandonada. Gritos e gemidos de dor passaram a ser ouvidos a todo o momento. Frases de ameaça também eram ouvidas. Diante da minha surpresa, Bartolomeu esclareceu.
-Charles! Não tenhas receio do que veremos. Muitos dos que estão aqui não nos percebem, e apenas alguns outros poderão lhe perceber. Mas você pode ficar tranquilo, pois logo chegará um guia para nos conduzir até a outra extremidade da região. Vamos descer até a área onde estão Irmãos em estado de sofrimento por não aceitarem a existência da igualdade dos Espíritos perante o Pai Celestial. São Irmãos que ainda em seu estágio evolutivo, discordam das oportunidades iguais para todos no caminho da evolução Espiritual. Comportam-se assim porque pressentem que terão de encarnar entre aqueles grupos que ele desconsiderava perante o Pai Celestial. Desconsiderava-os como Irmãos e os comparava ao menor dos seres e indignos de ocuparem os mesmos espaços que o deles durante a encarnação na Terra.
Enquanto Bartolomeu explicava, fomos andando por uma rua toda empoeirada. Não era difícil ver os vultos correndo de um lado ao outro, como se estivessem fugindo de alguma coisa que eu não consegui ver. Alguns passavam aos gritos. Outros apenas corriam. Enquanto que outros estavam parados junto de janelas destruídas, contemplando o vazio; era como se estivessem olhando para suas lembranças na Terra.
Logo chegou uma entidade que cumprimentou-nos.
-Olá meus Irmãos! Estou feliz pela visita! Esse não é o local mais apropriado para nosso encontro, mas estamos diante de Irmãos nossos que necessitam de toda a nossa atenção e amparo. Irmão Bartolomeu, permita-me apresentar ao nosso Irmão Charles. Sou o Irmão Al-Kazim. Estou aqui para lhe conduzir até outra região onde outros Irmãos, em estágio de purgação de suas vaidades e egoísmos estão a negar a bondade de Deus. Irmão Charles! Fique a vontade para perguntar o que desejares, pois sabemos do trabalho que está desenvolvendo em conjunto com a equipe no nosso Irmão Bartolomeu. Estou orando por vocês já faz alguns dias. Pedindo a luz necessária para podermos aproveitar suas potencialidades a fim de levar aos Irmãos encarnados, o conhecimento de tais realidades. Nesse momento em que congraçamos nossos pensamentos, sob o louvor de Deus, que nosso Mestre Jesus lhes iluminem hoje e sempre!
Numa demonstração de carinho, que me fez volitar alguns centímetros do chão, agradeci e desejei que Deus também iluminasse o coração afetuoso do Irmão Al-Kazim.
Bartolomeu teceu breve elogio e agradeceu toda a atenção que nosso Irmão estava depositando, não somente em nós, mas para todos aqueles Irmãos que ali estavam habitando temporariamente.
Perguntei para Al-Kazim sobre seu trabalho na região.
-Sou um dos Irmãos trabalhadores que acompanham os que aqui se encontram. Nosso trabalho é buscar acelerar a saída dos que aqui se encontram. São muitas as vezes que nos aproximamos de diversos de nosso Irmão que aqui sofrem, para lhes intuir em pensamentos mais nobres. Conversamos, sempre que a oportunidade surge, indicando o caminho do bem e o pensamento na misericórdia divina. Buscamos demover as ideias que ainda trazem do aprendizado na Terra. Muitos aqui nesse lado onde nos encontramos, são homicidas e ainda carregam grande ódio no coração e desejo cego de vingança.
No que Al-Kazim terminou de falar, ouvimos gritos de ameaça bem à nossa frente, no interior de algo que parecia uma choupana, sem as paredes da frente.
Um homem apontava as mãos para outro, lhe ameaçando de morte. Paramos naquele momento. Al-Kazim pediu para aguardarmos, enquanto caminhou na direção daqueles dois. O homem que ameaçava com as mãos, parecia estar segurando uma arma de fogo. O outro gritava dizendo que já tinha matado toda a família do oponente e que agora não tinha mais medo de morrer; e dizia com ar de sarcasmo:
-Atira! Atira! Já matei tua esposa e filha. Já vinguei a morte do meu pai. Atira se tiver coragem!
Al-Kazim transformou-se naquele instante, assumindo a forma de um ancião, e se colocou entre os dois.
Começaram, então, a xingar Al-Kazim, que continuou imóvel entre os dois, apenas olhando para aquele que fazia gestos de estar segurando uma arma e ameaçando atirar no outro. Depois de algum tempo, os xingamentos diminuíram e Al-Kazim começou a falar com o homem que ameaçava:
-Então! Agora que você não atirou, agora que você decidiu não fazer uso da arma, quem sabe você a entrega para mim para que a mesma tenha o fim que merece. Você não vai fazer mais uso dela. Já faz dias que vocês dois chegam nesses termos e você nega puxar o gatilho. Quem sabe agora você deixa essa vingança de lado, pois o que está feito... está feito! Quanto a você Mohamed, busque pensar mais em Deus. Volte a orar como a Anastásia te ensinou. E não volte mais para esse lugar que te faz lembrar coisas desagradáveis.
Fato é que Mohamed saiu em disparada logo em seguida. Enquanto que o outro negou em entregar a suposta arma que ele achava que segurava.
Al-Kazim conversou por mais alguns instantes com ele. Acho que ficamos uns vinte minutos ouvindo o diálogo. Em seguida veio em nossa direção, assumindo a forma de antes.
-Irmãos! Bartolomeu e Charles! Não poderia ter perdido a oportunidade do atendimento. Certamente que tal acontecimento está nos desígnios de Deus. Charles. Tínhamos pensado em levar nosso Irmão até a outra área, mas agora estamos com o tempo comprometido.
Bartolomeu logo intercedeu.
-Irmão Al-Kazim! A oportunidade do seu trabalho foi de grande valia para nosso Irmão Charles. Situações assim não ocorrem a todo o momento e este foi um excelente aprendizado. Mostrando o quanto os Irmãos são capazes de carregar na Alma os desafetos e situações que lhes enrijecessem a consciência para o bem. Mas vamos até onde o tempo permitir...
Bartolomeu não chegou a concluir a frase, e logo se aproximou de nós o homem com quem Al-Kazim conversou.
-Você aí (dirigindo a fala para Al-Kazim). Não viu o senhor de idade?
Al-Kazim perguntou:
-Você procura aquele senhor que aparece por aqui falando de Deus e de perdão?
-Sim! Esse mesmo.
-Estou indo ao encontro dele, você deseja alguma coisa?
-Quero entregar minha arma para ele.
-Pois entregue para mim que eu mesmo levo para ele.
-De jeito nenhum. Eu mesmo quero entregar. Não quero que ela caia em mãos erradas.
-Então aguarde apenas um instante aqui mesmo. Vou chamá-lo até aqui.
O Irmão Al-Kazim se fez invisível para aquela entidade. Ela também, em nenhum momento enxergou ou percebeu a nossa presença; nem a minha e nem a de Bartolomeu.
Em seguida, Al-Kazim se posicionou ao lado do homem, já assumindo a forma de um ancião.
-Mustafá! Disseram que desejas falar comigo. Do que se trata?
-Sim! Quero lhe entregar minha arma.
O homem estendeu a mão em direção de Al-Kazim, como se estivesse segurando algo.
Al-Kazim fez o mesmo gesto, como se estivesse pegando algo, e disse:
-Muito bem, Mustafá! Agora peço que procure um lugar calmo e inicie a orar pela sua esposa e pela sua filha. Peça a Deus que as ilumine com muito amor. Peça, em suas orações, que Deus tenha piedade daquele que as matou. Ore com muita certeza na bondade de Deus. Para que todos estejam protegidos e amparados pela luz divina: sua esposa, sua filha e Mohamed. Logo a Anastásia vai lhe encontrar para te auxiliar nas orações. Agora vai! E acalma teu coração. Um grande passo destes hoje. Estou muito feliz por você.
Mustafá se afastou com um olhar ainda de resistência. Mas disse que estaria indo procurar um templo para orar pela esposa e filha assassinadas.
Bartolomeu comentou que o coração de Mustafá começara a se desfazer de amarras materiais de ódio e vingança; e complementou:
-Mas ainda levará algum tempo para Mustafá se desfazer do ódio completo contra Mohamed. Ambos se afastarão agora. Seguirão caminhos diferentes em direção ao esclarecimento. Mas quando o momento chegar, quando estiverem com consciência, se encontrarão na Espiritualidade para juntos encaminharem a próxima experiência na Terra. Charles! O que vimos hoje é uma dádiva. As circunstâncias nos oportunizaram momentos de encaminhamento espiritual. Não temos mais tempo hábil para descermos até a outra extremidade da região. Creio ser possível chegarmos ao máximo na divisa dela.
Al-Kazim, já assumindo sua aparência pontuou:
-Vamos levar nosso Irmão Charles para conhecer a fronteira que separa essas duas áreas da região. Mesmo tendo pouco tempo, vamos sem demora.
Enquanto volitávamos por decidas em declives acentuados, passei a perceber o quanto o ambiente ia apresentando formas mais desgastadas. A umidade também passou a dar uma forte impressão de desconforto. O chão era de lama coberta por musgo. Logo chegamos diante de barrancos enlameados, que mais pareciam trincheiras. Passamos por entre estreitas aberturas que davam caminho a corredores por entre os barracos. Não vi entidades ali. Mas a sensação naqueles corredores, com barrancos que deviam ter em torno de dois ou três metros, era de estar caminhando dentro de sepulturas abertas na terra, em uma região pantanosa.
Ao passarmos por essa área dos barrancos, volitamos por um extenso lago de água escura e viscosa. Ao chegarmos à outra margem Al-Kazim comentou:
-Irmão Charles! Passamos pela fronteira. Toda essa área de valos profundos e de pântano aquoso é a fronteira que divisa as regiões. Irmãos que estão aqui, não conseguem passar pela fronteira, pois se perdem no labirinto dos valos e acabam sempre retornando para a área pantanosa. Estamos sob o tempo. Charles! Agora temos de retornar, pois aqui já começa a escurecer e em sua cidade já amanhece.
A paisagem que estava na minha frente era de extrema vastidão de arvores ressequidas e mortas, com lama por toda a parte e fumaças em tom escuro concentradas em alguns pontos. Logo a escuridão tomou conta de toda a região. Como se a luz, que já era fraca, apagasse de repente.
Bartolomeu orientou para retornarmos para antes da fronteira. Assim meu retorno não se daria sob as condições umbralinas da qual estávamos saindo.
Volitamos sobre o pântano e sobre os valos, até iniciarmos, já além da fronteira, a subir o caminho em direção a cidade.
Bartolomeu ponderou então que não havia mais tempo. Meu retorno deveria ser imediato. E colocando a mão sobre minha cabeça, disse:
-Retorne agora, pois o despertador está tocando.
Eram sete horas de domingo.